Vivendo o desafio de consolidar uma cultura estratégica na Fundação Butantan, Claudia Anania, diretora de tecnologia, enxergou na TI a solução para uma dor recorrente: o excesso de equipamentos e a dificuldade em acessar seus manuais. Localizar o documento certo, identificar a página com o problema e chegar à solução consumia tempo, expunha a riscos […]
Vivendo o desafio de consolidar uma cultura estratégica na Fundação Butantan, Claudia Anania, diretora de tecnologia, enxergou na TI a solução para uma dor recorrente: o excesso de equipamentos e a dificuldade em acessar seus manuais. Localizar o documento certo, identificar a página com o problema e chegar à solução consumia tempo, expunha a riscos de parada da produção e ainda era agravado pelo enorme volume de arquivos, muitas vezes em idiomas como francês e alemão, exigindo esforço contínuo de atualização e organização do acervo.
Surgiu nesse cenário o chamado projeto Mantis, criado para auxiliar os técnicos de manutenção da Fundação Butantan a encontrarem de forma mais rápida as respostas nos manuais dos equipamentos, por meio da inteligência artificial (IA).
“Carregamos os manuais em uma plataforma com IA, em que o técnico informa o equipamento e o problema, e recebe imediatamente a solução em português”, explica.
No entanto, até chegar ao resultado, Claudia e sua equipe enfrentaram muitos desafios, principalmente relacionados à organização dos dados. Segundo a executiva, além de estarem em grande quantidade, os manuais presentes no acervo tinham múltiplas versões, formatos distintos e conteúdo em diferentes idiomas.
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Outro ponto crítico foi garantir que a IA compreendesse os comandos e respondesse em português técnico, mesmo quando os documentos de origem estavam em inglês, alemão ou espanhol.
Para resolver todas essas questões de forma veloz, Claudia optou por um modelo de trabalho baseado na metodologia ágil Scrum, com sprints quinzenais e rituais de planning, daily, review e retrospectiva. “Essa forma de trabalho gerou clareza sobre o andamento do projeto, tanto para nós quanto para a área solicitante. A visualização no ágil gera tranquilidade para todos os envolvidos”, afirma.
Em conjunto com as equipes técnicas de manutenção, o time de tecnologia então criou um processo de curadoria e padronização para converter os documentos para formatos acessíveis à IA e organizando-os em um repositório centralizado.
Para superar a barreira dos diferentes idiomas, a equipe recorreu a modelos de IA generativa com suporte multilíngue, ajustando prompts e aplicando fine-tuning para garantir respostas consistentes. Durante o desenvolvimento, Claudia também promoveu testes em campo com os usuários para validar a solução.
“Os testes não só ajudaram a aprimorar a ferramenta, como também mostraram o quanto a tecnologia pode apoiar o trabalho dos colaboradores. É gratificante ver um resultado que realmente faz diferença para as áreas.”
Lançado em maio deste ano, o Mantis já auxiliou na redução de até 40% no tempo médio de busca por informações técnicas. O uso da tecnologia também aumentou a disponibilidade dos equipamentos e diminuiu o retrabalho e os chamados repetidos, garantindo assertividade do atendimento técnico e impacto direto na produtividade industrial.
Com o sucesso do projeto, outras áreas da Fundação Butantan passaram a procurar Claudia em busca de automação com IA. Ela, porém, faz um alerta: embora aumente a eficiência operacional, é preciso senso crítico para definir quais iniciativas realmente agregam valor à organização. “O objetivo é trazer inovações que façam diferença no dia a dia da área de negócio, para que a TI seja vista como parceira estratégica. E, neste caso, conseguimos entregar algo realmente relevante.”
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
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