Em mais um ano de entusiasmo com o potencial das ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, não é fácil encontrar uma liderança que fale abertamente sobre a possibilidade de estarmos vivendo uma nova bolha no setor. Maurício Fernandes, CEO da Dedalus, é uma dessas exceções. “Até um mês atrás ainda se discutia se havia uma […]
Em mais um ano de entusiasmo com o potencial das ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa, não é fácil encontrar uma liderança que fale abertamente sobre a possibilidade de estarmos vivendo uma nova bolha no setor. Maurício Fernandes, CEO da Dedalus, é uma dessas exceções.
“Até um mês atrás ainda se discutia se havia uma bolha. Agora a questão é quando ela estoura”, disse em conversa com o IT Forum neste final de ano. Para o executivo, o entusiasmo observado no mercado não é, no entanto, uma novidade: o mesmo ciclo de euforia, desilusão e acomodação já foi visto antes com tecnologias como o metaverso. A escala, agora, é muito maior. A pressão por resultados, somada aos bilhões investidos pelas big techs apenas neste ano, cria um ambiente de tensão.
Isso não significa, porém, que Fernandes não acredite no potencial da tecnologia. “Acredito em uma explosão contida”, defendeu. Na visão do executivo, companhias como OpenAI e Nvidia estão mais expostas nesse processo. A aposta é que uma eventual ruptura acelere a chegada de tecnologias mais eficientes.
“Não dá para continuar usando IA do jeito que usamos hoje e imaginar que o planeta aguenta. Algo vai ter de mudar, provavelmente em 2026”, disse. “Mas o impacto será mais dramático para quem só faz IA ou depende do ciclo atual de GPUs”, completou.
A discussão sobre a bolha ocorre em paralelo ao que Fernandes considera o melhor momento da história recente da Dedalus. A empresa atravessa um período de forte expansão em nuvem, dados e inteligência artificial, áreas que hoje concentram a maior parte do crescimento.
Segundo o CEO, 70% das novas receitas da empresa vêm de dados ou IA. “Na prática, é difícil separar uma coisa da outra”, brinca. No campo da IA generativa, a demanda se intensificou ao longo do ano. A Dedalus executou cerca de 30 projetos em 2025.
Os pedidos variam de melhorias no atendimento a estruturas mais sofisticadas de análise de negócios. Fernandes cita a busca crescente por iniciativas capazes de unificar dados internos e externos e dar suporte direto a executivos. “O futuro está no Insight Lake, um repositório de ideias organizadas para decisões de negócio. É isso que faz os olhos dos CEOs brilharem”, explicou.
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Em cloud, por outro lado, a companhia vê uma corrida acelerada pela “reorganização” de ambientes digitais dos clientes, principalmente após os excessos da pandemia. “Tem muito projeto de cloud para refazer. Muita empresa gasta mais de 100% além do necessário. Nosso trabalho agora é de reconstrução.”
O bom momento estimulou a empresa a acelerar seu plano de internacionalização. Argentina, onde a Dedalus atua desde 2018, e Chile já respondem por 12% da receita e devem chegar a 15% até 2026. “O Chile é mais desafiador do que imaginávamos, muito fechado culturalmente. Precisamos de mais gente local”, diz. A Colômbia será o próximo passo, previsto para 2026, enquanto o objetivo final é liderar o mercado latino-americano até 2030.
Além da expansão geográfica, o avanço em parcerias também é uma estratégia relevante para a empresa. Neste ano, a Dedalus iniciou uma colaboração estratégica de três anos com a AWS para dobrar o tamanho dos negócios conjuntos no período, ao mesmo tempo em que reforça a aliança com o Google Cloud, impulsionada por clientes que operam em ambientes multicloud.
Maurício destaca ainda a aproximação com consultorias de negócios. Uma das parcerias recentes é com a Peers Consulting, com foco na integração de discussões estratégicas a projetos tecnológicos. “Tecnologia virou negócio. Não existe mais transformação sem olhar as duas coisas juntas”, afirmou.
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