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Ao acaso, Tempest nasce no C.E.S.A.R.

Ao ajudar a propor solução a uma demanda de mercado, Evandro Curvelo Hora passou de acadêmico a empresário

Publicado: 08/05/2026 às 22:55
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3 minutos
Ao acaso, Tempest nasce no C.E.S.A.R.
Construção civil — Foto: Reprodução

Evandro Curvelo

Hora dava aulas no departamento de informática Universidade Federal do Sergipe

quando pediu licença do trabalho e partiu ao Recife para cursar um mestrado na

UFPE. “Cheguei aqui em 1998 e o C.E.S.A.R. estava recém-criado”, recorda,

dizendo que o espaço se resumia a uma sala de 10 metros quadrados. Mesmo assim,

a instituição já recebia demandas de empresas locais em busca de soluções e

montava times com profissionais para resolver os problemas.

Por volta de 1999,

a rede de varejo Bompreço – hoje pertencente ao grupo Wal Mart – chegou à

instituição em busca de uma solução de segurança. A entidade, então, formou um

grupo multidisciplinar na busca por uma solução. Hora integrou o grupo, estudou

o problema e apresentou uma tecnologia aderente à demanda. O cliente gostou do

resultado obtido e o C.E.S.A.R. enxergou na ideia do mestrando uma oportunidade

de negócios.

“Como estava no

mestrado, não podia fazer aquilo sozinho”, cita o profissional. Nessa época, a

instituição propôs incubar a solução desenvolvida e indicou dois sócios para

que Hora pudesse tocar o negócio. “Cai no colo deles por acaso”, diz o hoje

diretor de projetos da Tempest Security Intelligence. Como tinha compromissos

com a pós-graduação, o executivo envolvia-se indiretamente no amadurecimento da

startup que oferece um portfólio de software e serviços de segurança da

informação para bancos, indústrias, empresas de transações pela internet.

Nenhum dos três

sócios tinha histórico de empreendedorismo até então. “Além disso, não tínhamos

dinheiro para montar uma empresa”, revela o executivo. A incubadora abria

portas e ajudava a cavar oportunidades para o time de profissionais. “Os

primeiros clientes trabalhavam com a instituição em outros projetos”,

reconhece. No primeiro ano, a Tempest fechou com um faturamento na casa dos R$

300 mil e uma dezena de contratos. No período seguinte, as receitas subiram

para R$ 450 mil e, em seguida, saltaram para R$ 650 mil. Com a empresa

crescendo, o executivo não conseguia mais conciliar a vida empresarial e

acadêmica. Ficou com a segunda opção.

No terceiro ano de

incubação e prestes a graduar-se, a startup submeteu um projeto de inovação

tecnológica à Finep. “Fomos selecionados e, além de receber o dinheiro,

passamos por treinamento de negócios durante um ano”, recorda Hora, dizendo que

isso fortaleceu as já sólidas estruturas da empresa que contava com 7

funcionários (além dos três sócios). No fim do treinamento, a nascente foi

apresentada pela financiadora a um grupo de investidores de risco e captou R$

1,8 milhões, por 50% do negócio. Segundo o diretor, os recursos possibilitaram

a compra de equipamentos, contratação de equipe e abertura de uma filial em São

Paulo.

Na época

pós-aporte as receitas evoluíram consideravelmente. Em 2007, a Tempest comprou

de volta a cota que pertencia aos venture capitalists. A companhia verificou

faturamento de R$ 6 milhões, em 2008, e hoje conta com 52 profissionais

divididos em Recife e na capital paulista. A companhia projetava crescer 25%

sobre esse resultado este ano, mas a crise freou um pouco os negócios.

“Esperamos terminar o ano com 70% do desempenho do ano passado”, reconhece o

executivo que enxerga um reaquecimento na demanda por seus produtos a partir do

segundo trimestre de 2010.

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