TI está se transformando em uma “nuvem” global acessível de qualquer lugar. Isto pode mudar o modo como se conduzem os negócios
A computação passou por diversas fases, com mudanças de tecnologia e adaptações às demandas ao longo do tempo. Assistimos o mainframe como a plataforma adotada originalmente pelas organizações. Computadores que enchiam salas, num momento em que a IBM era a principal fornecedora de hardware e oferecia serviços necessários à manutenção e evolução da plataforma.
Com o movimento de downsizing de plataforma surgiram oportunidades para muitas empresas, antes inexpressivas, preencherem lacunas que se abriam. É fato que ocorreu uma descentralização do poder de processamento e armazenamento, requerendo maior uso das redes e dando maior autonomia para os dispositivos pessoais (PCs, smartphones, etc.).
O que assistimos agora, com a computação em nuvem, é uma nova transformação do modelo, que conjuga o poder da mobilidade, com a capacidade dos recursos centralizados, podendo ser consumidos onde e quando forem necessários, através de dispositivos que basicamente se conectem à internet.
Para acompanhar esta demanda temos uma sequência natural de combinações. Por um lado vemos a necessidade latente do uso de redes mais rápidas, tornando a conectividade um elemento crítico e o dispositivo de acesso um elemento menos relevante. Os data centers tornam-se mais importantes, passando a fábricas de serviços. Este novo desenho traz vantagens tanto na montagem de uma “nuvem privada” como no uso dos serviços já disponibilizados em “nuvem pública”.
Um tópico que preocupa a adoção da computação em nuvem, por parte das empresas, tem sido a segurança. Por um lado, a centralização do poder de processamento, contanto que garantidas as questões de disponibilidade e recuperação, é benéfica para a segurança, sendo mais eficiente cuidar de um ambiente centralizado e controlado. Por outro lado surgem outras necessidades e preocupações. Um exemplo clássico seria a questão de cumprimento das legislações locais, por parte dos grandes fornecedores de computação em nuvem.
Numa tecnologia onde o armazenamento pode estar distribuído ao redor do mundo é necessário tomar algumas precauções com alguns detalhes localizados. E-mails baseados em web, por exemplo, segundo as leis americanas, podem ser lidos por agentes da lei, sem avisar o destinatário. A computação em nuvem pode se tornar uma nova forma de globalizar alguns tratamentos no âmbito de TI e legislação pertinente, mas por enquanto é bom se precaver.
Em minha opinião tem muita oportunidade de negócio que acompanhará esta onda e como as empresas têm sido pressionadas constantemente a fazer mais com menos, manter os próprios data centers com suas estruturas atuais tem sido tarefa complexa, que requer pessoas, espaço, energia e serviços. O uso da computação em nuvem pode ser uma resposta para mais esta transformação.
*Pedro Paulo Neves é gerente de TI do Grupo Coimex
Leia também: