Pesquisa mostra que 54,2% dos respondentes consideram fraca a compatibilidade da velocidade de banda ofertada e as necessidades corporativas
De olho na capacidade do Estado do Rio de Janeiro de suprir as demandas por infraestrutura de telecomunicações para suportar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, a Federação das Indústrias do RJ (Firjan) realizou uma pesquisa junto a líderes de tecnologia da informação de grandes companhias sediadas no Rio. A constatação acendeu um sinal de alerta: a qualidade dos serviços de telco está aquém do desejado em diversos pontos.
A pesquisa mostrou, por exemplo, que 50% dos respondentes consideram a qualidade das operadoras de banda larga fraca quanto à capilaridade e à presença nacional de seus serviços. Os links também não foram bem-classificados: 45,8% consideram a qualidade deles fraca. O item mais preocupante, no entanto, diz respeito à compatibilidade da velocidade de banda ofertada pelas operadoras e as necessidades corporativas. Mais da metade dos CIOs (54,2%) a considerou fraca.
Diante deste fato, a solução foi unir operadoras, empresas compradoras e o governo para discutir a questão. Nasceu, assim, o evento “Os serviços de telecom e a competitividade empresarial”, uma realização da Firjan, que reuniu, na ultima segunda-feira (28/3), o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, os presidentes das operadoras Oi e Telefônica, CIOs de companhias sediadas no Rio, além de membros do governo. “Nosso objetivo é fazer movimento para identificar os gargalos e começar um projeto para resolver isto no RJ – e isto também é federal”, relatou à InformationWeek Brasil o presidente do Grupo CIO-RJ, Sérgio Hart, que também lidera a TI da L’Oreal no Brasil.
O Estado – completou o executivo – precisa se preparar para os grandes eventos e também para o crescimento das empresas. “É o primeiro encontro dentro de um processo mais amplo que esperamos que culmine em modificações do setor. Nosso objetivo é ter no Rio um local onde multinacionais possam permanecer, crescer e atrair outras. Queremos trazer a inteligência para cá.”
No painel liderado por CIOs, foram abordados tópicos cruciais para o departamento de TI, como disponibilidade, gap entre demanda e oferta, atendimento às empresas, entre outros. “Problemas operacionais afetam as empresas, tanto pelo lado industrial, como comercial, porque os sistemas, cada vez mais, dependem de banda larga, de placas 3G e há áreas de sombras”, ressaltou Hart. “Ficou notório no estudo que o setor corporativo vem acarando com os custos e sendo obrigado a criar a sua própria infraestrutura”, salientou Ana Hofmann, da Firjan e responsável pela organização do evento.
A vontade da Federação, explica Ana, é “incluir para telcos e para governo a visão de que na negociação da concessão de telecomunicações é necessário incluir questões de obrigatoriedade para o mercado corporativo – e não apenas para usuários final”.
Próximos passos
Passado o primeiro evento, pontapé inicial, o grupo CIO-RJ vai se reunir com a Firjan para discutir a pauta que será endereçada ao ministro. Eles almejam ações de conscientização de todos os players para a necessidade de atender ao mercado corporativo. “Vamos ter reunião com assessores do ministro das comunicações e negociar o que podemos conseguir no curto, médio e longo prazos. Trazer o ministro foi maravilhoso. Conseguimos abrir canal e agora a bola está com a gente. Temos de ser claros sobre o que queremos”, enfatiza Hart.
Para Ana Hofmann, o evento criou um caminho de discussão que não havia antes entre empresas, operadoras e governo. “Agora vamos fazer reuniões com ministério e sindicato das operadoras para ter marcos regulatórios para atender ao mercado corporativo e com sindicatos para melhorar mão de obra para atender às companhias.”