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China
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AMD aceita taxa de 15% para enviar chips de IA à China e aposta em manter presença no mercado

A AMD sinalizou que está disposta a absorver custos adicionais para preservar sua presença no maior mercado de tecnologia do mundo. Em um evento da revista Wired, em San Francisco, nos Estados Unidos, a CEO, Lisa Su, afirmou que a companhia possui autorizações para comercializar versões específicas de seus aceleradores de IA na China e […]

Publicado: 05/03/2026 às 21:31
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3 minutos
Logótipo da AMD em branco sobre fundo preto, com o nome da empresa em destaque e o símbolo gráfico angular ao lado.
Construção civil — Foto: Reprodução

A AMD sinalizou que está disposta a absorver custos adicionais para preservar sua presença no maior mercado de tecnologia do mundo. Em um evento da revista Wired, em San Francisco, nos Estados Unidos, a CEO, Lisa Su, afirmou que a companhia possui autorizações para comercializar versões específicas de seus aceleradores de IA na China e está pronta para pagar a taxa de 15% anunciada pelo governo dos Estados Unidos sobre esses embarques. As declarações foram divulgadas pela Reuters.

A taxa surgiu após a administração do presidente Donald Trump anunciar, em agosto, um acordo com AMD e Nvidia que permitiria a retomada parcial das exportações de chips para a China, desde que as empresas arcassem com o novo encargo.

A medida foi imediatamente contestada por alguns especialistas em direito constitucional, que argumentam que a cobrança pode se chocar com a proibição de impostos sobre exportações prevista na Constituição dos EUA. Apesar disso, Lisa Su indicou que a AMD está preparada para cumprir os requisitos enquanto mantiver acesso a um mercado estratégico.

Leia também: Para Werner Vogels, o futuro da IA pertence aos “desenvolvedores renascentistas”

O envio para a China, no entanto, só é permitido para versões que atendam às restrições de exportação atualizadas. Nesse contexto, a AMD desenvolveu o MI308, uma versão reduzida de seu topo de linha MI300X, criada especificamente para se enquadrar nos limites impostos por Washington. O MI308, assim como o H20 da Nvidia, havia sido incluído em abril no rol de produtos sob controle mais rígido devido ao potencial de uso em aplicações avançadas de IA.

A disputa, entretanto, não se limita aos EUA. O Ministério das Relações Exteriores da China respondeu ao movimento norte-americano pedindo que Washington adote medidas que contribuam para a estabilidade das cadeias globais de suprimentos. Em paralelo, Pequim reforçou uma diretriz estratégica: centros de dados financiados pelo Estado deverão, daqui em diante, utilizar somente chips nacionais de IA. A determinação amplia a pressão sobre fornecedores estrangeiros, numa tentativa de acelerar a autonomia tecnológica chinesa.

Esse cenário coloca empresas como AMD, Nvidia e Intel diante de uma equação complicada. A China é um dos maiores destinos de chips de alto desempenho, mas a combinação entre restrições dos EUA e políticas domésticas chinesas reduz progressivamente o espaço de atuação. Ainda assim, a AMD avalia que manter alguma presença no país é vital, mesmo que o volume de vendas seja limitado a produtos específicos como o MI308.

O gesto de aceitar a taxa de exportação também expõe uma mudança estratégica das fabricantes de semicondutores. Com a demanda global por aceleradores de IA em alta, principalmente para treinar modelos generativos, os Estados Unidos buscam controlar a difusão de tecnologias consideradas sensíveis. As empresas, por sua vez, tentam equilibrar conformidade regulatória e pressão dos investidores por crescimento.

Para Lisa Su, o MI308 surge como uma alternativa viável para sustentar operações na China sem violar as regras impostas por Washington. Ainda assim, a adoção obrigatória de chips domésticos em projetos chineses financiados pelo Estado deve restringir o alcance comercial dessas versões adaptadas, acelerando a substituição de fornecedores norte-americanos por fabricantes locais.

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