Vivo e Telemig poderão comprar a Amazônia Celular por R$ 1,2 bilhão
Aumentou nos últimos dias a expectativa da Vivo de que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) conceda o sinal verde final à compra do controle da Amazônia Celular, efetuada em 2 de agosto em conjunto com a Telemig por R$ 1,2 bilhão.
O fato novo é que os vendedores de ambas as teles – Citigroup, Opportunity e fundos de pensão – decidiram pressionar a Vivo para que finalize a negociação de uma vez por todas – e de forma casada, conforme acordo original. “Não receberemos o pagamento pela Telemig enquanto não for concluída a venda da Amazônia”, disseram aos compradores os atuais controladores.
Nesse meio tempo, a Vivo havia vislumbrado uma forma de “terceirizar” a venda da Amazônia para a Claro, eximindo-se da transação trabalhosa e cara de efetuar a compra para em seguida devolver à Anatel a faixa de espectro de radiofreqüência utilizada pela empresa adquirida. A devolução é necessária porque a Vivo já possui uma licença de telefonia celular na Amazônia, e a Lei Geral de Telecomunicações proíbe sobreposição de licenças na mesma área de concessão.
No entanto, como a Claro não ofereceu valor satisfatório pelo ativo, embora lhe interesse efetivamente, a Vivo terá de fechar sozinha a aquisição.
E é nesse novo contexto que surgiu a atual urgência. Afinal, enquanto a dupla transação não for concluída, a Vivo não toma posse da Telemig. O calcanhar-de-aquiles da operadora é não estar presente num estado economicamente importante como Minas Gerais. A autorização da Anatel já foi dada em 23 de outubro, resta pagar e tomar posse. Os vendedores entendem a pressa da Vivo e por isso mesmo se negam a entregar o produto da compra enquanto a Amazônia não estiver devidamente empacotada junto.
Ao submeter a negociação da operadora amazonense à Anatel, a Vivo sabia da possibilidade de receber por parte do órgão regulador um prazo para adequar a situação conforme a legislação pertinente. Sabe-se que o prazo mais freqüente é seis meses e que a Vivo solicitou 18, tendo recebido, até agora, sinalização de um tempo intermediário, de 12 meses.
No período que for estabelecido, terá de transferir toda a clientela de 1,3 milhão de usuários para a outra faixa que detém na região Norte, e que foi adquirida da Tele Centro Oeste (TCO).
É esta complexa transferência que a Vivo estava tentando evitar. Os aparelhos telefônicos terão de ser trocados e o custo da operação não é baixo, segundo fontes.
Se a Claro adquirisse a Amazônia, a Vivo se livraria dessa tarefa e a Claro poderia completar o seu mapa de abrangência nacional. A Claro é a única companhia celular que até agora não tem presença na região Norte, composta de Roraima, Amazonas, Amapá, Pará e Maranhão. Lá estão presentes a TIM, Vivo e Oi.
A exigência dos vendedores de efetuar a negociação casada deve-se à sinergia que a Amazônia Celular tem com a Telemig, de uma única administração a partir de Belo Horizonte. “Isolada, a Amazônia perde muito de sua competitividade, e fica difícil de ser vendida com lucro”, disse fonte do mercado. Mas se o comprador tiver uma rede abrangente, como têm a TIM, Oi e a própria Claro, o negócio amazonense torna-se muito mais palatável.
No terceiro trimestre, o 1,3 milhão de clientes da Amazônia equivaliam à fatia de 21,1% da região. O resultado antes de juros, amortização e despesas financeiras (Ebitda) foi de R$ 26,3 milhões, com 23% de margem. Houve prejuízo de R$ 8,2 milhões e a dívida líquida totalizou R$ 173,9 milhões em setembro.