Eu recentemente conversava com um colega que trabalha para um grande player de tecnologia. A companhia dele oferece soluções para departamentos de TI que pretendem construir a infraestrutura de cloud computing (computação em nuvem) dentro do próprio data center. O progresso dessa empresa tem sido impressionante. De qualquer forma, ele compartilhou comigo uma apreensão: “Eu […]
Eu recentemente conversava com um colega que trabalha para um grande player de tecnologia. A companhia dele oferece soluções para departamentos de TI que pretendem construir a infraestrutura de cloud computing (computação em nuvem) dentro do próprio data center. O progresso dessa empresa tem sido impressionante. De qualquer forma, ele compartilhou comigo uma apreensão: “Eu tenho a preocupação de que enquanto essas empresas devem trabalhar em planos que vão durar alguns anos – entre pesquisa, avaliação de performance, análise econômica e criação de um business case para justificar os investimentos – do lado dos aplicativos eles simplesmente vão migrar as soluções atuais para modelos on demand fornecidos na nuvem pública por empresas como a Amazon.” A partir dessa constatação criei uma teoria que eu chamo de efeito boomerang.
Na minha opinião, a preocupação do meu colega é parcialmente válida. Muitos engenheiros de software têm migrado para ambientes baseados na nuvem por conta da disponibilidade de recursos e baixo custo. Trata-se de uma tendência. Alguns meses participei de um painel sobre cloud computing com uma alto executivo de grande fornecedora de software. Em sua apresentação ele falou sobre a tendência dos desenvolvedores usarem o Amazon, mas demonstrou preocupação com a propriedade intelectual. Depois do fim do painel, durante um bate-papo informal ele contou que se sentia frustrado, já que os próprios desenvolvedores da sua empresa estavam usando a nuvem pública, mesmo sabendo de todos os riscos, por conta de ser muito mais simples do que o modelo tradicional.
Mas o que isso tem a ver com o efeito boomerang?
Na realidade, o que vem na minha mente é o conceito de geração boomerang, um fenômeno recente dos adultos voltarem para a casa dos pais. O pai e a mãe que nunca imaginaram que teriam de tomar conta dos jovens crescidos acabam ficando frustrados com a situação, mas a maioria sente que é sua obrigação acolher o filho e o faz com prazer.
E aqui está porque eu penso que os departamentos de TI também experimentarão o efeito boomerang em relação ao cloud computing. Quando os desenvolvedores finalizarem seu trabalho de criar as aplicações na nuvem serão pressionados a colocar a solução em produção. Depois disso, inevitavelmente o entusiasmo dos usuários em relação ao modelo irá crescer, bem como a dependência dos negócios em relação ao cloud computing. Nesse momento, os problemas virão à tona. Os desenvolvedores serão convocados para um novo projeto e não ficarão mais disponíveis para gerenciar a aplicação. Assim, aparecerão problemas de performance e as equipes não saberão o que fazer com eles.
No final das contas, os desenvolvedores correrão de volta para a equipe que cuida da operação para que ela volte a tomar conta da aplicação e garanta que a mesma está rodando de forma adequada.
Note que essa “volta para casa” da aplicação não significa necessariamente que ela vai retornar ao data center interno. Significa apenas que a responsabilidade voltará a ser da equipe que cuida da parte operacional da TI.