JohnsonDiversey usa tecnologia da indiana Wipro para suporte e gerenciamento de sistemas
Outra tendência que ganhou força com a recessão, assim como da última vez, foi a terceirização no exterior. Desde que emergiu, a JohnsonDiversey tem usado tecnologia da Wipro, baseada na Índia, de forma extensiva para suporte e gerenciamento de sistemas, cortando pela metade o orçamento de TI e entregando um serviço melhor, como avalia Brent Hoag, diretor sênior de TI global da JohnsonDiversey.
A área de TI da empresa é composta, agora, por 75 profissionais que, basicamente, trabalham com estratégia de software e infraestrutura, estratégia de TI em unidades do negócio e gerenciamento de contratos de outsourcing. “O profissional de nível mais baixo que tenho na minha equipe é um gerenciador de programa”, pontua Hoag. Ainda assim, software online irá mudar também a forma como os CIOs olham para terceirização.
Quando a empresa fechou negócio com o Gmail e Postini, retirou suporte de e-mail do contrato com a Wipro; é o próprio Google que lida com qualquer tipo de problema. A Wipro ainda oferece suporte de help-desk para outros aplicativos, incluindo o Microsoft Office, que continua sendo a suíte padrão da empresa.
Na Avago Technologies, as únicas opções que o CIO Bob Rudy tem levado em consideração como um novo sistema de recursos humanos são outsourcing completo ou um aplicativo online. A fabricante de componentes eletrônicos usa uma antiga versão do PeopleSoft que Rudy não quer atualizar. Ele analisa os processos em terceirização para oferecer serviços de RH mais amplos, incluindo a possibilidade de rodar qualquer aplicativo necessário.
Se não for o caso, ele pode aderir às opções online, como a Workday. “Não acredito mais em comprar software”, avalia Rudy, que também transferiu o serviço de e-mail da empresa para o Gmail e usa, Google Apps e Sites. No entanto, ele pretende continuar comprando softwares CAD licenciados, já que essas inovações em desenvolvimento e engenharia são essenciais para os negócios.
Para Julian Koski, CEO da Transparent Value, uma unidade de gerenciamento da Guggnhein Partners, computação em nuvem não passa de outsourcing barato. “Quanto mais pudermos exportar e ter alguém que faça o trabalho pesado, melhor”, acredita Koski. A empresa usa um aplicativo online do Grupo Navatar, criado na plataforma Force.com, da Salesforce.com, para gerenciar fundos de investimentos mútuos de seus clientes. “Por muito tempo fiz negócios com aplicativos personalizados”, informa. “Esses aplicativos prontos da Navatar fazem uma grande diferença. Eu nunca precisei me sentar e escrever especificações.”
A empresa paga mensalmente pelo serviço e, enquanto empresas de serviços financeiros são vistas como clientes pouco prováveis para aplicativos baseados em nuvens, devido às leis de segurança da industria, Koski não considera o local físico dos dados um problema porque, tanto a Navatar quanto a Salesforce, apresentam políticas e tecnologia de segurança sólidas.
As decisões de Koski e Hoag mostram como cloud computing poderia substituir alguns serviços de suporte de aplicativos e trabalhos de desenvolvimento que offshore outsourcing capturou no começo dessa década. A pressão crescente está nas empresas que oferecem serviços de outsourcing para trabalhar ainda mais próximas dos clientes. A Infosys, por exemplo, diz que mais da metade de seus acordos possuem algum elemento de preço baseado em entrega.
Nem tudo é festa
O aumento no uso de smartphones como alternativa aos desktops e laptops deve alimentar o interesse em opções baseadas em web. Hoag destaca que, com o e-mail baseado em web do Google, a JohnsonDiversey não precisa mais comprar e manter o servidor BlackBlerry, da Research in Motion (RIM), para que os usuários de da plataforma baixem e-mails, já que a maioria dos smartphones tem acesso ao Gmail. “Tivemos uma melhora significativa na flexibilidade, permitindo que as pessoas trabalhem de qualquer lugar”, ressalta Hoag.
Mas nem todos os modelos de TI alternativa parecem ser vencedores. Pense nas alternativas que cobram taxas anuais de manutenção de software. Alguns CIOs com quem conversamos disseram estar insatisfeitos com o modelo tradicional porque pagam taxas anuais, normalmente 22% do custo da licença, para manutenção e upgrades.
Software como serviço, ou SaaS, da sigla em inglês, é uma opção e, enquanto os fornecedores como RightNow, Salesforce, Success-Factor e Workday têm presença e conquistam grandes clientes corporativos com aplicativos assinados, seus lucros continuam sendo equivalentes às pequenas porções dos lucros de empresas como Microsoft, Oracle e SAP.
Outra opção é suporte barato vindo de empresas terceirizadas como a Rimini Street, que diz cobrar metade do que Oracle ou SAP cobram. A Rimini Street conquistou nomes importantes, como a empresa de frotas de caminhão J. B. Hunt, e suas reservas irão dobrar esse ano, para cerca de US$ 150 milhões, mas ainda é muito pequeno perto das gigantes do mercado. Ray Wang, analista do Grupo Altimeter, contou que algumas empresas terceirizadas iniciantes quebram porque os profissionais mais tradicionais as consideram muito controversas para fechar negócio.
Trade-Offs se tornam mais fáceis.
Portanto, não se engane. Empresas como Microsoft, Oracle e SAP ainda dominam os aplicativos, agregando valor às suítes integradas de décadas de trabalho corporativo e industrial. Com ERP central, há pouco interesse corporativo na nuvem, onde latência pode causar problemas para aplicativos de transação intensiva. Mas se existe um pensamento comum em relação à adoção de modelos de TI alternativas, é que a economia, em queda, tornou mais fácil engolir os trade-offs, que mantiveram a TI longe desses modelos no passado.
A Sony Pictures Entertainment está no processo de implementação de RH baseado em assinatura, incluindo os serviços de software da Workday para viagens, despesas e folha de pagamento. “Nós tentamos desenvolver um projeto para implementar RH por mais de um ano e meio”, informou Andy Schlei, vice-presidente de TI da empresa. “E cada vez que chegávamos ao ponto de aprovação, devido à nossa situação atual, éramos obrigados a encontrar um projeto mais barato”.
A equipe de TI estimou que a Workday levaria sete meses para implementar – metade do tempo que levaria para um aplicativo de RH local – por um terço do preço. “Foi a primeira vez que pegamos uma importante plataforma global e a mandamos para a nuvem”, confirmou Schlei. Ainda há muito trabalho a ser feito pelos profissionais de TI da Sony Pictures, como integrar o software online da Workday com o sistema local de gerenciamento de identidade da Sony. E como a empresa está analisando outras opções de cloud, incluindo o Amazon Elastic Compute Cloud para infraestrutura de TI sob demanda, ela quer evitar criar um novo tipo de complexidade.
“Trabalhamos por 10 anos para desfazer um emaranhado de aplicativos e tivemos sucesso ao entregar custos mais baixos”, contou Schlei. “Não queremos criar um novo emaranhado com esse negócio de software como serviço.” A Sony Pictures também resolveu o problema de “estratégia de saída”. Seu contrato exige que a Workday envie, periodicamente, cópias de qualquer código que seja implementado para a empresa, assim como todos os dados. Caso a Sony resolva que quer se separar da Workday, ou caso a fabricante saia do mercado, a Sony terá acesso garantido a todos os dados e códigos.
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