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Cibersegurança no Brasil 

O avanço exponencial das tecnologias digitais transformou profundamente o funcionamento de governos, empresas e sociedades em escala global. No Brasil, essa transformação é marcada por oportunidades de inclusão econômica e social, mas também por desafios estruturais relacionados à segurança digital.  A construção de uma estratégia nacional robusta em cibersegurança é essencial para que o país […]

Publicado: 13/03/2026 às 14:22
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9 minutos
Cibersegurança no Brasil 
Construção civil — Foto: Reprodução

O avanço exponencial das tecnologias digitais transformou profundamente o funcionamento de governos, empresas e sociedades em escala global. No Brasil, essa transformação é marcada por oportunidades de inclusão econômica e social, mas também por desafios estruturais relacionados à segurança digital. 

A construção de uma estratégia nacional robusta em cibersegurança é essencial para que o país se posicione como um ator digital resiliente, autônomo e competitivo globalmente. O debate internacional mostra que países como Alemanha, França e China vêm adotando políticas de nuvem soberana, certificação de fornecedores e investimentos massivos em infraestrutura local para reduzir dependências externas e proteger ativos nacionais. 

Leia também: Cidades inteligentes centrada no cidadão: quando dados e pessoas caminham juntos

No Brasil, os desafios são ainda mais pronunciados, devido a lacunas institucionais, déficit de profissionais especializados e fragmentação regulatória. Estudos destacam que o país carece de uma abordagem coordenada, que integre políticas de segurança cibernética, inovação tecnológica e proteção de direitos fundamentais. 

Este artigo propõe um conjunto de políticas públicas articuladas para fortalecer a resiliência digital do Brasil, com base nas melhores práticas internacionais, legislação pertinente e nos debates contemporâneos. 

1. Cibersegurança no Brasil 

No Brasil, o debate sobre cibersegurança ocorre em um contexto marcado por desafios específicos: déficit de capacidades técnicas, vulnerabilidades em infraestruturas críticas e dependência tecnológica externa.  

O relatório “Reporte Ciberseguridad 2020” destaca que apenas 12 países da América Latina contam com estratégias nacionais de cibersegurança e que o déficit de recursos humanos especializados permanece como uma barreira estrutural. Complementarmente, o “Latin American Economic Outlook 2023” reforça que o desenvolvimento sustentável da região depende de uma transformação digital inclusiva, que considere não apenas os ganhos econômicos, mas também os riscos à segurança. 

No plano global, novos desafios estão surgindo rapidamente com a evolução tecnológica. O relatório “The State of AI Cyber Security” revela como a IA está sendo utilizada para sofisticar ataques cibernéticos, inclusive com deepfakes, automação de malwares e engenharia social avançada. Paralelamente, o relatório “Space Threat Landscape” chama atenção para as ameaças crescentes a infraestruturas espaciais, como satélites e redes globais de comunicação, fundamentais para operações críticas no planeta. O “Global Cybersecurity Outlook”  sintetiza essas tendências, alertando que a resiliência cibernética depende não apenas de investimentos em tecnologia, mas também de liderança política, cooperação internacional e fortalecimento de capacidades nacionais.  

O Brasil tem desenvolvido uma legislação para abordar a segurança cibernética e a proteção de dados. Mais recentemente, o Brasil instituiu a Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber) através do Decreto nº 11.856, de 26 de dezembro de 2023. A finalidade da PNCiber é orientar a atividade de segurança cibernética no País, tendo como um de seus princípios a soberania nacional. A PNCiber busca uniformizar a diversidade regulatória e reduzir os danos infligidos à sociedade por ataques cibernéticos 

A PNCiber é instrumentada pela Estratégia Nacional de Cibersegurança e pelo Plano Nacional de Cibersegurança. O Decreto também instituiu o Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber) para acompanhar a implementação e evolução da PNCiber. O CNCiber é composto por representantes do governo, sociedade civil, instituições científicas e entidades do setor empresarial, tendo a missão de propor atualizações para a PNCiber, a Estratégia e o Plano, avaliar medidas para incrementar a segurança, formular propostas para o aperfeiçoamento da resposta a incidentes, promover a interlocução com entes federativos e a sociedade, e propor estratégias de cooperação internacional (Polido, 2024). 

O Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a proteção do ambiente digital sem comprometer a evolução rápida e saudável do setor tecnológico. Para isso, é essencial adotar estratégias que incentivem a segurança cibernética sem restringir a inovação, garantindo um ecossistema digital robusto e confiável. 

Uma das abordagens fundamentais nesse processo é a adoção de padrões abertos e tecnologias nacionais, fortalecendo a autonomia digital do país. O incentivo ao desenvolvimento de soluções próprias voltadas à segurança cibernética permite maior controle sobre infraestruturas críticas e reduz dependências externas. A PNCiber reforça essa necessidade, promovendo iniciativas que impulsionam a criação de produtos e serviços alinhados aos interesses estratégicos do Brasil. 

Além disso, a segurança deve ser incorporada desde a concepção dos produtos e serviços digitais. O conceito de Security by Design, já presente na LGPD, exige que medidas de proteção sejam observadas desde as etapas iniciais do desenvolvimento. A PNCiber reforça essa ideia, destacando que medidas técnicas e administrativas bem implementadas são a base para evitar ataques cibernéticos e mitigar vulnerabilidades sistêmicas. 

Por fim, a capacitação técnico-profissional é um aspecto central da PNCiber. Investir na educação em segurança cibernética é fundamental para ampliar a resiliência digital do país e formar talentos capazes de enfrentar os desafios contemporâneos. A promoção da Política Nacional de Educação Digital e da Estratégia Brasileira de Educação Midiática contribui para uma maior conscientização sobre oportunidades e riscos no ambiente digital, fortalecendo a segurança nacional e incentivando a inovação responsável. 

2. Políticas públicas para fortalecer a resiliência 

Capacitação e fortalecimento do capital humano: O déficit de profissionais especializados é um dos principais gargalos do Brasil. É necessário criar programas nacionais de capacitação em cibersegurança, IA e gestão de riscos, contemplando desde formação técnica até programas de pós-graduação e capacitações específicas para agentes públicos. Políticas de inclusão digital também devem garantir que pequenas e médias empresas tenham acesso a conhecimentos básicos de segurança. 

Regulação alinhada a padrões globais: O Brasil deve avançar na harmonização de suas normas de segurança cibernética com padrões internacionais, como os frameworks do NIST, as normas ISO/IEC e as diretrizes da European Union Agency for Cybersecurity. Esse alinhamento deve ocorrer sem renunciar à autonomia regulatória, garantindo a proteção de interesses nacionais e a participação ativa em fóruns internacionais de governança digital. 

Proteção de infraestruturas críticas e cadeias globais: As infraestruturas críticas – como energia, telecomunicações, transportes, setor financeiro e ativos espaciais – requerem atenção prioritária. Diversos estudos apontam para a vulnerabilidade crescente de satélites e redes globais, destacando a necessidade de estratégias específicas para esses ativos. No contexto brasileiro, isso implica realizar mapeamentos de vulnerabilidades, criar protocolos de resiliência setorial e estabelecer centros integrados de monitoramento e resposta. 

A consolidação de uma estratégia nacional de cibersegurança no Brasil representa não apenas um imperativo técnico, mas uma dimensão essencial da soberania e da autonomia digital. O conjunto de políticas e marcos regulatórios que o país já construiu, como a LGPD e a PNCiber, fornece uma base relevante, mas ainda insuficiente frente à sofisticação crescente das ameaças e à rapidez da transformação tecnológica. Nesse cenário, fortalecer a resiliência digital requer compromisso político, clareza institucional e investimentos consistentes em inovação, capacitação e infraestrutura crítica, de modo que o Brasil consiga proteger seus cidadãos, suas organizações e seus ativos estratégicos. 

Ao mesmo tempo, é fundamental que essas medidas de segurança não se tornem barreiras à inovação e ao desenvolvimento econômico. A construção de um ecossistema digital seguro, competitivo e dinâmico deve combinar padrões globais de cibersegurança com estímulo ao empreendedorismo tecnológico e à pesquisa aplicada. Somente assim será possível promover uma transformação digital inclusiva, que amplie oportunidades, preserve direitos e posicione o Brasil como um protagonista resiliente e responsável no cenário digital global.  

Darci Indústria 4.0 e resiliência nas cadeias de suprimentosDarci de Borba é pesquisador do Think Tank da ABES, técnico de planejamento e pesquisa no Ipea, Doutorando em Administração na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e Mestre em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação.

Foto Luiz Felipe Vieira de Siqueira Brasil: leis por emoção e não por razão Luiz Felipe Vieira de Siqueira é advogado, pesquisador do Think Tank da ABES, Doutorando em Inovação & Tecnologia – PPGIT UFMG e sócio da Privacy Point. As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação. 

 

Referências 

European Union Agency for Cybersecurity. (2025). Space Threat Landscape. Publications Office. https://data.europa.eu/doi/10.2824/8841206 

Ifeanyi-Ajufo, N. (2023). Cyber governance in Africa: At the crossroads of politics, sovereignty and cooperation. Policy Design and Practice, 6(2), 146–159. Scopus. https://doi.org/10.1080/25741292.2023.2199960 

Kari, M. (2019). Protecting the besieged cyber fortress: Russia’s response to cyber threats. 2019-July, 685–691. Scopus. https://www.scopus.com/inward/record.uri?eid=2-s2.0-85070014506&partnerID=40&md5=c4d04ba33db3a9f561fe1052aa4fc5ec 

OECD, Economic Commission for Latin America and the Caribbean, CAF Development Bank of Latin America, & European Commission. (2023). Latin American Economic Outlook 2023: Investing in Sustainable Development. OECD. https://doi.org/10.1787/8c93ff6e-en 

Brasil. Decreto nº 11.856, de 26 de dezembro de 2023. Institui a Política Nacional de Cibersegurança e o Comitê Nacional de Cibersegurança. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 dez. 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11856.htm. Acesso em: 27 maio 2025. 

Polido, Fabrício Bertini Pasquot. Estado, soberania digital e tecnologias emergentes: interações entre direito internacional, segurança cibernética e inteligência artificial. Revista de Ciências do Estado, Belo Horizonte, v. 9, n. 1, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.35699/2525-8036.2024.53066. Acesso em: 27 maio 2025.

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