A Apple começou a dar sinais mais claros da sua estratégia em inteligência artificial (IA), após meses sob pressão de investidores e analistas para responder ao avanço acelerado de concorrentes como Google, Microsoft e Meta. Em teleconferência de resultados do terceiro trimestre fiscal, o CEO da Apple, Tim Cook, afirmou que a empresa está “muito […]
A Apple começou a dar sinais mais claros da sua estratégia em inteligência artificial (IA), após meses sob pressão de investidores e analistas para responder ao avanço acelerado de concorrentes como Google, Microsoft e Meta. Em teleconferência de resultados do terceiro trimestre fiscal, o CEO da Apple, Tim Cook, afirmou que a empresa está “muito aberta” a aquisições que ajudem a acelerar seu roadmap em IA.
Segundo Cook, já foram compradas cerca de sete empresas apenas neste ano, ainda que nem todas focadas exclusivamente em IA, e que a Apple não está presa ao tamanho das companhias na hora de decidir por uma aquisição. A declaração reforça que, apesar do perfil historicamente conservador da Apple nesse campo, a gigante da tecnologia pode passar a atuar de forma mais agressiva no mercado de fusões e aquisições. “Estamos significativamente ampliando nosso investimento em IA”, disse Cook durante a call, conforme reportado pela CNBC.
Enquanto rivais investem cifras bilionárias em infraestrutura para IA, a Apple vinha sendo percebida como mais lenta nessa transição. No segundo trimestre fiscal, a empresa gastou US$ 3,46 bilhões em despesas de capital, o maior valor desde o fim de 2022, mas ainda longe dos US$ 85 bilhões projetados pelo Google para 2025 ou dos até US$ 72 bilhões estimados pela Meta.
A companhia, porém, segue um modelo híbrido, segundo explicou o CFO da Apple, Kevan Parekh, o que significa que parte da infraestrutura de IA é acessada por meio de parcerias e registrada como despesa operacional. Uma das apostas é o Private Cloud Compute, sistema próprio baseado em chips da Apple, que reforça a proposta de uma IA mais privada e integrada.
Cook também revelou que a Apple está remanejando equipes internas para priorizar o desenvolvimento de recursos de IA em seus produtos. Sem detalhar quais serão os próximos lançamentos, ele enfatizou que a visão da Apple para IA se diferencia pela promessa de integração profunda, foco em privacidade e experiências personalizadas.
Embora a Apple não tenha anunciado um modelo de linguagem próprio nos moldes de GPT ou Claude, a empresa aposta em diferenciais como o controle total do ecossistema e o design centrado no usuário.
De acordo com a CNBC, apesar das especulações sobre dispositivos disruptivos com IA que poderiam “matar” o smartphone, como o projeto liderado por Jony Ive e Sam Altman, da OpenAI, Cook minimizou o impacto dessas inovações sobre a linha iPhone. “É difícil imaginar um mundo sem o iPhone”, disse, ressaltando que eventuais novos dispositivos provavelmente serão complementares, e não substitutos.
Analistas de mercado, revelam que a cautela da Apple, no entanto, não significa ausência de ação. A empresa vem se movimentando nos bastidores, em uma combinação de investimentos crescentes, aquisições estratégicas e reorganização de talentos. Ainda que opte por não revelar detalhes específicos, como se pretende desenvolver grandes modelos de linguagem internamente ou licenciar de terceiros, Cook deixou claro que IA é parte central do futuro da companhia.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!