Já faz quase dois anos que ouço falar de ATOM. No IDF 2007 se falava que estava para chegar este processador (ou seria uma plataforma?), sem seu nome definitivo divulgado. No IDF 2008 vi inúmeros MIDs (Mobile Internet Devices) expostos, todos usando ATOM. E nem preciso falar da “explosão” dos Netbooks que aconteceu a partir […]
Já faz quase dois anos que ouço falar de ATOM. No IDF 2007 se falava que estava para chegar este processador (ou seria uma plataforma?), sem seu nome definitivo divulgado. No IDF 2008 vi inúmeros MIDs (Mobile Internet Devices) expostos, todos usando ATOM. E nem preciso falar da “explosão” dos Netbooks que aconteceu a partir desta ocasião. Fui apresentado ao ATOM, realmente pus minhas mãos sobre uma dessas placas por meio do meu amigo Fernando Ramos que encabeçava os artigos da ótima revista PC&Cia.; Estávamos na CENTRAL COMPUTER, uma loja de informática em San Francisco ao lado do Centro de Convenções (visita obrigatória para quem vai ao IDF). Ele comprou por US$ 79 uma daquelas misteriosas placas que continham um processador já integrado, chipset, vídeo, etc. Achei estranho aquilo. Ele dissera que com aquela diminuta placa ele iria montar um pequeno servidor usando Linux para compartilhar arquivos, ou algo parecido. Fiquei encucado com aquilo. Uma plaquinha daquelas iria ter algum futuro??

Depois disso vários dispositivoscom ATOM passaram por minhas mãos. Testei o protótipo do ION da Nvidia , usei alguns netbooks emprestados em eventos de imprensa. Testei um “all-in-one” e bem recentemente testei a placa com o ATOM N330 Dual core .

Um texto que li que me chamou muito a atenção foi O efeito perverso da plataforma Atom , no qual em meados de 2008 Paulo Couto apresenta uma visão crítica em relação a esta alternativa, posicionando-a como problemática para a “saúde” do distribuidores e revendas de informática por seu valor unitário baixo. Recomendo a leitura por ser um ponto de vista muito interessante, mas que com as novidades (que serão apresentadas neste texto) podem ter um desfecho diferente. Interessante confrontar as opiniões ao longo do tempo.
No comecinho de dezembro estive no evento INTEL CONNECTING em São Paulo no qual a empresa apresentou suas tecnologias voltadas para a inovação. Parceiros de negócios, desenvolvedores e usuários corporativos puderam ver entre outras coisas um conjunto formidável de aplicações para este “despretensioso” processador.
Faltava-me conhecimento sobre o assunto e pude fazer uma imersão nas diversas aplicações do ATOM além de netbook e “all-in-one” que já existem no mercado. Para começar não existe apenas um tipo de ATOM. Estes mais “populares”, usados nos netbooks, nas placas que já testei, na primordial placa do Fernando Ramos, são de um tipo específico. Mas existe (e isso me passara despercebido) a variante Z500 do ATOM que nasceu visando aplicações de mobilidade. Verdade seja dita, a Intel pretendia usar esta versão de consumo ainda menor do ATOM em dispositivos de ultra mobilidade (eventualmente em telefones celulares?), mas para esta aplicação seu consumo ainda não era baixo o bastante. E olha que consome bem pouco. Enquanto um ATOM “comum” consome entre 2.5 W (N270 1.66 Ghz, 512 Kb cache) e 8W (N330 1.6 Ghz Dual Core, 1 Mb cache), as versões da série Z500 consomem entre 2 W (Z510 1.33 Ghz, 512 Kb cache) até 0.65 W (Z500 800 Mhz, 512 Kb cache). O “consumo” citado é na verdade a TDP-dissipação térmica máxima pelo projeto-muitas vezes acima do consumo máximo.
O fato é que esta série de processadores ATOM, um pouco mais lentos, mas com consumos muito baixos permitiu a criação de uma geração completa de novos dispositivos. Alguns não são exatamente “novos”, mas que por usarem a arquitetura x86 (presente nos processadores da Intel desde a década de 80), facilitam muito a vida dos desenvolvedores uma vez que MILHÕES de pessoas têm expertise nesta plataforma. Se a plataforma x86 do ATOM é a melhor em termos absolutos para os reduzidos dispositivos criados é outro assunto. Pode ser que sim ou pode ser que não. Mas poder contar com milhões, dezenas de milhões de desenvolvedores para esta plataforma aberta e bem conhecida, tem um valor muito grande.
Fui surpreendido com dispositivos inovadores no evento INTEL CONNECTING, os quais apresentarei brevemente.
Intel Reader : é um pequeno dispositivo do tamanho de um livro, feito para as pessoas que têm algum tipo de deficiência visual que dificulta a leitura. Ele converte um texto impresso em texto digital e depois o lê em voz alta para o usuário. Há um elemento visual que captura a imagem (como uma câmera fotográfica) e um software interno que faz o reconhecimento óptico de caracteres (OCR) para depois ler para o usuário.


: com a explosão da TV digital no mundo (crescendo vagarosamente no Brasil – mas crescendo), o ATOM é mais uma alternativa para projetar o dispositivo para sintonizar a TV digital. Na exposição do evento havia um da marca GIGABYTE (tradicional fabricante de placas mãe).
Projetor Multimídia : É um dispositivo conjugado composto por um PC e um projetor multimídia para salas de aula ou apresentações. De um lado ficam teclado, caixas de som integradas, interfaces USB e mouse. Do outro lado o elemento óptico de projeção.



Classmate PC : Ao contrário do que muita gente pensa, não é um notebook “adaptado” para uso escolar. É um projeto totalmente direcionado ao uso pedagógico. O hardware e o software são especialmente desenhados para este nobre objetivo.

: Usar PCs para gerenciar sistemas de câmeras de segurança, não é novidade. Usar um diminuto PC baseado em ATOM para isso é uma boa idéia por ser mais racional. Pode perceber objetos ou pessoas em movimento e tomar ações em função disso.

protótipo do FIAT LINEA com o sistema instalado. Em um único painel pode-se comandar quase tudo no automóvel e obter muitas informações.

A INTEL não é econômica em suas previsões : estima que em 2015 haverá 15 BILHÕES de dispositivos conectados à Internet. Quando ouvi esta previsão há algum tempo julguei um tanto quanto exagerada. Mas pensando na miríade de dispositivos com capacidade de conexão que estão surgindo baseados no ATOM, além dos próprios telefones celulares, esta profecia começa a fazer sentido. Alguém falou que “a melhor maneira de acertar as previsões de futuro é construí-lo por si mesmo” . Assim largos passos estão sendo dados nesta direção. A INTEL já anunciou que uma nova geração de ATOM está por vir. Estes terão consumos de energia ainda mais reduzidos (perto de 0.1 W) e também se especula a integração do chipset gráfico dentro do próprio processador que tornaria ainda mais interessante a tecnologia. Destaco que não tive nenhum destes produtos citados em minhas mãos para testes e estou expressando minha opinião frente às ótimas perspectivas percebidas neste misto de aplicações reais (produtos no mercado) e protótipos.
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