Fulgham Chade traçou um mapa das iniciativas tocadas pela área de tecnologia da informação do Federal Bureau of Investigation
O FBI concluiu uma atualização de sua infraestrutura, movimento que incluiu upgrade na sua rede (altamente secreta) SCION e implantação de um ambiente atualizado de computadores baseado em Microsoft Office em seus escritórios. Além disso, o novo sistema gestão de processos (Sentinel) entrou na Fase 2, com início de testes. Apesar de já verificar atraso frente aos prazos definidos para o projeto, a tecnologia estará rodando em 2011.
Fulgham Chade, CIO da entidade, delineou a estratégia tecnológica do FBI à InformationWeek EUA na sede da agência, em Washington (DC). Foi a primeira vez que o executivo deu uma visão geral das iniciativas de TI desde que ingressou no posto, em dezembro de 2008, após trabalhar em companhias do setor privado como Lehman Bros, IBM e JPMorgan Chase.
Em seu primeiro passo, ainda no ano passado, o CIO reorganizou informações e tecnologias da Branch, fazendo-as mais alinhadas ao negócio e orientadas a serviços. A IT Branch é composta de uma Divisão de Gerenciamento de programas e projetos que trabalha em estreita colaboração com o FBI, como por exemplo a Divisão de Engenharia (responsável pela operação das redes) e a Divisão de Serviços de TI (que gere praticamente tudo, dos 26 mil BlackBerrys aos data centers da entidade).
Em agosto de 2009, a empresa contratou um diretor de marketing, Stephanie Derrig, encarregado de trazer um olhar mais genérico e avaliar os benefícios de aplicativos empresariais para os funcionários da agência. O IT Branch criou um portal interno, baseado no Microsoft SharePoint, contendo uma página para cada novo produto e serviço oferecido.
O FBI tem, ainda, substituído seu ATM/Frame Relay com uma nova infraestrutura Cisco baseada em protocolo de internet (IP, na sigla em inglês) que utiliza Multiprotocol Label Switching para maior desempenho. A nova rede, chamada Next Generation Network, serve como uma espinha dorsal para outras três redes corporativas – a não-classificada Unet, a classificada FBINet e a rede “top secret” SCION – e estende-se a cerca de 800 locais. A nova tecnologia fornece 45 vezes mais capacidade de backbone, bem como a duplicação da velocidade de acesso nos terminais.
A substituição da rede era um precursor necessário para a introdução de PCs atualizados, que trazem uma série de novas ferramentas e capacidades para os agentes especiais e outros funcionários do FBI. A configuração do chamado FBI Next Generation Workstation inclui o Office 2007 e o Windows XP rodando em uma máquina Dell com processador dual-core. Como medida de economia de custos, a agência atualiza o parque de hardwares sempre que possível.
O Next Generation Workstation traz, ainda, soluções de mensagens instantâneas, transferência de arquivos, voz sobre IP, teleconferência em vídeo, tecnologia de presença e colaboração na web para os trabalhadores que, até então, acessavam apenas serviços telefônicos, e-mail e aplicativos de produtividade padrão a qualquer computador. As novas estações de trabalho compreendem, também, monitores de 24 polegadas de tela plana, câmeras de vídeo, caixas de som e fones de ouvido. Switches Avocent KVM atuam como suporte alternando entre as redes classificadas e não-classificadas.
Fulgham descreve as novas gerações como “saltos tecnológicos” para o órgão. O ambiente de TI está sendo implementado inicialmente em 56 escritórios da agência, em que o CIO acredita que a mudança filosófica trazidos pelos novos instrumentos de tecnologia levarão os funcionários para um desempenho mais efetivo. O projeto começou em dezembro e tem previsão de acabar em julho.
Em outras frentes, o FBI está implantando um novo sistema de gestão de identidade com base no Oracle Manager. O órgão substitui, na iniciativa, ainda, uma série de ferramentas legadas por soluções da HP e BigFix, além disso, introduz o Cisco NAC (Network Admission Control), em vez de tecnologias de segurança desenvolvidas internamente. Fulgham reforçou sua preferência por tecnologias comerciais sempre que possível devido a facilidade de implantação e integração. A agência utilizará ainda o SharePoint 2010 para criar um ambiente de rede social na FBINet.
O CIO também deu um balanço sobre o Sentinel, projeto avaliado em US$ 425 milhões para substituir o sistema de gestão de processos do FBI por uma nova ferramenta, essa digital, que incorpora tecnologias da Adobe, EMC, IBM, Microsoft e Oracle. Em março, o Departamento de Justiça divulgou um relatório alertando que a solução – prevista para estar pronta ainda em 2009 – enfrentaria riscos de atraso e derrapagens na parte de custos.
Lockheed Martin é o contratante principal no projeto Sentinel. Em resposta ao relatório, o FBI disse que tinha aconselhado Martin a parar parcialmente os trabalhos no projeto e indicou um novo calendário para a conclusão das iniciativas, prevista para ocorrer em quatro fases. O diretor do FBI, Robert Mueller, em depoimento a uma subcomissão do Congresso no mês passado, caracteriza os atrasos como algo menor e afirmou que estava “cautelosamente otimista” de que a Fase 2 seria concluída no verão de 2010. Mueller disse agora que espera que o Sentinel esteja pronto em 2011.
O FBI tem ainda a emissão de uma linha do tempo para as próximas duas etapas do Sentinel, mas Fulgham sinalizou que o grupo de Critical Incident Response da agência iniciou um teste piloto com as capacidades atuais da ferramenta. O que está pronto até agora permite automatizar cerca de um terço da burocracia associada ao sistema de gestão de processos da agência. Durante as próximas duas semanas, o piloto será estendido para outros dois escritórios.