Carol Bartz precisa acalmar o clima na companhia e analisar uma possível parceria com a Microsoft
A nova principal executiva da Yahoo, Carol Bartz, tem longa lista de tarefas a cumprir – a criação de uma estratégia da companhia, analisar uma possível parceria de busca com a Microsoft, elevar o moral e harmonizar sua equipe gerencial – e pouco tempo para executá-la em meio à economia fraca que afeta a publicidade on-line.
Em 13 de janeiro, Yahoo nomeou Carol, veterana do Vale do Silício, para substituir Jerry Yang como principal executivo, embora Yang vá continuar como “Chief Yahoo” da companhia da qual foi co-fundador em 1994. Além disso, a presidente da Yahoo, Sue Decker, anunciou que irá se demitir. Carol, de 60 anos, era diretora executiva da Autodesk, empresa de design de software onde ocupou o cargo de CEO por 14 anos, até deixar o posto em abril de 2006.
Segundo disseram Kendall Whitehouse, diretor sênior de Tecnologia da Informação na Wharton, Lawrence Hrebiniak, professor de gerenciamento em Wharton, e outros, a mais importante decisão de Bartz será terceirizar ou não o serviço de busca da Yahoo à Microsoft, que deseja participar do mercado da Yahoo.
Especialistas da Wharton sugerem que esta terceirização faz sentido para a Yahoo, elevaria o faturamento, reduziria custos e daria um foco. A medida poderá permitir que a Yahoo se torne uma companhia do setor de meios de comunicação de segunda geração, disse Whitehouse.
Pelo momento, Bartz informa que todos precisam “dar espaço para a empresa respirar”. Quanto espaço ela conseguirá ainda precisa ser confirmado, mas seus desafios são claros, disseram especialistas na Wharton.
Sua primeira missão será acalmar o clima na Yahoo. A companhia tem acionistas irados, um membro nervoso no conselho, Carl Icahn, que está ansioso para fechar um acordo de busca com a Microsoft, e funcionários necessitando de um líder. Além disso, seus empregados precisaram suportar um ano de severas notícias na mídia sobre o futuro da Yahoo. E depois há a crise financeira que está afetando a publicidade on-line – esteio dos negócios da Yahoo.
Segundo o professor de gerenciamento da Wharton, Rahul Kapoor, Bartz precisa tomar medidas rápido para abordar as preocupações de curto prazo. A maior delas se refere ao moral dos empregados e à confiança dos acionistas.
Talvez a maior contribuição de Bartz para a Yahoo seja desenvolver-lhe uma estratégia de longo prazo, acrescentou Kapoor. A CEO aludiu a isso durante sua primeira entrevista à imprensa, observando que “esta é uma empresa com enormes ativos que, francamente, precisam de gerenciamento.”
A criação de uma estratégia coerente para a Yahoo será uma tarefa gigantesca. Yahoo é uma companhia complexa que se divide em três áreas: mídia e conteúdo, desenvolvimento de tecnologia e busca custeada na publicidade. Dessas três, busca é o mais procurado.
“Estrategicamente, um acordo com a Microsoft parece uma boa medida”, disse Hrebiniak. “Ballmer quer fechar esse negócio em detrimento do Google. Yahoo devia pegar o dinheiro e encontrar outras oportunidades.” Keith Weigelt, outro professor de Wharton, concorda. “Yahoo perde aos poucos a batalha com o Google”, informou. “Eu consideraria seriamente o acordo de busca com a Microsoft como uma maneira de dar um foco para a companhia .”
Yahoo continuaria a deter um número significativo de ativos mesmo se vendesse o negócio de busca. A companhia “tem realizado um bom trabalho do ponto de vista tecnológico”, observou Whitehouse. Yahoo Pipes, tecnologia voltada para a criação de novos aplicativos, e uma venture com a Intel para criar on-screen software que complementa a programação televisiva são exemplos de tecnologia inovadora da empresa.
Outra opção para a Yahoo seria tornar-se apenas uma empresa de mídia. Yahoo tem numerosas propriedades: Yahoo News, Flickr e Yahoo Finance, que figuram entre líderes da categoria. Bartz reconhece a complexidade da companhia, mas disse que a principal meta é se centrar no desempenho eficiente. “O importante é ser a melhor em todos os nossos mercados”, disse.