Em entrevista à CNBC, Bill Gates, cofundador da Microsoft e criador do fundo Breakthrough Energy, afirmou que os esforços contra as mudanças climáticas precisam ser equilibrados com investimentos em áreas que melhorem diretamente a qualidade de vida, como saúde e combate à pobreza. O documento foi divulgado dias antes da COP30, que ocorrerá no Brasil, […]
Em entrevista à CNBC, Bill Gates, cofundador da Microsoft e criador do fundo Breakthrough Energy, afirmou que os esforços contra as mudanças climáticas precisam ser equilibrados com investimentos em áreas que melhorem diretamente a qualidade de vida, como saúde e combate à pobreza.
O documento foi divulgado dias antes da COP30, que ocorrerá no Brasil, e marca o décimo aniversário do Acordo de Paris. Para Gates, a estratégia global de emissões “precisa de um ajuste de rota”, já que o debate tem sido dominado por visões alarmistas. “O clima é extremamente importante, mas deve ser considerado dentro do contexto do bem-estar humano”, afirmou.
Gates, autor do livro Como Evitar um Desastre Climático (2021), defendeu um “pivô estratégico” em relação ao tema. Segundo ele, o foco excessivo na redução de emissões deixa em segundo plano outras ações com impacto direto na vida das pessoas. “A melhor maneira de garantir que todos possam viver de forma saudável e produtiva, independentemente do clima em que nasceram, é olhar para o bem-estar humano de forma mais ampla”, escreveu.
O bilionário também criticou o que chamou de “visão do fim do mundo” em torno da crise climática, afirmando que há inovação suficiente hoje para evitar “resultados realmente catastróficos”. Em março deste ano, o New York Times já havia reportado que o fundo Breakthrough Energy havia cortado dezenas de funcionários, sinalizando uma reestruturação “para a era Trump”, segundo fontes.
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A realização da COP30 no Brasil reforça o papel do País como palco do debate climático. O encontro reunirá líderes quase uma década após a assinatura do Acordo de Paris, que estabeleceu o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C. Gates, porém, classificou a meta como “irrealista” diante da complexidade política e tecnológica envolvida.
Nos últimos dez anos, a posição dos Estados Unidos em relação ao pacto tem oscilado conforme o governo de turno. O país aderiu sob Barack Obama, saiu durante o primeiro mandato de Donald Trump, retornou sob Joe Biden e voltou a sair com o retorno de Trump ao poder.
Apesar de lamentar o recuo de políticas públicas, Gates destacou que empresas como Microsoft, Meta e Alphabet continuam investindo em energias alternativas e metas de neutralidade de carbono. A Microsoft, por exemplo, planeja se tornar “carbono negativo” até 2030.
Em fevereiro, a diretora de sustentabilidade da empresa, Melanie Nakagawa, reconheceu que o avanço da inteligência artificial ampliou o consumo energético e afastou a companhia de suas metas climáticas de curto prazo. “A mesma força que hoje nos afasta das metas é a que, no futuro, permitirá alcançá-las: a IA”, escreveu.
O crescimento explosivo dos data centers e da demanda energética associada à IA tem preocupado ambientalistas. Gates, contudo, manteve uma visão pragmática: “Muitos investimentos em IA serão becos sem saída, mas quem quiser ser uma empresa de tecnologia não pode simplesmente ficar fora dessa corrida.”
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