Brasil se destaca na América Latina na implantação de novas tecnologias, mas precisa superar desafios para manter expansão do setor
Desde a privatização do Sistema Telebrás, a indústria
de telecomunicações do Brasil cresceu rapidamente. Dado que há dez anos as
inovações tecnológicas levavam mais tempo para chegar ao mercado e as demandas
fechadas caracterizavam todos os serviços de telecomunicação, hoje o Brasil se
destaca entre os países da América Latina, e novas tecnologias como UMTS/HSPA,
WiMAX, FTTH e NGN têm sido distribuídas com mais rapidez do que em países
vizinhos.
Mesmo assim, o País ainda precisa superar desafios a
fim de continuar expandindo seus serviços atuais e alcançar as cerca de 1,8 mil
cidades não atendidas por serviços básicos como telefonia. A Signals Telecom
Consulting identificou os seguintes
aspectos-chave que irão contribuir para a evolução da indústria de
telecomunicações do Brasil:
– Mudanças regulatórias: os avanços tecnológicos junto
com as dinâmicas de mercado deixaram muitos artigos da Lei Geral das
Telecomunicações (LGT) desatualizados, o que coloca o Brasil em uma longa lista
de países que precisam rever seu marco regulatório. Mas, ao contrário de
mercados como Argentina, Honduras, Jamaica ou México, há um interesse explícito
do governo em seguir com as discussões sobre o Plano Geral de Atualização da Regulamentação (PGR)
e o PGO (Plano Geral de
Outorgas), o que pode levar a mudanças. Esse novo sistema regulatório serviria
como um catalisador para outras consolidações do mercado local, com a BrOi (Brasil Telecom + Oi) sendo apenas uma das
potenciais fusões e aquisições que poderiam ocorrer. Uma outra atividade
incluiria o crescimento da participação da Embratel na Net Serviços. Além
disso, poderia haver um aumento no interesse de empresas como a Telefônica em
adquirir ativos como a GVT ou até a Intelig. Uma das mudanças mais importantes que
precisaria ocorrer, e que facilitaria a expansão dos serviços de
telecomunicações em áreas que não oferecem um retorno do investimento rápido
para as operadoras, seria finalmente usar os mais de R$ 5 bilhões do Fundo de
Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST);
– Telefonia móvel: o lançamento dos serviços de banda
UMTS/HSPA e as obrigações de cobertura
impostas em dezembro de 2007 no leilão das freqüências da 3G, irão impulsionar
a estratégia das operadoras de telefonia móvel para mudarem de serviços VAS,
baseados em voz e SMS, para VAS multimídia. O processo será impulsionado por
dois fatores principais: a saturação do mercado com a penetração passando dos
100% em cidades como Brasília e Salvador, e a necessidade de um retorno
financeiro dentro do cronograma original das operadoras. Além disso, as
operadoras promoverão, cada vez mais, a adoção da convergência fixo/móvel pelos
consumidores;
– Banda Larga: o crescimento lento, e muitas vezes
negativo, dos serviços de telefonia fixa tem forçado as operadoras a concentrar
a atenção em serviços de banda larga. Mas o paradigma mudou e, agora, o acesso
à internet é apenas uma das várias aplicações que podem ser oferecidas pelas
novas conexões de mais de 20 Mbps de empresas como a Telefônica – com sua
oferta baseada em fibra ótica (FTTH), no bairro dos Jardins, em São Paulo -, ou a GVT –
com o ADSL2, no Paraná. Essas conexões, além de oferecer mais qualidade em telefonia VoIP – o
Brasil, diferente de vários países latino americanos, a considera VAS – também
permitem outros serviços, como
vídeos por IPTV, assim que as leis do setor também permitirem.
– Outras tendências: serviços de TV paga; fornecimento
de conteúdo local; desenvolvimento de aplicações personalizadas; a reinvenção
da indústria de satéllite; o avanço na consolidação do mercado de TV a cabo; o
lançamento dos serviços 3G da Nextel, se ela finalmente conseguir as freqüências;
o relacionamento TIM -Vivo; o impacto do WiMAX no mercado consumidor e a lenta
absorção dos serviços de TV digital são apenas algumas questões que irão
caracterizar o mercado brasileiro de telecomunicações nos próximos anos.
* Jose F. Otero é presidente da Signals Telecom
Consulting. Ele escreveu o artigo com exclusividade a pedido do IT Web.
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Dez anos da privatização do Sistema Telebrás