As pessoas são julgadas e avaliadas por resultados. Se deixam de gerar números positivos, tornam-se rapidamente dispensáveis
A InformationWeek Brasil ganhou uma seção especial, chamada CIO Insight (começou como Direto do Front), na qual reconhecidos CIOs do mercado escrevem um artigo. A idéia é transformar o espaço em um lugar no qual os executivos de TI possam se expressar, relatando cases, debatendo o futuro da TI nas empresas, abordando temas de seu dia-a-dia e da atualidade. Periodicamente, publicaremos o material também no IT Web. Confira o segundo artigo, de Sergio Arai, diretor-executivo de TI do Hospital Israelita Albert Einstein.
Na Wikipedia, este termo é definido como um conceito que descreve o vínculo organizacional do indivíduo com uma instituição. Tenho vários anos de atividade profissional e, há algum tempo, tenho notado uma mudança na motivação de trabalho das pessoas.
No passado, era comum encontrar equipes cuja maior motivação era efetuar uma realização, seja um projeto ou a solução de um problema. Hora extra, banco de horas ou benefícios eram conseqüências e não motivações para o trabalho. Incontáveis vezes eu e outros colegas de trabalho passamos noites e fins de semana para cumprir uma data de entrega. E não foi por imposição; foi por compromisso com um prazo, pela satisfação de ver o resultado esperado materializado.
Atualmente, não é incomum conhecer pessoas cujo compromisso é com o horário e não com as realizações. Hoje, o lema é: ?cumpro minha jornada, se os objetivos foram ou não atingidos, deixa de ser meu problema?. Outro dia, o CIO de uma empresa me perguntou como era nossa eficiência em conduzir projetos. O motivo da pergunta? Sua empresa não pagava horas extras e, por isto, era difícil ter compromisso com prazos. A equipe trabalha oito horas por dia e o projeto termina quando der. Alguns podem alegar falha de planejamento, mas atire a primeira pedra quem consegue estimar projetos com tamanha precisão de horas.
Conversando com outros profissionais acompanhei casos de funcionários, inclusive de nível gerencial, que ficaram pouco tempo na empresa após mudar de emprego. Não se trata de problema de adaptação: as pessoas mudaram porque receberam uma proposta melhor. Estavam com mais de um processo seletivo em andamento, aceitaram uma oferta e algumas semanas depois receberam uma outra financeiramente mais atrativa.
Deixaram a empresa de mãos vazias sem se importar com o prejuízo e com sua própria carreira. Para a empresa, é o início de outro processo seletivo, várias semanas para procurar currículos, investimento em tempo com entrevistas, negociação de remuneração, exame admissional, kit de integração e por aí segue. Para o profissional, fica a sensação de ter feito o melhor, desde que não se importe com sua imagem no mercado.
A relação entre empresas e funcionários mudou. Em muitos pontos para melhor, mas tenho dúvidas se evoluímos na questão do compromisso. As empresas possuem sua parcela de culpa. As pessoas são julgadas e avaliadas por resultados. Se deixam de gerar números positivos tornam-se rapidamente dispensáveis.
Qual é o compromisso da empresa com a carreira de seu funcionário? Comprometimento é uma via de mão dupla, precisa existir o compromisso das empresas em dar oportunidade de ?reabilitação? a pessoas com mau desempenho. No caminho que estamos trilhando somos apenas um número para a empresa; e a companhia é somente fonte de receita para os funcionários. Onde fica o prazer por ter um trabalho bem feito?
Sempre é bom lembrar que citei alguns exemplos para ilustrar este artigo. Ainda há muitas pessoas que vivem para ?realizar?. Para encontrá-las, olhe para os lados e procure na lista dos profissionais bem-sucedidos.