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CIOs contam por que não abandonam mainframe

Muitos consideravam o mainframe morto. Contrariando previsões, ele resiste sustentando atributos como segurança, estabilidade e desempenho

Publicado: 17/05/2026 às 06:25
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11 minutos
CIOs contam por que não abandonam mainframe
Construção civil — Foto: Reprodução

O mainframe tem 45 anos de idade e já se perdeu a conta de quantas vezes sua morte foi decretada por analistas sérios ou de ocasião. Mas, se depender dos seus usuários, a plataforma que processa dados críticos de grandes negócios está longe de se aposentar. Pesquisa global da BMC Software com mais de 1,5 mil corporações revela que a máquina está viva e muito bem, e que há mais interesse das empresas em modernizá-lo do que em substituí-lo. A maioria dos respondentes (77%) afirma que a crise econômica não levou a TI a repensar migrações de ou para a plataforma alta. Dois terços apontam que sua utilização deverá crescer e atrair novas cargas de trabalho. Apenas 3% acreditam que a maioria dos usuários deve considerar estratégia de saída nos próximos cinco anos, por inviabilidade da tecnologia no mercado em geral.

Esses gigantes passaram de um ciclo vicioso de tecnologia ultrapassada para um ciclo virtuoso de crescimento, com modernização do legado e desenvolvimento de novas tecnologias, na visão de Olimpio Pereira, diretor da unidade de Mainframe Service Management da BMC Software para a América Latina. “O fato é que bem que se tentou (matar o mainframe), mas, devido a barreiras tecnológicas no ambiente distribuído, tiveram que ressuscitá-lo. Afinal, qual outro tipo de servidor pode gerenciar milhões de registros de forma tão eficiente e estável?”, provoca.

Por ser um grande servidor que centraliza o processamento de dados, é comum sua utilização para as principais aplicações batch, grandes bancos de dados e operações online de transação intensiva. “Em alguns casos, as aplicações podem estar em servidores da baixa plataforma e acessando os bancos de dados que são processados no mainframe. Cada plataforma tem seu papel e todas são complementares ou atuam em nichos específicos, dependendo da carga”, explica José Eduardo Vilela, executivo de iniciativas acadêmicas para a tecnologia da IBM Brasil.

Para os defensores, ele se mantém viável porque repete os mesmos níveis de serviço que em outras plataformas sairiam mais caros, sem contar os custos e riscos da migração. Além disso, as tecnologias disponibilizadas permitem cada vez mais integração entre os dois ambientes. Por fim, o desempenho das máquinas aumentou nos últimos anos, o que o permite suportar muitas das chamadas “cargas novas”, como sistemas que rodam sobre Linux e aplicativos desenvolvidos na linguagem Java. “Hoje, muitos clientes compram mainframe para rodar uma boa porção ou até inteiramente os sistemas novos, com benefícios que incluem menor custo de propriedade e modelo de precificação competitivo”, diz Vilela.

Tempos modernos

Para a equipe de TI da Mercedes-Benz, usuária da tecnologia desde meados dos anos 60, as mudanças são visíveis, a começar pela redução de suas dimensões. “É injusto ver a plataforma como sinônimo daquele enorme computador antigo que ocupava uma sala inteira e processava aplicações com telas alfanuméricas verdes”, analisa Wagner Coppede, diretor da área de gerenciamento de recursos, qualidade, segurança e infraestrutura de TI da montadora no Brasil. A realidade é bem diferente disso para a companhia que se utiliza de servidor enxuto e não perde o sono quanto ao futuro da plataforma, que responde pelo processamento das aplicações de parte do sistema de gestão da empresa. “A tecnologia se destaca pela segurança, estabilidade do ambiente, poder computacional e custo do processamento. Não acredito que tenda a desaparecer”, projeta.

A definição da plataforma a ser utilizada na Mercedes-Benz leva em conta a aplicação e as necessidades de um negócio em plena expansão – aumento de 56% nas vendas de suas duas marcas (Mercedes-Benz e Smart) em 2009, no auge da crise econômica, e ampliação do ritmo de lançamentos em 2010, com previsão de dez novos produtos já no primeiro trimestre do ano. Para suportar esse negócio, a montadora mantém o seu mainframe integrado com grande parte do processamento de 150 servidores físicos e virtuais de plataforma baixa, por meio de middlewares como MQ-Series. “Aplicações em áreas produtivas ou de chão de fábrica, como as destinadas à automação industrial, rodam em plataforma baixa, devido à necessidade de dedicação e tempo de resposta do servidor. Aplicações web, embora possam rodar no mainframe, também ficam neste ambiente, pela maior disponibilidade”, ilustra o diretor.

A utilização dos recursos que combinam adequação às características do negócio e melhor custo-benefício, em ambientes híbridos e integrados, deverá prevalecer no mercado, segundo Coppede. Ele ressalta, entretanto, que sua visão acerca do futuro pode mudar, dependendo das soluções encontradas para o que considera empecilhos na trilha da plataforma. “Há necessidade de um plano do fornecedor para formação de mão de obra especializada a médio e longo prazo. Para ele, grande parte das universidades deixou de formar profissionais para esse ambiente. “Os jovens que ingressam no mercado não têm interesse nessa plataforma por acharem que ela é old fashion. A disponibilidade de especialistas neste ambiente, principalmente em assuntos específicos, já apresenta restrições e esta situação tende a se agravar”, alerta o diretor, que também enxerga possível risco futuro no monopólio de fornecimento de hardware e software.

Antes do gargalo

Na RioCard, que  emite e gerencia o vale-transporte e gratuidades no Estado do Rio de Janeiro, a antecipação ao problema foi a forma encontrada pela TI para enfrentar eventual restrição de profissionais qualificados. “Estamos criando um centro para desenvolver e disseminar conhecimento na plataforma e para capacitar mais recursos em parcerias”, informa Homero Luiz Quintaes, diretor-executivo  da empresa. Em meio à correria para implementar o Bilhete Único daquele Estado, o executivo resumiu o porquê de a companhia investir em mainframe desde o início de suas atividades, em 2008: segurança, alta disponibilidade de equipamentos e produtos, alta capacidade de processamento, equipe enxuta e ambiente de fácil controle e gerenciamento.

“Temos informação sobre tudo o que acontece neste ambiente, que tem capacidade de atender a picos inesperados e nos possibilita usar totalmente os recursos disponíveis”, comenta o diretor. Ele destaca que, com o mainframe, a média de utilização dos recursos é de 90%, enquanto a média em outras plataformas não passa de 30%. Além de conseguir que diferentes aplicações rodem simultaneamente na máquina, Quintaes comemora a economia obtida com espaço físico e energia.

A RioCard conta com dois z10 EC da IBM, com aproximadamente 800 MIPS (milhões de informações por segundo) de capacidade total, softwares de armazenagem, gerenciamento e banco de dados, entre outros recursos. Adquirida com objetivo de modernizar e rodar ininterruptamente o sistema para emissão de cartões eletrônicos, a tecnologia, que já abriga todas as aplicações críticas, deverá receber em breve outros sistemas que atualmente rodam em plataforma baixa. “A migração de um ambiente para outro está cada vez mais simples”, acredita. Quintaes observa que o advento do Linux para mainframe tem promovido uma aproximação entre os dois mundos. O diretor não tem receio quanto a eventuais desinvestimentos dos principais fornecedores. “Percebemos que a IBM tem investido muito e lançado novas tecnologias nessa área”, diz.

Ritmo de atualizações

O CIO da Serasa Experian, Lísias Lauretti, tem a mesma visão. “Não percebo desinvestimento, a menos que seja não declarado, o que seria aterrorizador dada a magnitude da plataforma”, avalia o diretor da empresa de análises e informações para decisões sobre crédito e negócios que investiu pesado na substituição de suas máquinas em 2008, em plena crise econômica. Para o executivo, o mainframe não apenas superou os rumores de que iria desaparecer, como se firma na posição de grande business da IBM. “A máquina tem se modernizado e vem cada vez menor e melhor, suportando tecnologias que antes só se via na plataforma baixa. Quem já tem, tende a evoluir em seu uso, dependendo de cada caso. Quem está nascendo do zero é que pode olhar com restrições”, comenta. O diretor afirma que a única pressão que a TI da Serasa sente, no que se refere às máquinas, é no sentido de usar os recursos evolutivos que surgem a cada dia para a plataforma.

Presente na operação da empresa de análise de crédito desde 1975, o mainframe roda tudo que é considerado core na companhia. “A intenção é ter uma infraestrutura do tamanho da necessidade do negócio. Dada a disponibilidade, resiliência e confiabilidade, ele casa bem com a robustez da Serasa. Seu uso não apenas é justificado como crucial, porque o nosso core é o processamento de grande volume de dados. Usamos também Intel e alguma coisa de Linux”, diz Lauretti.

Mas o CIO não ignora as limitações do produto. “Há muito mais evolução e flexibilidade no mundo extra-mainframe, sem contar que o seu uso tem de ser justificado pelo porte e atividade do negócio”, compara. Por outro lado, ele diz que as desvantagens da plataforma, conhecidas de todo mundo, tendem a diminuir com a evolução tecnológica. “Acredito em uma convergência a médio prazo, em que o mainframe será só uma parte de algo maior. A aproximação dos dois mundos demandará um tipo de profissional para quem a plataforma será secundária, transparente”, diz Lauretti.

Novas gerações

Fornecedores de TI estão conscientes de que os rumores de morte anunciada prejudicaram a imagem da plataforma. Para rebater os receios de desinvestimento, Vilela, da IBM, lembra que nos últimos 10 anos a fornecedora lançou quatro gerações de mainframe em oito modelos de máquina, voltados para clientes grandes e pequenos. “A IBM investe cerca de US$ 1 bilhão por ano na plataforma, seja em hardware, software ou serviços”, dimensiona, apontando para um crescimento significativo no número de companhias que rodam seus sistemas Linux e Java na plataforma. “Além disso, várias empresas do mercado desenvolvem soluções de software para mainframe. Nos últimos anos, mais de 1,2 mil novas soluções foram criadas ou portadas para a plataforma, para Linux e para o z/OS”, diz.

Alguns dos principais players admitem que há redução no parque instalado, se essa medida considerar o número de usuários de mainframe. Por outro lado, argumentam que a quantidade de MIPS revela que o ritmo de crescimento das grandes instalações está acelerado. De acordo com a IBM, a base instalada de tecnologia dobrou em capacidade de MIPS nos últimos seis anos. Pereira, diretor da BMC Software, avalia que o mercado atingiu um ponto de equilíbrio onde as grandes instalações estão estáveis e crescendo, e as menores tomaram a decisão de sair da plataforma e praticamente já completaram a transição. Além disso – ele lembra -, há as inovações como partições Linux e os processadores especialistas, que prometem levar a plataforma alta a áreas antes restritas, sem a necessidade de migração.

A questão da escassez de mão de obra também é reconhecida como uma sombra no horizonte. Da sua parte, a IBM diz que desde 2006 a subsidiária brasileira ofereceu mais de 100 cursos em universidades e escolas técnicas e formou mais de 3,2 mil alunos no País. Mas Pereira, da BMC, diz que falta gente especializada. “O volume de investimentos voltou a crescer ano a ano, mas o fato é que a morte precocemente anunciada da plataforma reduziu investimentos em treinamento e desenvolvimento de pessoal”, justifica. Independentemente disso, o executivo prevê um papel importante para o mainframe no futuro. “Veremos a plataforma suportando iniciativas de e-commerce e mobilidade e atuando como a grande solução em computação verde e em economia de energia para os grandes data centers”, exemplifica. Mas isso depende diretamente do quão rápido o mercado vai aproveitar as possibilidades que as novas plataformas e os processadores especialistas representam.

A percepção das empresas usuárias

Permanece a percepção positiva sobre o mainframe diante das dificuldades econômicas

Disponibilidade, segurança e centralização continuam sendo as principais razões para a preferência pelo mainframe

Modernização de aplicações e recuperação de desastres são as prioridades de TI para o mainframe

Há um interesse crescente em z/Linux

Cresceram as preocupações sobre as competências do pessoal (aplicações, operações e programação)

A economia ruim não afetou a perspectiva do cliente sobre o mainframe, mas causou reduções nas projeções de crescimento da capacidade

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