Telefônica afirma que precisou rever estratégia e afirma não ser a única a ter problemas
Desde julho de 2008, quando São Paulo parou por conta da pane no serviço de internet banda larga Speedy, o mercado vem acompanhando de perto os movimentos da Telefônica. A companhia diz que, desde então, permaneceu investindo na atualização e melhorias da rede, mas, neste ano, duas panes causaram transtornos aos clientes do produto, uma em abril e outra em maio. O motivo: atualização da versão de um hardware do centro que oferece os serviços.
A explicação foi dada pelo diretor-executivo de redes da Telefônica, Fábio Micheli, durante coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (17/07), quando a empresa apresentou a conclusão do plano de estabilidade da rede. “Houve planejamento em 100% do tempo”, comentou. “Estávamos buscando o melhor recurso tecnológico do momento e a aplicação prática trouxe uma série de reações na rede. Temos dois centros de serviço e estávamos com trabalho para que (eles) dessem vazão a todo tráfego, percebemos a reação através das panes.”
Micheli ressaltou, entretanto, que o hardware em questão – ele não detalhou o tipo de equipamento e nem mencionou o nome da fabricante – passou por testes bem-sucedidos em laboratórios e que não eram esperadas estas reações.
Por conta dessas falhas, a companhia se viu obrigada a dar um passo atrás. “Apostamos em estrutura de alguns fabricantes e reconstruímos nossos passos. Decidimos reforçar o que temos. Em nenhum momento deixamos de trabalhar na ampliação da rede”, contou Micheli.
A pane de abril, causada por ações de agentes externos, como a própria Telefônica declarou na ocasião, também foi responsabilidade da companhia, conforme explicou o executivo. “O trabalho de atualização abriu brecha para ação externa. Mas revisamos toda a política de segurança”, acrescentou Micheli.
Investimento constante?
Prestes a completar 11 anos de Brasil e com mais de 2,6 milhões de clientes Speedy – apenas contabilizando usuários residenciais e de pequenas e médias empresas – a Telefônica afirma que possui plano de investimento constante que, apenas em 2009, prevê R$ 750 milhões para banda larga. Os R$ 70 milhões alocados nesse plano de estabilização e ampliação da rede para atender às determinações da Anatel, foram apenas “antecipados” e já estavam previstos, como constatou Antonio Carlos Valente, presidente da companhia no Brasil.
Os executivos da operadora não concordam que houve qualquer demora em ações para prevenir da as panes e citam, como uma das justificativas, que o tráfego nas redes aumentou mais de 100%. “Desde julho de 2008 (quando ocorreu a primeira pane por conta de um problema em roteadores), temos reforçado a ampliação da estrutura. É uma combinação de contingência, capacidade e procedimento”, pontuou Micheli.
“Não existe rede que não tenha falha. Nos sentimos responsáveis por tudo que aconteceu e não culpamos fornecedores. Tivemos falhas, mas não somos os únicos”, apontou Valente.
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