País asiático surge com grandes oportunidades para profissionais de TI; procura é especialmente grande por gerentes com domínio do mandarim.
Há três anos, o norte-americano Chris Collins foi para a China ensinar Inglês em uma escola particular. Ele começou a estudar Mandarim no avião. Hoje, com 25 anos, é gerente internacional de desenvolvimento de negócios da MaesInfo, companhia chinesa de terceirização de software, fala o idioma e mora em um arranha-céu em Chengdu.
A trajetória rápida de Collins até o posto de gerência é resultado direto do crescimento acelerado da China como fornecedora de outsourcing offshore. O mercado chinês de terceirização de processos de negócio e TI, que alcançou US$1,7 bilhão no ano passado, está crescendo 38% ao ano e provavelmente chegará aos US$ 7 bilhões em 2010, de acordo com a consultoria em outsourcing Everest Group.
O crescimento do outsourcing na China ainda representa uma pequena fração do mercado de outsourcing da Índia, que atingiu US$40 bilhões no ano passado e deverá chegar a US$60 bilhões em 2010, segundo a Everest. Mas o desenvolvimento rápido do mercado chinês está criando oportunidades para quem têm espírito de aventura, disposição para aprender o idioma e alguma experiência em negócio.
“Há muitas oportunidades”, diz Brian Keane, CEO da Dextrys, empresa que possui centros de desenvolvimento de software em Chain. Elas são especialmente grandes para gerentes, destaca. “Cinco anos atrás não existia indústria de serviços na China – portanto, não há uma geração mais antiga ensinando esta nova geração.”
Segundo Jacob Hsu, CEO do Symbio Group, empresa de desenvolvimento fundada nos Estados Unidos e atualmente com sede em Pequim, há demanda por qualquer pessoa nos Estados Unidos que fale Mandarim e queira trabalhar na China. “Temos empregos”, afirma Hsu, que nasceu em Taipei, mas se mudou ainda criança para a Califórnia, onde foi criado.
As universidades chinesas estão produzindo uma enxurrada de talentos técnicos brutos, mas adquirir experiência em gerenciamento é um processo lento. “Na China você não encontra pessoas capazes de gerenciar equipes de 300 pessoas”, conta Hsu.
O problema do idioma
Um dos aspectos mais intimidantes de trabalhar na China é falar Mandarim. Se a China enfrenta escassez de gerentes, os Estados Unidos sofrem de escassez de professores do idioma, salienta Yulan Lin, que chefia o programa mundial de idiomas das escolas públicas de Boston. Lá há cerca de 2 mil alunos estudando Mandarim no momento, praticamente o dobro de uma década atrás.
À medida que mais alunos na China buscam aprender Inglês, o contrário acontece nos Estados Unidos. “Cada vez mais você verá estudantes se conscientizando de que o futuro está aí”, diz Lin.
As matrículas em programas de língua chinesa nas faculdades aumentaram mais de 50% de 2002 a 2006 e agora totalizam 51.582, aponta uma pesquisa realizada no ano passado com quase 2.800 faculdades pela Modern Language Association de Nova York.
Embora muitos na China estejam aprendendo Inglês, Cynthia Ning, diretora executiva da Chinese Language Teachers Association em Honolulu, acha igualmente importante que os outros povos aprendam Chinês, já que não conhecer o idioma os deixa em desvantagem. “Se você não fala a língua, não pode ficar no mesmo nível que eles.”
Vagas além da gerência
O caminho direto para se empregar na China vindo dos Estados Unidos pode ser o gerenciamento, mas também existem outras oportunidades para quem está disposto a arranjar um emprego ao chegar no país, como fez Collins. “A maioria das pessoas vem como professor de Inglês”, revela Collins, que começou assim e depois fez networking.
“Muitas oportunidades das quais você ouve falar, assim como nos Estados Unidos, são locais, de amigos ou amigos dos amigos”, diz Collins, “por isso é muito importante se estabelecer fisicamente aqui na China e depois começar a procurar oportunidades de negócio e de gerenciamento”.
Collins teve algumas vantagens. Ele se formou em Economia, com especialização no mercado chinês, e conquistou experiência ao morar na Alemanha e na África.
Além disso, Collins tem facilidade para línguas e também fala Alemão, Francês e Suaíli. Não é fácil aprender Chinês, ele admite, “mas, se você se dedica a estudar por seis a nove meses, pode ter um uma boa compreensão e iniciar uma conversa cotidiana”.
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A MaesInfo é o terceiro empregador de Collins na China. Ele também ganhou experiência em uma empresa de logística antes de trabalhar na MaesInfo, que procurava um falante nativo de Inglês para ajudar a desenvolver seu mercado. Muitas companhias de TI chinesas querem ser listadas nas bolsas de valores Nasdaq e de Hong Kong e a demanda por falantes nativos de Inglês crescerá ainda mais.
Collins acredita em viver na comunidade. Seu escritório ficava a cerca de 96 quilômetros do terremoto de 7.9 graus na Província de Sichuan. Os desenvolvedores se abrigaram sob suas mesas durante dois minutos enquanto o solo se movia e depois saíram do prédio. Algumas janelas do complexo de escritórios quebraram e apareceram rachaduras em algumas escadas, mas ninguém ficou ferido. Com a continuação dos abalos sísmicos na noite do terremoto, Collins, que mora no 25o andar, dormiu em um estacionamento junto com outros moradores de arranha-céus. Só voltou para casa quando começou a chover, quase ao amanhecer.
Os funcionários da MaesInfo logo retomaram o trabalho. Collins, em um táxi na volta para casa e usando um telefone celular com uma conexão cristalina, diz que o pagamento na China não é o que ele ganharia nos Estados Unidos, mas o custo de vida é baixo e as oportunidades são fartas. “As coisas estão avançando tão rápido que é um ótimo lugar para se viver.”, garante.
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