Governo também pretende desenvolver linha de financeiro via BNDES
A última versão do Plano Nacional de Banda Larga que será submetida, ainda nesta semana, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai prever isenção de tributação para as empresas dispostas a fornecer internet rápida a preços populares. O governo pretende fornecer internet “no atacado” a preços inferiores aos praticados atualmente e já trabalha em uma linha de financiamento, para empresas que se tornarem parceiras, superior a R$ 5 bilhões, além de um conjunto de normas para garantir a qualidade e o preço baixo para o consumidor.
A política tributária da proposta vai prever isenção de impostos para serviços destinados a populações de baixa renda, por exemplo. A linha de financiamento está em elaboração pelo Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Caso o presidente bata o martelo, o plano poderá ser lançado nos próximos dias. A intenção é que, dentro de um ano, seja possível vender internet no atacado por menos da metade da média de preço cobrado atualmente. Com isso, o governo pretende tornar a banda larga acessível ao preço médio de R$ 35 para cerca de 90% da população brasileira.
“A média de preço praticada, hoje, no mercado é de cerca de R$ 1,4 mil. Queremos vender por menos da metade. Nós só venderemos para quem se comprometer a ter qualidade e preço final”, destacou o coordenador de programas de Inclusão Digital do governo federal, Cezar Alvarez, em entrevista à Agência Brasil.
No plano de banda larga, o governo já decidiu que não fará a chamada “última milha”. Isso caberá às empresas privadas que, segundo Alvarez, já demonstraram interesse em comprar a internet no atacado. As companhias participaram de uma reunião com o governo e, após o lançamento do plano, serão novamente convidadas para mais uma série de conversas.
O governo “acenderá” para transmissão de dados, a rede já disponível. Além disso, o governo terá que criar um backhaul. “Da porta da cidade até a porta da casa, nós não vamos fazer. Nós não temos ainda essa [rede] intermediária, investindo diretamente ou até mesmo por meio de associações às operadoras que já têm. Queremos chegar à Copa do Mundo com uma rede capilarizada com mais um fornecedor capaz de oferecer novos serviços”, disse Alvarez.
O plano incluirá um conjunto de elementos de regulação, além de buscar aumentar a capacidade das redes existentes e de ampliar o sistema de terceira geração para dar mais qualidade aos serviços de internet móvel.
Já está decidido também que será usada a estrutura da Telebras para levar banda larga aos municípios. De acordo com Alvarez, o governo atuará como um regulador, valendo-se das prerrogativas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para garantir a prestação de serviço com qualidade e preço acessível.
*Com informações da Agência Brasil