Muito se tem falado sobre a importância de adotar a inteligência artificial (IA) na vida e cotidiano profissional, porém é importante lembrar que a vida profissional tem início na educação mais básica dos indivíduos. Assim como antigamente muitos de nós fizeram cursos básicos para lidar com diversas tecnologias úteis ao mercado de trabalho em nossa […]
Muito se tem falado sobre a importância de adotar a inteligência artificial (IA) na vida e cotidiano profissional, porém é importante lembrar que a vida profissional tem início na educação mais básica dos indivíduos. Assim como antigamente muitos de nós fizeram cursos básicos para lidar com diversas tecnologias úteis ao mercado de trabalho em nossa época, como aprender a datilografar, aprender a usar o pacote Office, aprender a “navegar na internet” etc., a realidade de hoje está intimamente ligada a saber usar bem a IA.
É costume dizer que os jovens de hoje em dia já “nascem sabendo tudo de tecnologia”, mas isso não é bem verdade. Eles são sim expostos à tecnologia muito cedo, o que lhes permite aprender com maior facilidade, mas é preciso saber dosar isso pela saúde de cada um. É por isso que, a título de aprendizado, seria interessante que o uso da IA estivesse conectado à formação dos estudantes, de maneira coordenada por profissionais de educação, que efetivamente sabem como ensinar, direcionar e equilibrar o processo de ensino, explorando o que há de melhor nas tecnologias.
É preciso pensar uma utilização ética, crítica e responsável da IA na educação, tendo a tecnologia como apoio à aprendizagem, e para garantir isso, considero importante que comecemos na capacitação dos próprios educadores. Uma pesquisa recente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em parceria com o Instituto Significare, sobre IA na educação básica, apontou que 69,4% dos professores têm conhecimento inicial sobre IA, enquanto 9,7% apenas ouviram falar no assunto. Além disso, 1,2% não conhecem IA e 1,9% afirmaram ser especialistas.
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Apesar de muitos terem conhecimento inicial sobre a ferramenta, poucos são especialistas, logo, não estão bem capacitados para passar o conhecimento adiante em sala de aula. Apesar disso, ainda em relação à pesquisa, 80,6% dos docentes acham que a IA pode ajudar na criação de conteúdos interativos e 80,2% creem que as ferramentas são úteis no planejamento das aulas. Isso quer dizer que o valor da ferramenta é reconhecido, o que falta é investir em formação.
Em 2024, saiu a pesquisa Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil, realizada pelo Instituto Semesp. Ela aponta que três em cada quatro professores concordam com o uso da tecnologia e IA como ferramenta de ensino, mas os docentes também afirmam que a tecnologia teve um impacto tanto positivo quanto negativo na educação, por conta de os estudantes ficarem mais dispersos. Diante disso, percebemos que há um desejo por um melhor cenário para o uso da IA no ambiente escolar, mas é preciso investimento, tanto na infraestrutura necessária quanto na capacitação dos professores para orientar os alunos no uso adequado das ferramentas.
Curiosamente, já temos exemplos no Brasil de investimentos na formação de professores para o ensino de IA. No Piauí, 740 professores estão, em 2025, participando do programa de formação SeducIA, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) em parceria com a Unipampa, UFRGS e Instituto Federal Farroupilha. A proposta é ajudá-los a cumprir com a medida do estado, que é o primeiro nas Américas, de incluir IA como disciplina obrigatória na educação básica, com foco na modernização do ensino e na preparação dos estudantes para o mundo digital.
É preciso que mais e mais estados adotem esse tipo de iniciativa. No futuro, os profissionais, que um dia começaram como alunos, já chegarão ao mercado de trabalho conhecendo IA como se conhece hoje ferramentas digitais básicas, plenamente capacitados a transformar o cenário de IA em todo o país. Como sempre, o ponto de partida é a educação — e ela começa por quem educa.
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