A escassez de talentos em tecnologia é um problema compartilhado por muitas indústrias e, em países como a Nova Zelândia, não tem sido diferente. Atualmente, há mais vagas abertas do que talentos disponíveis e a tendência é que esse cenário não se resolva facilmente uma vez que a digitalização dos negócios segue ritmo acelerado no […]
A escassez de talentos em tecnologia é um problema compartilhado por muitas indústrias e, em países como a Nova Zelândia, não tem sido diferente. Atualmente, há mais vagas abertas do que talentos disponíveis e a tendência é que esse cenário não se resolva facilmente uma vez que a digitalização dos negócios segue ritmo acelerado no pós-pandemia.
Na Nova Zelândia, onde o setor de TI caminha para ser o principal motor econômico do país, o desafio reserva ainda algumas particularidades. Afinal, estamos falando de um país com pouco mais de 5 milhões de habitantes.
Leia mais – SaaS para exportação: software acelera setor de TI da Nova Zelândia
Atualmente, o setor de TI é composto por mais de 20 mil empresas, sendo a grande maioria pequenas empresas. Juntas, empregam cerca de 114 mil pessoas. Segundo estudo recente da indústria, as empresas locais preveem que, em um futuro próximo, precisarão anualmente de quatro a cinco mil novos profissionais com habilidades em tecnologia. Caso esse obstáculo não seja resolvido, quais impactos as empresas poderão sofrer e, em uma maior escala, o país como um todo?
Soma-se a isso um fenômeno que a Nova Zelândia tem acompanhado. A competição por talentos é acirrada. Assim como no Brasil, muitos talentos também são atraídos para trabalhar remotamente para grandes empresas de outras regiões, tendo em vista que a pandemia popularizou o trabalho à distância. Experientes desenvolvedores na Nova Zelândia recebem, em média, cinco ofertas de emprego e permanecem não mais que um ano em uma companhia.
Sabemos que o setor de tecnologia tem se movimentado rapidamente e o sistema de educação tradicional não tem mantido o mesmo passo. A complexidade do tema requer uma abordagem multidisciplinar e demanda agilidade. Em resposta, o governo neozelandês delineou um plano de transformação da indústria de tecnologia que reconhece a necessidade de melhorar o funil de habilidades.
Em 2019, a tecnologia digital passou a fazer parte do currículo educacional na Nova Zelândia, incluindo disciplinas como pensamento computacional e design digital para solução de projetos. Recentemente, como parte do plano de transformação da indústria de TI foram anunciados adicionais US$ 20 milhões com foco no desenvolvimento do setor de Software as a Service (SaaS), prevendo também estímulos para atrair e desenvolver talentos na área. Outras ações previstas são fundos que visam aumentar a participação Maori e de mulheres no setor de tecnologia.
Historicamente, a Nova Zelândia conta com talentos vindos de outros países. Entretanto, as restrições causadas pelo Covid-19 represaram esse fluxo, pressionando o setor de TI. Como parte das estratégias do setor, o governo deu agora sinal verde para que os cargos em alta demanda tenham seu caminho acelerado para pedidos de residência no país. Entre os profissionais de TI mais procurados estão engenheiros de software sêniores, com a perspectiva de que os mesmos possam também treinar equipes de jovens talentos, fortalecendo o ecossistema local. Especialistas em cibersegurança, cientistas de dados e profissionais multimídia estão igualmente em alta.
Há outro movimento de olhar para além das fronteiras. A PikPok, desenvolvedora neozelandesa de games, viu na internacionalização de seus negócios uma forma de acessar mais facilmente talentos de primeira linha. Em fevereiro deste ano, comprou a colombiana Wizard Fun Factory, um dos mais antigos estúdios independentes de games da Colômbia. A base da Wizard, em Medelín, se tornou o primeiro estúdio da PikPok fora de sua sede em Wellington, NZ.
Leia mais – Nova Zelândia e Brasil firmam parceria para acelerar setor de agritech
A aquisição do estúdio colombiano também é uma amostra do amadurecimento de empresas de tecnologia na Nova Zelândia. Ao mesmo tempo, sabemos que a internacionalização traz ganhos imensuráveis quando se olha para a diversidade de talentos e conexões. Na New Zealand Trade and Enterprise (NZTE) apoiamos empresas neozelandesas que buscam internacionalizar seus negócios também entendendo as oportunidades e desafios de cada mercado antes de iniciarem suas operações.
Atrair e reter talentos passa por entender e atender demandas que mudam com o tempo. Com a pandemia, passou-se a falar muito mais de modelos híbridos de trabalho e um foco dedicado à chamada Experiência do Funcionário, algo que não aparecia no radar das empresas. À medida que novas gerações entram no mercado de trabalho, a relação com o que se busca com os empregos também muda. Uma pesquisa apontou que 40% das pessoas que vivem em Auckland esperam que no futuro elas trabalhem de casa cerca de 80% de seu tempo, enquanto em Wellington, essa porcentagem fica em 55%.
A Nova Zelândia tem grandes planos para a sua indústria de tecnologia e alavancar oportunidades no setor para todos é uma forma de acelerar essas ambições. E como você está lidando com a escassez de talentos na sua empresa?
*Steve Jones é Diretor Regional da New Zealand Trade and Enterprise para a América Latina, onde a NZTE tem escritórios no Chile, Brasil, Colômbia e México. Já atuou como comissário de comércio e cônsul comercial no sul da China, cônsul geral em Dubai e nos Emirados do Norte e comissário comercial no Oriente Médio, África e Paquistão. Também co-liderou as estratégias da NZTE para educação internacional e para empresas de tecnologia de alto crescimento, e foi oficial de ligação do setor privado da NZTE com o Grupo Banco Mundial