Ao ajudar a propor solução a uma demanda de mercado, Evandro Curvelo Hora passou de acadêmico a empresário
Evandro Curvelo
Hora dava aulas no departamento de informática Universidade Federal do Sergipe
quando pediu licença do trabalho e partiu ao Recife para cursar um mestrado na
UFPE. “Cheguei aqui em 1998 e o C.E.S.A.R. estava recém-criado”, recorda,
dizendo que o espaço se resumia a uma sala de 10 metros quadrados. Mesmo assim,
a instituição já recebia demandas de empresas locais em busca de soluções e
montava times com profissionais para resolver os problemas.
Por volta de 1999,
a rede de varejo Bompreço – hoje pertencente ao grupo Wal Mart – chegou à
instituição em busca de uma solução de segurança. A entidade, então, formou um
grupo multidisciplinar na busca por uma solução. Hora integrou o grupo, estudou
o problema e apresentou uma tecnologia aderente à demanda. O cliente gostou do
resultado obtido e o C.E.S.A.R. enxergou na ideia do mestrando uma oportunidade
de negócios.
“Como estava no
mestrado, não podia fazer aquilo sozinho”, cita o profissional. Nessa época, a
instituição propôs incubar a solução desenvolvida e indicou dois sócios para
que Hora pudesse tocar o negócio. “Cai no colo deles por acaso”, diz o hoje
diretor de projetos da Tempest Security Intelligence. Como tinha compromissos
com a pós-graduação, o executivo envolvia-se indiretamente no amadurecimento da
startup que oferece um portfólio de software e serviços de segurança da
informação para bancos, indústrias, empresas de transações pela internet.
Nenhum dos três
sócios tinha histórico de empreendedorismo até então. “Além disso, não tínhamos
dinheiro para montar uma empresa”, revela o executivo. A incubadora abria
portas e ajudava a cavar oportunidades para o time de profissionais. “Os
primeiros clientes trabalhavam com a instituição em outros projetos”,
reconhece. No primeiro ano, a Tempest fechou com um faturamento na casa dos R$
300 mil e uma dezena de contratos. No período seguinte, as receitas subiram
para R$ 450 mil e, em seguida, saltaram para R$ 650 mil. Com a empresa
crescendo, o executivo não conseguia mais conciliar a vida empresarial e
acadêmica. Ficou com a segunda opção.
No terceiro ano de
incubação e prestes a graduar-se, a startup submeteu um projeto de inovação
tecnológica à Finep. “Fomos selecionados e, além de receber o dinheiro,
passamos por treinamento de negócios durante um ano”, recorda Hora, dizendo que
isso fortaleceu as já sólidas estruturas da empresa que contava com 7
funcionários (além dos três sócios). No fim do treinamento, a nascente foi
apresentada pela financiadora a um grupo de investidores de risco e captou R$
1,8 milhões, por 50% do negócio. Segundo o diretor, os recursos possibilitaram
a compra de equipamentos, contratação de equipe e abertura de uma filial em São
Paulo.
Na época
pós-aporte as receitas evoluíram consideravelmente. Em 2007, a Tempest comprou
de volta a cota que pertencia aos venture capitalists. A companhia verificou
faturamento de R$ 6 milhões, em 2008, e hoje conta com 52 profissionais
divididos em Recife e na capital paulista. A companhia projetava crescer 25%
sobre esse resultado este ano, mas a crise freou um pouco os negócios.
“Esperamos terminar o ano com 70% do desempenho do ano passado”, reconhece o
executivo que enxerga um reaquecimento na demanda por seus produtos a partir do
segundo trimestre de 2010.