O CIO precisa atuar com foco nas questões estratégicas de negócio e menos em tecnologia, porém, é importante não descuidar da TI
A InformationWeek Brasil ganhou uma seção especial, chamada
CIO Insight (começou como Direto do Front), na qual reconhecidos CIOs do mercado escrevem um artigo. A idéia é transformar
o espaço em um lugar no qual os executivos de TI possam se expressar,
relatando cases, debatendo o futuro da TI nas empresas,
abordando temas de seu dia-a-dia e da atualidade. Periodicamente,
publicaremos o material também no IT Web. Confira o segundo artigo, de Fabio Faria é diretor-corporativo de TI da Votorantim Industrial.
Você conhece alguma outra função corporativa, além de CIO, para a qual são necessárias readequações ou incorporações tão freqüentes de competências, habilidades e responsabilidades ao profissional, ou seja, que este tenha de remodelar-se por completo em ciclos cada vez mais curtos? Será que somente o CIO precisa ter este perfil ?camaleão? em relação às exigências de adaptabilidade e flexibilidade impostas nas mais diversas situações do dia-a-dia de trabalho? Ou também é um requisito que atinge os demais níveis executivos nas organizações?
Estas indagações são decorrentes de teorias que aparecem a todo o momento, acompanhadas de títulos reluzentes como, por exemplo, o ?O CIO do futuro? e ocupam mais e mais espaços nas revistas especializadas do setor, assim como é tema freqüente nas apresentações e discussões nos principais eventos que envolvem a tecnologia da informação (TI). Estas novas ?versões de CIO? são rapidamente difundidas e, com maior ou menor intensidade, acabam influenciando as percepções e as crenças dos usuários de TI corporativos, que passam a exigir e delegar novas atribuições ao CIO e à equipe.
Independente do que falam ou publicam sobre o assunto, é um consenso corriqueiro que o CIO precisa atuar com foco, presença e efetiva contribuição nas questões estratégicas de negócio e menos em tecnologia, porém, é importante que ele entenda e dê prioridade aos assuntos pertinentes à sua área, assim como acompanhe permanentemente os principais movimentos globais do setor e as possíveis oportunidades de apresentar e introduzir soluções que viabilizem inovação, eficácia, simplificação e diferenciais competitivos ao modelo de gestão das organizações.
Isso exige um conhecimento bem mais abrangente do que apenas o técnico e deve ser desenvolvido e aplicado no dia-a-dia pelo CIO para que este interaja de maneira proativa, assertiva e com desenvoltura nos processos representados pelos diversos níveis hierárquicos corporativos, buscando comprovadamente agregar valor. Também é imprescindível que atente a outros aspectos importantes como o relacionamento, o poder de influência e a credibilidade de forma a ajudá-lo a mitigar eventuais situações de conflitos que possam comprometer sua imagem e da equipe que lidera.
Em função da velocidade e do dinamismo com que ocorrem as mudanças nos negócios, temos, em contrapartida, demandas sempre crescentes para a área de TI, tornando-se fator crítico de sucesso ao CIO o devido entendimento, priorização e atendimento das necessidades com foco, principalmente, em resultados. Neste contexto, aquilo que é exigido do CIO também deve ser prontamente compartilhado e alinhado com o time de TI, que necessita estar qualificado para suportar os desafios cada vez mais complexos. Para isto, é importante estabelecer práticas de governança que viabilizam a efetiva gestão da área e a maximização no uso dos recursos, soluções e serviços de TI.
Mas, afinal, para assumir novas atribuições e responsabilidades, a função de CIO precisa de fato ser reinventada continuamente ou trata-se simplesmente de uma evolução natural na carreira? Certamente, teremos mais uma completa explicação desta questão na próxima ?versão do CIO? a ser lançada em breve.