Câmara de Custódia e Liquidação investe para adequar-se às mudanças de negociação do mercado nacional
O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SBP), implementado em 2002, mudou a forma de negociação financeira no mercado nacional, permitindo a liquidação pelo valor bruto em tempo real. Na prática, isto significa que todos os participantes do sistema financeiro passaram a oferecer transferências para pagamentos, depósitos ou qualquer outra finalidade por meio eletrônico online.
As instituições tiveram de investir pesado para adequar-se a esta regra e manter seus sistemas disponíveis em esquema de 24 por 7. A Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip) foi uma delas. A empresa, que contava com mainframes para suportar suas operações, decidiu migrar para plataforma baixa. Carlos Paraizo, gerente de qualidade, segurança e produção da Cetip, explica que a mudança foi impulsionada pela necessidade de atender melhor às demandas impostas pelo SPB. Com isso, os usuários ganharam também uma visão unificada das transações. “No mainframe, as operações eram mais compartimentadas”, comenta ele.
A migração foi dividida em diversas etapas. As operações mais robustas, como CDB e DI, ainda são feitas no mainframe. Mas tarefas como notas de exportação já são totalmente executadas na plataforma baixa. “Começamos a migração a partir de operações menos volumosas com o objetivo de mitigar os riscos”, afirma Paraizo.
Outra medida para reduzir o comprometimento da cadeia de operações financeiras durante a migração foi a adoção de ferramentas de testes. Paraizo conta que, na plataforma baixa, com a maior interação entre os módulos, uma modificação em um deles pode impactar em outro que, aparentemente, não tem nada a ver com aquele primeiro. “E fica difícil prever esse tipo de comportamento, por isso a importância das ferramentas de teste.”
A Cetip adotou as ferramentas TestDirector e QuickTest Professional, da HP, que automatizaram o processo de testes e geram relatórios sobre gargalos, indicando eventuais correções. Também foi adquirido o HP LoadRunner para simulação de carga em aplicações, para utilização em fases futuras de desenvolvimento. “Com isso, conseguimos acompanhar, de maneira mais rigorosa, todo o processo de migração dos nossos sistemas”, avalia Paraizo.