Introdução Áudio no PC sempre foi um tema que me interessou, e não é de se surpreender que a primeira revista que lancei, no final de 2001, continha 64 páginas sobre o assunto. Talvez também porque eu curtia som e equipamentos desde os tempos analógicos, com aqueles toca fitas de rolos, toca discos (vinil) super […]
Áudio no PC sempre foi um tema que me interessou, e não é de se surpreender que a primeira revista que lancei, no final de 2001, continha 64 páginas sobre o assunto. Talvez também porque eu curtia som e equipamentos desde os tempos analógicos, com aqueles toca fitas de rolos, toca discos (vinil) super sofisticados com regulagens de pitch (ajuste preciso na rotação) e os moderníssimos, para a época, toca ficas de três cabeças com regulagem de bias. Fazer uma produção pessoal com esses equipamentos era uma aventura para um fim de semana inteiro, mas no final eu obtinha a “minha fita” com perfeição.
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As caixas acústicas eram fundamentais, ninguém tinha nada pequeno ou com menos de 120 watts RMA de potência cada, mas desde que o áudio se tornou digital pouco se deu importância a elas. Primeiro porque as primeiras placas de som para usuários domésticos não eram lá grande coisa, e depois porque havia uma oferta de caixas genéricas de baixo custo tão abundante que parecia não fazer sentido ao usuário investir no PC como uma estação multimídia.
O tempo passou, e gradativamente fomos abandonando os aparelhos de som tradicionais, os toca fitas, toca discos, e em alguns casos até os CD Players. Hoje assistimos tudo pelo PC ou pelo MP3 Player, usando headphones de boa qualidade e caixas acústicas com bons níveis de respostas, e em muitas residências o DVD Player do Home Teather se tornou o leitor de CD “musical” da casa.
Minha experiência em busca do som perfeito (ou quase perfeito) no PC passou por varias etapas, entre elas a escolha da melhor placa de som ? incluindo as clássicas soundblaster live, live 5.1, audigy 1, augidy2, Revolution 7.1, Turtle Beach Santa Cruz, e muitas outras ? e pela melhor combinação de caixas acústicas. Hoje eu uso um sistema modificado baseado na Creative Soundworks FPS 1000: um sistema de 4 satélites e um subwoofer modificado para uma caixa selada com alto falante de 10 polegadas que oferece uma ótima resposta para o baixo investimento feito.
Antes de continuar, uma rápida pausa para explicar alguns conceitos não muito claros para a maioria dos usuários:
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Portanto é comum entre os usuários a má escolha de um sistema de som. O “erro” mais comum é comprar um sistema de caixas 5.1 que não é “real” e sim emulado, ligado a placa de som a partir de apenas 2 cabos estéreo, com apenas 4 canais reais. Nesses sistemas o canal central é emulado a partir do som frontal e o subwoofer recebe uma média das baixas freqüências de todos os canais disponíveis. Se isso funciona? Sim, mas não é fiel ao que o diretor do filme em DVD que você está assistindo planejou.
A vantagem, para os leigos, desse sistema é que o canal central sempre funciona, enquanto que em um sistema 5.1 real, com 3 cabos estéreos, o canal central só emite som quando há uma origem para ele, um DVD Dolby Digital. Ou seja, quando você for ouvir músicas de CD no seu PC, ele ficará mudo…
Para resolver isso, algumas placas de som oferecem a emulação desse canal central, as vezes com o nome de “virtual 5.1” ou “Stereo Enhanced 3D”, fazendo que na prática ocorra o mesmo que citei no primeiro exemplo. Eu fiz questão de lembrar esses conceitos para esclarecer uma afirmação errada que tenho percebido entre vários usuários, que consideram um sistema 5.1 melhor do que um 4.1, 2.1 ou até mesmo de duas caixas isoladas. Isso não é necessariamente verdade.
O que vai determinar a qualidade do sistema de som é uma combinação de fatores, desde o tipo de placa de som até a construção das caixas acústicas, e se a escolha está adequado ao seu ambiente. Conheço pessoas, e sei que isso acontece com várias, que possuem sistemas 5.1 com todas as caixas localizadas à frente, sobre a mesa, porque não há espaço para instalar as caixas traseiras, muito menos passar os fios pela casa…
Hoje eu quero mostrar pra vocês os produtos de uma empresa, a Edifier ? www.edifier.com.br ou www.edifier.ca para o site canadense ? que se especializou na construção de caixas acústicas de ótima qualidade, visando atender as necessidades dos consumidores que sabem de fato projetar um sistema fiel à sonoridade esperada. Segundo uma informação do representante no Brasil, a Edifier, embora não muito conhecida dos consumidores, é uma empresa com tradição na fabricação de alto falante para terceiros e produz, entre outros, para a Logitech.
O grande charme da marca, na minha opinião, é o cuidado com a construção das caixas. Não muito pela aparência ou design, mas pelas características acústicas. A empresa nasceu em Pequin, China, em 1996 e em 1998 passou a ser multinacional com venda superior a 3 milhões de unidades em 2002. A empresa é especializada na produção de caixas acústicas de madeira, isso mesmo, madeira (na verdade MDF, um tipo de compensado ideal para forração acústica) bem diferente da maioria dos produtos genéricos.
Nós recebemos quatro peças diferentes, uma mais simples, duas topo de linha e uma quarta tão surpreendente que não saberíamos como classificar. Os testes foram feitos com uma placa de som que sempre me surpreendeu pela fidelidade acústica, a Turtle Beach Santra Cruz, e utilizamos predominantemente uma versão demo do Fruityloops – www.fruityloops.com – com os samples que acompanham o produto. A vantagem de usar o Fruityloops está na alta qualidade desses samples, sempre obtidos com altas taxas de amostragem, muito diferente de ouvir um MP3 comprimido, por melhor que ele seja.
Vamos conhecer as caixas com mais detalhes:
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Esse modelo com dois satélites e um subwoofer é muito interessante, com preço sugerido ao consumidor de apenas 150 reais. O subwoofer responde muito bem apesar do seu pequeno tamanho e os dois satélites só vão distorcer no limite extremo do volume, controlado por um remoto não muito bonito, com apenas o botão de liga/desliga e o ajuste de volume. Não há outro ajuste possível na caixa, o que é comum pois é a placa de som que faz todo o serviço.
Uma característica presente nessa e em todas as caixas da Edifier que vamos apresentar é a ausência de ruído, aquele ruído que percebemos quando uma caixa está ligada mas não há som sendo reproduzido. O responsável por isso é o amplificador “low noise” utilizado pela Edifier em seus produtos. Apesar da pouca potência declarada, o som é limpo e cristalino, e você pode ligar e desligar quantas vezes quiser que não vai ouvir um único estalo nas caixas. O sinal é muito bem filtrado em todas as faixas.
Se seu objetivo não é dar festas e nem tremer as paredes, é o produto ideal e leva nossa recomendação.
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Características Principais:
Especificações Técnicas:
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Difícil classificar esse conjunto 2.1 de alta potência. Seu design é único, e o subwoofer marca sua presença logo aos primeiros sons reproduzidos enquanto os satélites delicadamente compõem os médios e agudos ao ambiente.
No painel frontal há um botão de liga / desliga, o volume é o de cima da fileira à direita, o botão com a regulagem de graves no meio e embaixo a regulagem de agudos. O som é puríssimo, você até estranha a falta de ruído quando a música entra em uma pausa silenciosa. Durante os testes, com os ouvidos já acostumados com o alto volume, notei que eu não conseguia mais me ouvir dentro do laboratório e era impossível conversar.
A especificação fala em 28W totais (12W para o subwoofer e 8W para cada satélite) e pode ter certeza que estão todos presentes. O som é alto, muito alto, forte, os graves tem bastante impacto mesmo com o ajuste pela metade. Ajustando o volume para níveis mais baixos – e razoáveis ? podemos aumentar um pouco mais os graves e manter a boa qualidade e a “presença” do som, sem incomodar os vizinhos.
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Os satélites são muito poderosos, com alto-falantes separados para médios e agudos (tweeters) e uma furação na traseira da carcaça para prender na parede. As conexões traseiras (foto abaixo) no subwoofer dão um “tempero” profissional ao conjunto com um detalhe: os cabos para os satélites são daqueles profissionais transparentes, com um fio na cor cobre e outro prateado, com as pontas soldadas para não desfiar.
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Ao preço médio de 370 reais, a caixa E3100 nos pegou de surpresa. Se tivéssemos dois pares disponíveis para uma festa, digo, um teste, provavelmente superaria o conjunto 5.1 que falaremos a seguir, apesar do custo ligeiramente mais alto.
Características Principais:
Especificações Técnicas:
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O sistema 5.1 da Edifier é também feito em madeira MDF e possui alto falantes separados para cada faixa de freqüência. O subwoofer tem 30W de potência RMS e pode ficar deitado ou de pé, embora a serigrafia dos botões indique que a posição deitada é a preferencial, como está na foto acima.
Vamos começar pela parte de trás, aonde estão os conectores para os satélites, conforme a imagem abaixo:
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É um dos poucos sistemas 5.1 “reais” que temos no mercado. Cada uma das entradas RCA recebe um canal distinto da placa de som. Um par é deve ser ligado na porta verde da placa de som, representando os canais frontais em estéreo, outro par na porta preta (a cor depende do fabricante da placa) que são os canais traseiros e o outro par na porta laranja, com os sinais da caixa central e o sinal exclusivo para o subwoofer.
Dependendo da placa de som, os sinais para os canais traseiros podem ser mais baixos do que os dianteiros, o que é correto, mas há outras onde isso não acontece. Nesse caso temos um botão no painel frontal que permite ajustar o volume do par traseiro em relação ao par dianteiro.
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Há também um ajuste exclusivo para os graves do subwoofer, que são extremamente poderosos, reverberando por todo o ambiente. Os satélites também são feitos de MDF com dois alto falantes, um só para médios e um tweeter para os agudos.
A qualidade do som é soberba, mas como dissemos no início, o canal central utilizada para “voz” nos filmes Dolby Digital só funcionará se a origem tiver esse sinal. Dependendo da placa de som é possível emular seu funcionamento durante a reprodução de uma música comum em estéreo usando o recurso “Virtual 5.1” ou similar.
Características Principais:
Especificações Técnicas:
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Todos os alto falantes usados nesse e nos demais conjuntos de caixa da Edifier são blindados e não emitem ondas magnéticas à sua volta, portanto você pode usar os satélites próximos ao monitor CRT sem sofrer as vibrações ou desvios de cor causados pelo magnetismo das caixas acústicas. Os cabos que ligam os satélites são aqueles transparentes de uso profissional. Esse conjunto 5.1 custa cerca de 580 reais ao consumidor final, uma ótima pedida para quem faz questão de qualidade e tem uma placa de som 5.1 (ou superior) dedicada.
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É pouco comum encontrar caixas acústicas desse nível no mercado de varejo, apesar do preço em torno de 600 reais torná-lo um produto muito exclusivo. Quem é profissional no setor precisa muito mais de qualidade e fidelidade do que distribuição sonora em um ambiente. Entenda-se como “fidelidade” a capacidade de reproduzir com a maior perfeição possível o som que está sendo gerado.
As caixas R1900 existem desde 1999 e conquistaram grande reputação nesse segmento, recentemente a Edifier lançou a segunda versão do produto, agora chamado de T2 ou R1900TII, que foi a versão que recebemos. São apenas duas caixas, nada de subwoofer separado ou satélites espalhados, mas que caixas acústicas!
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O produto impressiona mais uma vez, pra variar, pelos graves sempre muito fortes e limpos. Não há distorção e mesmo com o volume no máximo se não houver sinal vindo da placa de som não se houve um único ruído, é como se a caixa não estivesse ligada. Eu me descuidei um momento e desliguei o computador com o som no máximo à tarde, mas a caixa ficou ligada (interruptor ligado) e como não faz barulho me esqueci completamente dela. De madrugada, quando liguei o PC de testes para uma outra avaliação, as paredes tremeram com o som “iniciar windows”. Não há ruído algum com essas caixas, você até esquece que estão ligadas.
Esse modelo também é feito em madeira MDF e os cones dos auto falantes são feitos de uma mistura de lã e papel, com fibras cruzadas e reforçadas diagonalmente. A suspensão do cone é incrivelmente macia e sensível mas firme o suficiente para não distorcer até mesmo os sons mais graves, uma combinação difícil de encontrar nas caixas acústicas.
Internamente há um amplificador profissional de baixo ruído (Extremely low noise Hi-Fi amplifier circuit design) e um crossover que separa os sinais para o tweeter e para o woofer. Na parte de trás uma das caixas recebe os sinais de entrada e um grande dissipador elimina o calor gerado pelo amplificador quando o volume está muito alto. Dois botões controlam o nível de graves e o volume, e é surpreendente o quanto você pode elevar qualquer um dos dois sem distorção. Com uma caixa dessas é nítida a diferença de fidelidade entre uma música MP3 e uma WAV com alta taxa de amostragem.
Para comprovar peguei uns samples complexos do ACID, obtidos com a resolução natural de um CD, e converti para MP3 usando 160 kbps em CBR (Constant Bit Rate) e coloquei as duas versões para serem reproduzidas nas caixas. A diferença é nítida, pois o formato MP3 devido a sua compressão acaba eliminando parte dos graves e dos agudos extremos, bem como boa parte da informação “praticamente” inaudível. Só que com essas caixas esse “praticamente” está em outro patamar, pois dá pra ouvir quase tudo.
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Uma caixa tem o amplificador na parte traseira e a outra apenas o conector de sinal, que deve ficar ligado à caixa “pai”.
Características Principais:
Especificações Técnicas:
É com muita satisfação que conheci os produtos da Edifier. São ótimos, são relativamente baratos pela qualidade que oferecem e são voltados exclusivamente para quem gosta de áudio com qualidade. O som é sempre forte, especialmente nos graves e a possibilidade de ajustes em alguns modelos com controles separados permitem uma ótima calibragem de som.
É preciso, no entanto, entender realmente a sua necessidade para fazer uma boa escolha. Se o objetivo é usar o som onboard e caixinhas só para fazer o “barulhinho” do Windows, é bobagem investir em boas caixas. Se é só para jogar, talvez um bom headfone agrade mais a um custo menor e sem incomodar os vizinhos. Se você pretende ter um bom som no PC, avalie se é melhor um sistema 2.1, 4.1 ou 5.1 e verifique se você tem os requisitos necessários para um 5.1 ou superior. Em termos de fidelidade, é bobagem ativar a caixa central (voz) do sistema 5.1 por emulação. É preferível mantê-la muda durante a reprodução de som estéreo e só ativar quando for ouvir um filme em DVD com Dolby Digital.
Graves são muito importantes, eles dão “presença” sonora e compõe o ambiente. Se você tem espaço para ligar as caixas traseiras de um sistema multi canal (4.1 ou superior) recomendo que invista nesse formato, mas se as caixas só terão espaço se ficar na sua frente, a recomendação é investir em um 2.1 de boa qualidade.
Lembre-se que a maioria das placas de som têm o volume das saídas dos canais traseiros reduzidos em até 50% dos canais dianteiros. Imagine ter todo o trabalho de passar fios e fixar as caixas traseiras em uma posição adequada e perceber que elas recebem quase metade do volume das dianteiras. A culpa não é das caixas, e sim da placa de som.
Eu particularmente não gosto dos sistemas 5.1, não por causa das caixas, mas por causa das placas de som. Nesses sistemas em placas Soundblaster (nem todos os modelos) e na grande maioria dos sistemas onboard baseados em chips Realtek acabam trabalhando 90% do tempo como um 2.1 já que o canal central é mudo (se não for emulado) e as traseiras são muito baixas. A vantagem só acontece realmente quando você vai assistir um DVD Dolby Digital, mas eu dificilmente faço isso no PC, é uma questão de gosto. Prefiro assistir na sala com a família.
Por isso tenho especial simpatia pelos modelos 2.1 e 4.1, esses últimos cada vez mais raros no mercado. É engraçado até, mas se você configurar a placa de som para 4.0 ou 4.1 canais, todas as caixas recebem a mesma intensidade de volume, mas ao ajustar para 5.1 há uma sensível perda nas caixas traseiras. Fazer o quê…
Gostamos de todos os produtos avaliados, mas há um que superou nossas expectativas e foi eleito o “preferido”: o Edifier E3100
Seu design diferente, seu ótimo grave, os satélites com médios e agudos separados, os controles de volume, graves e agudos, tudo isso influenciou essa “preferência” subjetiva. Todas as caixas são ótimas e são excelentes opções dentro da faixa de preços, mas a E3100 é única.
Maiores informações www.edifier.com.br
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