Mercado em transformação obriga organizações a adaptarem suas estratégias
Nós de TI trabalhamos com transformações. Mudamos de plataforma, de processos, de metodologias, de linguagem e, às vezes, até de área. Gostamos disto. Pelo menos, quando a mudança é provocada por nós. A época atual, entretanto, talvez venha provocando mais transformações do que estamos acostumados. Não deixa de ser curioso: a área de TI, que sempre reivindicou ser protagonista das transformações, agora observa as novas gerações com um olhar um tanto perplexo.
Não acho que isso seja exatamente um problema. Eu, de qualquer forma, tenho uma visão otimista disso tudo. Vejo meus filhos e observo uma capacidade de interação e uma facilidade de absorver as ?novidades? como características positivas. Acredito ser este um momento rico para aprofundarmos uma reflexão que envolve mais do que uma ?queda de braço? entre segurança e inovação. Afinal, a social computing não afeta somente a TI e seus profissionais. Ela é um fenômeno sociológico e, neste sentido, uma grande oportunidade para vivermos este momento e nos questionarmos sobre os reais impactos dela nas nossas vidas e nas organizações.
Em 2001, Don Tapscott, escreveu o artigo Rethinking Strategy in a Networked World (or Why Michael Porter is Wrong about the Internet). Nele, como o título sugere, o autor criticava a posição do guru de estratégia Michael Porter, que defendia que a internet seria apenas mais uma ferramenta na mão das empresas e que a forma tradicional de se conceber a estratégia precisava ser resgatada, uma vez que a então proclamada ?nova economia? de fato não existiria ? na ocasião discutia-se o estouro da bolha das empresas pontocom.
Tapscott, por sua vez, argumentava que a forte integração entre empresas e pessoas seria a característica de uma nova forma de economia, cuja expressão máxima era a internet. Por isso mesmo, ele propunha que as empresas revissem seus modelos de negócio a partir desta nova perspectiva.
Quis resgatar este episódio porque ele nos ajuda a refletir sobre o momento que atravessamos. A geração Y ? dos nascidos entre 1977 e 1997 ? é um bom exemplo. Na verdade, suas características documentam as transformações sociais que vivemos, confirmando o que previra Tapscott. Acredito que isto nos remeta a uma nova abordagem quanto à essência da nossa atividade, suscitando, por exemplo, um aprofundamento da visão sobre o alinhamento entre TI e negócio.
A social computing aponta para novas formas de estruturas organizacionais. Este mercado em transformação acaba obrigando as organizações a adaptarem as próprias estratégias, refletindo assim nos seus modelos de negócio. Com esta interdependência total entre estratégia e TI, parece que discutir o alinhamento com o negócio será coisa do passado… da mesma forma que todos nós, seremos também, ilustres integrantes da geração Y!
* Etienne Hubert Vreuls é gerente-executivo de TI e processos da União de Lojas Leader e escreveu com exclusividade para InformationWeek Brasil
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