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Brasil terá internet via satélite de empresa chinesa em 2026

O Brasil deve ganhar, a partir de 2026, uma nova alternativa de internet via satélite para regiões remotas e de difícil acesso. A chinesa SpaceSail, que opera uma constelação de satélites de órbita baixa (LEO), anunciou planos para iniciar a oferta de conectividade no país no primeiro semestre do ano, em parceria com a Telebras, […]

Publicado: 04/03/2026 às 08:15
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Imagem digital da Terra vista do espaço com destaque para conexões de rede representadas por uma malha de pontos e linhas azuis, simbolizando comunicação global por satélite ou internet das coisas. Luzes alaranjadas indicam áreas urbanas iluminadas na superfície terrestre. Ao fundo, o espaço profundo é representado com estrelas e um brilho azul intenso no horizonte do planeta. (Internet, satélites, starlink, amazon, china)
Construção civil — Foto: Reprodução

O Brasil deve ganhar, a partir de 2026, uma nova alternativa de internet via satélite para regiões remotas e de difícil acesso. A chinesa SpaceSail, que opera uma constelação de satélites de órbita baixa (LEO), anunciou planos para iniciar a oferta de conectividade no país no primeiro semestre do ano, em parceria com a Telebras, estatal brasileira de telecomunicações. A iniciativa insere o Brasil em uma disputa geopolítica e tecnológica cada vez mais intensa pelo controle da infraestrutura global de conectividade.

O acordo entre a SpaceSail e a Telebras foi formalizado por meio de um memorando de entendimento assinado no fim de 2024. A expectativa é que os serviços atendam inicialmente escolas, hospitais e outras estruturas consideradas essenciais, especialmente em localidades onde a infraestrutura terrestre de telecomunicações ainda é limitada ou inexistente. A informação foi confirmada pelo chefe da Casa Civil, Rui Costa, durante agenda oficial em Brasília.

A entrada da empresa chinesa coloca o Brasil no radar da competição direta entre grandes constelações de satélites de baixa órbita. Nesse mercado, o principal nome até agora tem sido a Starlink, controlada pela SpaceX, de Elon Musk, que já opera no país e vem expandindo rapidamente sua base de usuários. A proposta da SpaceSail, no entanto, amplia as opções disponíveis para o governo brasileiro e reforça uma estratégia de diversificação de fornecedores considerados estratégicos para políticas públicas de conectividade.

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Informações da Reuters apontam que os satélites de órbita baixa vêm ganhando protagonismo por oferecerem menor latência e maior velocidade em comparação aos sistemas tradicionais de órbita geoestacionária. Isso os torna especialmente relevantes para aplicações críticas, como telemedicina, educação digital, monitoramento ambiental e comunicação em áreas isoladas da Amazônia, do interior do Nordeste e de regiões de fronteira.

A parceria com a Telebras indica que o projeto da SpaceSail no Brasil deve ter forte alinhamento institucional. A estatal tem sido peça-chave nas iniciativas federais de inclusão digital e conectividade governamental, atuando como integradora de soluções para órgãos públicos e projetos estruturantes. Ao associar-se a uma operadora estatal, a empresa chinesa ganha escala e previsibilidade regulatória em um mercado complexo e altamente regulado.

Brasil avança em infraestrutura

Do ponto de vista estratégico, o movimento também reflete o interesse crescente da China em expandir sua presença em infraestruturas digitais fora da Ásia. Nos últimos anos, empresas chinesas têm investido em cabos submarinos, data centers, redes 5G e agora constelações de satélites, como parte de uma estratégia mais ampla de inserção tecnológica global. A atuação no Brasil, maior economia da América Latina, reforça esse posicionamento.

Para o governo brasileiro, a chegada de um novo fornecedor internacional pode reduzir dependências excessivas e ampliar o poder de negociação em contratos de longo prazo. A conectividade via satélite é considerada estratégica não apenas do ponto de vista social, mas também para soberania digital, segurança de comunicações e resiliência de serviços públicos em situações de crise ou desastres naturais.

Embora os detalhes comerciais e operacionais ainda não tenham sido divulgados, a previsão de início das operações em 2026 indica que o projeto deve passar, ao longo de 2025, por etapas regulatórias, testes técnicos e definição de modelos de oferta. Questões como preços, capacidade de banda, cobertura territorial e integração com redes existentes serão decisivas para a adoção efetiva da solução.

A expectativa é de que, com a entrada de novos players, o Brasil passe a ocupar um papel mais relevante na estratégia global dessas constelações, tanto como mercado consumidor quanto como território estratégico para cobertura regional na América do Sul.

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