O continente vai receber exatamente os investimentos previamente anunciados para os próximos anos, a despeito da escassez de crédito
A América Latina continua sendo o foco dos investimentos
da Telefónica, a despeito da crise financeira que assola os mercados
mundiais, e o continente vai receber exatamente os investimentos
previamente anunciados para os próximos anos, a despeito da escassez de
crédito que poderá resultar da crise internacional. Esta foi a tônica
da apresentação do segundo principal executivo do grupo espanhol, Julio
Linares, e do diretor geral da Telefónica Latinoamérica, José Maria
Palette Lopez, a um grupo de jornalistas, ontem, em Madri. A região
atingiu crescimento de 5% nos últimos cinco anos, e nos próximos anos
deverá seguir crescendo 4%, prevê o grupo.
A redução da velocidade de expansão não deverá, porém, atrapalhar
em nada os investimentos. Linares foi taxativo: “Não dependemos de
captação de recursos no mercado financeiro. Temos a disponibilidade de
dinheiro de que precisamos para manter os planos de investir no Brasil
e na América Latina”, disse referindo-se a um total de € 14 bilhões a €
16 bilhões em quatro anos, de 2007 a 2010. Do total, a parcela que cabe
ao Brasil totaliza R$ 15 bilhões, conforme anunciada no ano passado ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Esse valor, segundo detalhou Palette Lopez, não inclui aquisições
de empresas ou de faixas de freqüência, somente investimentos no
aumento da infra-estrutura de banda larga, TV e telefonia fixa e móvel.
Isto não quer dizer, porém, que o grupo não pretenda fazer aquisições,
apenas que esses gastos não estariam computadas nos investimentos
citados, esclareceu.
Em se falando de aquisições, o responsável pela América Latina
afirmou que a Telefónica continua interessada em comprar a participação
da Portugal Telecom na Vivo, embora seja conhecido que os portugueses
não querem vendê-la. “A Vivo vem se recuperando de perdas de fatia de
mercado no passado e está reunindo várias conquistas recentes, como a
compra da Telemig, a compra de espectro para terceira geração e a troca
da tecnologia CDMA pelo GSM. Não faz parte dos nossos objetivos nos
desfazer da Vivo em nenhuma hipótese”, afirmou o executivo respondendo
a pergunta se haveria interesse numa hipotética troca de parcela na
Vivo pela TIM. “Temos zero de direito político na TIM e os italianos
tampouco quereriam vender a operadora”, afirmou. Referindo-se à
participação da Telefónica na controladora da Telecom Italia, que por
sua vez possui 100% do controle da TIM.
O crescimento constatado na operação latino-americana nos últimos
meses ficou configurado, durante a apresentação feita em Madri, como a
grande esperança de futuro do grupo de telecomunica-ções. Pela primeira
vez, as receitas oriundas dos países latino-americanos superaram as da
Espanha. De janeiro a junho deste ano, do total faturado de € 28,1
bilhões pelo grupo nos 25 países em que atua, € 10, 331 bilhões vieram
da Espanha, embutindo crescimento de 2,1% sobre o mesmo período do ano
passado. Enquanto isso, a parcela da América Latina alcançou € 10,531
bilhões, e trouxe expansão de 12,2% sobre o primeiro semestre de 2007.
Hoje, a América Latina representa 37% do faturamento do grupo e lidera
o seu crescimento. Daí porque não há nenhum risco de o investimento ser
reduzido, mesmo em função de uma crise financeira internacional,
segundo Linares.
No primeiro semestre, os investimentos na região somaram € 1,499 bilhão, ou 43% do total do grupo para o período.
Consolidação
O principal executivo do grupo espanhol para a América Latina, Jose
Maria Palette López, enxerga com bons olhos a possibilidade de mudança
nas regras do setor de telecomunicações brasileiro, a despeito de essa
mudança estar sendo motivada pela intenção da Oi adqurir a Brasil
Telecom. “O cenário mundial é convergente mesmo, com ofertas combinadas
(de telefonia fixa, móvel, banda larga e TV). Por isso, no nível
conceitual, a concentração não é ruim e também ocorre no resto do
mundo. As mudanças vão levar a serviços conver-gentes e a melhorar a
competitividade para todos”, afirmou. Ele disse ainda que a Telefónica
também pretende adqurir condições de oferecer um pacote convergente que
inclui telefonia fixa, móvel, banda larga e TV. “Hoje temos apenas um
acordo com a TVA”, disse. A operadora depende do encaminhamento do
Projeto de Lei 29, que altera a chamada Lei do Cabo, para poder
controlar integralmente uma emissora de TV a cabo. “A Net é um
competidor fortíssimo porque pode oferecer os serviços combinados”,
comparou.
A entrevista foi concedida na sede que a Telefónica inaugura oficialmente no Distrito C, um complexo imobiliário de 367 mil metros
quadrados construídos a meia hora do centro de Madri, onde vai reunir
11 mil empregados antes estavam espalhados em vários edifícios na
capital espanhola.
*Thaís Costa viajou a convite da Telefónica