Ao falar sobre a forma que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pretende utilizar seu trabalho para melhorar os serviços oferecidos à população, o CIO do governo federal daquele país, Vivek Kundra, fez confissões perturbadoras a respeito da ineficiência de sua área. Uma de suas tarefas, por exemplo, é agilizar o processo para que […]
Ao falar sobre a forma que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pretende utilizar seu trabalho para melhorar os serviços oferecidos à população, o CIO do governo federal daquele país, Vivek Kundra, fez confissões perturbadoras a respeito da ineficiência de sua área.
Uma de suas tarefas, por exemplo, é agilizar o processo para que os veteranos de guerra dos Estados Unidos consigam receber seus benefício, já que hoje o processo demora cerca de 160 dias. “Isso porque a Administração dos Veteranos trabalha apenas com documentos em papel, os quais são transportados de uma mesa para outra”, relata o CIO, ao afirmar que em alguns casos as pastas com todo o histórico precisam ser enviadas entre as diversas repartições por Correio.
Esse caso foi apenas um dos problemas descritos por Kundra durante uma palestra que ele realizou na última semana na Universidade de Washington. O objetivo da apresentação foi abordar os problemas com a infraestrutura de TI do governo norte-americano e apresentar algumas possíveis soluções.
Outro exemplo de obsolescência citada pelo CIO foi o caso da E.U. Patent and Trademark Office – órgão que regula marcas e patentes nos Estados Unidos. A entidade leva hoje três anos para encerrar um processo para obtenção de uma patente, contou. “Uma razão para essa demora é porque o departamento recebe esses formulários online, imprime os documentos e, então, alguém precisa digitar as informações manualmente em outro sistema”, contou o CIO.
Além disso, Kundra revelou que quando ele entrou no governo descobriu que as regras para distribuir os equipamentos BlackBerry para os funcionários eram baseadas no número de anos que eles estavam trabalhando para o governo. O que, na visão dele, era algo completamente sem sentido, uma vez que o adequado seria distribuir os equipamentos com base nas funções desempenhadas pelos profissionais e a necessidade de acesso às informações.
O executivo revelou ainda que o Departamento de Estado gastou 133 milhões dólares nos últimos seis anos em relatórios sobre sistemas de segurança. “Eles são preparados a cada três anos ou mais e depois arquivados em salas seguras”, detalhou Kundra, acrescentando: “Mas, francamente, a papelada e os relatórios estão mais seguros do que
as soluções que eles supostamente deveriam ajudar a proteger.”
Saídas no setor privado
De acordo com o CIO, seu trabalho agora é analisar as empresas privadas com o intuito de buscar sugestões de como o governo norte-americano pode melhorar sua infraestrutura de TI. “O presidente sabe que as melhores ideias não estão necessariamente nas quatro paredes de Washington (cidade onde está a sede do governo)”, ressaltou. Para tanto, ele disse que tem o objetivo de ouvir também as soluções propostas pelos cidadãos.
Kundra recentemente reuniu os CIOs de várias cidades dos Estados Unidos com o intuito de discutir a criação de APIs (interfaces de programação dos aplicativos) abertas para o serviço 311 – um número de telefone a partir do qual os cidadãos podem consultar ou deixar informações de interesse público. Isso evitaria que cada cidade criasse suas próprias soluções, o que dificultaria a integração dos dados.
O governo de Obama já executou um projeto semelhante com os dados federais ao lançar o site data.gov, que oferece 169.000 informações a respeito todas as áreas públicas, incluindo transporte, saúde, energia, meio-ambiente e defesa.
Por fim, Kundra revelou que está examinando a estrutura de data centers federais e que, nos últimos anos, saltou de 432 para 1.100 instalações. Uma das alternativas estudadas pelo especialista é adotar cloud computing (computação em nuvem) para reduzir a dificuldade de gestão de todos esses ambientes.