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Aspectos-chave para a evolução das telecomunicações

Brasil se destaca na América Latina na implantação de novas tecnologias, mas precisa superar desafios para manter expansão do setor

Publicado: 28/04/2026 às 23:33
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4 minutos
Aspectos-chave para a evolução das telecomunicações
Construção civil — Foto: Reprodução

Desde a privatização do Sistema Telebrás, a indústria

de telecomunicações do Brasil cresceu rapidamente. Dado que há dez anos as

inovações tecnológicas levavam mais tempo para chegar ao mercado e as demandas

fechadas caracterizavam todos os serviços de telecomunicação, hoje o Brasil se

destaca entre os países da América Latina, e novas tecnologias como UMTS/HSPA,

WiMAX, FTTH e NGN têm sido distribuídas com mais rapidez do que em países

vizinhos.

Mesmo assim, o País ainda precisa superar desafios a

fim de continuar expandindo seus serviços atuais e alcançar as cerca de 1,8 mil

cidades não atendidas por serviços básicos como telefonia. A Signals Telecom

Consulting  identificou os seguintes

aspectos-chave que irão contribuir para a evolução da indústria de

telecomunicações do Brasil:

Mudanças regulatórias: os avanços tecnológicos junto

com as dinâmicas de mercado deixaram muitos artigos da Lei Geral das

Telecomunicações (LGT) desatualizados, o que coloca o Brasil em uma longa lista

de países que precisam rever seu marco regulatório. Mas, ao contrário de

mercados como Argentina, Honduras, Jamaica ou México, há um interesse explícito

do governo em seguir com as discussões sobre o Plano Geral de Atualização da Regulamentação (PGR)

e o PGO (Plano Geral de

Outorgas), o que pode levar a mudanças. Esse novo sistema regulatório serviria

como um catalisador para outras consolidações do mercado local, com a BrOi  (Brasil Telecom + Oi) sendo apenas uma das

potenciais fusões e aquisições que poderiam ocorrer. Uma outra atividade

incluiria o crescimento da participação da Embratel na Net Serviços. Além

disso, poderia haver um aumento no interesse de empresas como a Telefônica em

adquirir ativos como a GVT ou até a Intelig. Uma das mudanças mais importantes que

precisaria ocorrer, e que facilitaria a expansão dos serviços de

telecomunicações em áreas que não oferecem um retorno do investimento rápido

para as operadoras, seria finalmente usar os mais de R$ 5 bilhões do Fundo de

Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST);

Telefonia móvel: o lançamento dos serviços de banda

UMTS/HSPA e as obrigações de cobertura

impostas em dezembro de 2007 no leilão das freqüências da 3G, irão impulsionar

a estratégia das operadoras de telefonia móvel para mudarem de serviços VAS,

baseados em voz e SMS, para VAS multimídia. O processo será impulsionado por

dois fatores principais: a saturação do mercado com a penetração passando dos

100% em cidades como Brasília e Salvador, e a necessidade de um retorno

financeiro dentro do cronograma original das operadoras. Além disso, as

operadoras promoverão, cada vez mais, a adoção da convergência fixo/móvel pelos

consumidores;

Banda Larga: o crescimento lento, e muitas vezes

negativo, dos serviços de telefonia fixa tem forçado as operadoras a concentrar

a atenção em serviços de banda larga. Mas o paradigma mudou e, agora, o acesso

à internet é apenas uma das várias aplicações que podem ser oferecidas pelas

novas conexões de mais de 20 Mbps de empresas como a Telefônica – com sua

oferta baseada em fibra ótica (FTTH), no bairro dos Jardins, em São Paulo -, ou a GVT –

com o ADSL2, no Paraná. Essas conexões, além de oferecer mais qualidade em telefonia VoIP – o

Brasil, diferente de vários países latino americanos, a considera VAS – também

permitem outros serviços, como

vídeos por IPTV, assim que as leis do setor também permitirem.

Outras tendências: serviços de TV paga; fornecimento

de conteúdo local; desenvolvimento de aplicações personalizadas; a reinvenção

da indústria de satéllite; o avanço na consolidação do mercado de TV a cabo; o

lançamento dos serviços 3G da Nextel, se ela finalmente conseguir as freqüências;

o relacionamento TIM -Vivo; o impacto do WiMAX no mercado consumidor e a lenta

absorção dos serviços de TV digital são apenas algumas questões que irão

caracterizar o mercado brasileiro de telecomunicações nos próximos anos.

* Jose F. Otero é presidente da Signals Telecom

Consulting. Ele escreveu o artigo com exclusividade a pedido do IT Web.

Leia especial:

Dez anos da privatização do Sistema Telebrás

 

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