Se a transformação digital das empresas está alicerçada em pilares, indubitavelmente, a adoção da nuvem faz parte dessa consolidação que vivemos nos últimos anos. Em algum estágio da migração para a cloud – seja ele qual for – companhias dos mais diversos setores econômicos enxergam a adoção dos serviços de infraestrutura nativos da nuvem como parte […]
Se a transformação digital das empresas está alicerçada em pilares, indubitavelmente, a adoção da nuvem faz parte dessa consolidação que vivemos nos últimos anos. Em algum estágio da migração para a cloud – seja ele qual for – companhias dos mais diversos setores econômicos enxergam a adoção dos serviços de infraestrutura nativos da nuvem como parte fundamental para potencializar os seus negócios. Essa é uma realidade indiscutível aqui no Brasil e em todo o mundo.
Não por acaso, o estudo IBM Transformation Index: State of Cloud, encomendado pela IBM e conduzido pela empresa de pesquisa The Harris Poll, aponta que 83% dos líderes empresariais e de TI no País adotaram uma abordagem de nuvem híbrida que pode ajudar a impulsionar a transformação digital – número seis pontos percentuais acima da média global.
Da mesma forma que há confiança em apostar na cloud, existem claro, desafios de gerenciamento da tecnologia. Equilibrar a balança entre velocidade, desempenho e custos não é tão simples assim e passaram a ser cruciais para as equipes de TI, que precisam fazer esse gerenciamento financeiro e prestar contas para os CFOs das organizações. O relatório State of the Cloud 2023, da Flexera, revelou que entrevistados indicaram um aumento de gastos na nuvem 39% acima do orçamento em relação ao ano anterior. Portanto, essa dinâmica da migração para a nuvem e os volumosos aportes financeiros são proporcionais às inquietações com gastos desnecessários.
Neste cenário de uso da nuvem muitas vezes ineficiente, comparado às expectativas iniciais, o conceito de FinOps se torna imprescindível para trazer transparência financeira às organizações. FinOps (abreviação de Financial Operations), alinha finanças, tecnologia e negócios com a mesma visão de “unidade econômica” e elabora um modelo operacional para seu uso eficiente, potencializando o valor dos negócios em ambientes híbridos e multicloud.
Quem aposta na adoção vai além: aumenta a velocidade de entrega de produtos e serviços aos seus clientes finais, removendo barreiras; capacitando os times de engenharia e desenvolvimento a trabalharem de forma ágil, dentro do custo esperado para o projeto. Uma estrutura FinOps, portanto, melhora o ROI dos projetos e aumenta a inovação – incentiva a responsabilidade financeira com transparência e propriedade, cria economia por meio da otimização do uso da nuvem e confiança e colaboração entre equipes e departamentos.
Mas como dar esse passo?
Bem, nesta altura imagino que já ficou claro que a aplicação de FinOps requer uma mudança de cultura dentro da empresa, com engajamento de equipes multidisciplinares. Existe uma definição de jornada, criada pela FinOps Foundation, que consiste em Informar, Otimizar e Operar. Vamos a elas:
É hora de automatizar!
A otimização da nuvem, invariavelmente, demanda que aplicativos obtenham recursos que precisam para manter o desempenho contínuo e automatizado. Neste contexto, companhias que já estão na jornada de FinOps sabem que assegurar o desempenho através da alocação de recursos é a única maneira de realmente gerar o maior valor no uso da cloud.
O uso de ferramentas e assets, com Inteligência Artificial incluído, se tornará essencial para as práticas de FinOps, pois é impossível detectar proativamente e ajustar manualmente eventuais anomalias financeiras sem impacto na velocidade do negócio. Faz-se necessário trabalhar em tempo real e em escala. As operações na nuvem que usam relatórios avançados e automação acabam gerando resultados diferenciados ao usuário, além de reduzir as despesas de cloud.
Por fim, volto a reforçar que FinOps, assim como diversos outros pilares da transformação digital no ambiente das empresas, passa por uma mudança cultural. Decisões multifuncionais e colaborativas – de executivos do mais alto escalão aos profissionais de TI – envolvem ações práticas e liderança pensada. Assim, FinOps se trata de agregar valor e potencializar o negócio como um todo, e não apenas uma ferramenta pontual para cortar custos.
*Roberta Hall é Líder de Alianças Estratégicas para IBM Consulting América Latina