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Do monoplano ao espaço: de onde vem a engenhosidade da Nova Zelândia?

Há mais de 100 anos, por volta de 1904, Richard Pearse colocava em prática uma invenção que fez dele o primeiro homem na Nova Zelândia a voar, não muito distante do que Santos Dumont e os Irmãos Wright conseguiram com suas respectivas aeronaves. Para decolar do solo, Pearse construiu seu monoplano com uma base de […]

Publicado: 16/03/2026 às 02:46
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Construção civil — Foto: Reprodução

Há mais de 100 anos, por volta de 1904, Richard Pearse colocava em prática uma invenção que fez dele o primeiro homem na Nova Zelândia a voar, não muito distante do que Santos Dumont e os Irmãos Wright conseguiram com suas respectivas aeronaves. Para decolar do solo, Pearse construiu seu monoplano com uma base de triciclo, usando bambu, aço tubular, arame e lona.

Lembro desse fato histórico para dar como exemplo um traço especial da cultura neozelandesa que tem passado de geração para geração e que ecoa muito bem com aqueles que buscam empreender em tecnologia. Por lá chamamos esse traço de “Number 8 Wire” ou ainda “kiwi ingenuity”, em tradução para o português algo como “engenhosidade neozelandesa”. Uma representação de uma atitude “faça você mesmo” e a habilidade de pensar para resolver qualquer problema. Essa postura de independência e inventividade do país se traduz também na cultura do povo Māori, no chamado “espírito Pōtiki”. Pōtiki é o nome dado ao filho caçula dentro de uma família Māori, reconhecido como o filho perspicaz, aquele que não tem medo ou inibição.

Essa forma de ver e resolver as coisas tem sua razão de ser. Se a necessidade é a mãe da invenção, tivemos de superar certa dose de desafio e responder com criatividade para nos tornarmos o país exportador que somos hoje. Ao se deparar com a escassez de certos produtos, em um período onde dependia da importação de ferramentas e tecnologia, a Nova Zelândia abraçou o espírito da curiosidade, o Pōtiki. Essa engenhosidade nos dá vantagens quando o assunto é criar novos mercados, novos produtos e novas tecnologias que buscam resolver problemas e demandas reais.

Pearse pode não ter conseguido voar longas distâncias no início do século passado, mas sua criatividade pavimentou o caminho para muitos inventores e tecnólogos na Nova Zelândia. Talvez você deva estar familiarizado com um dos grandes cases de sucesso no país: a Rocket Lab. Fundada em 2006, a empresa se tornou uma das principais referências em aviação espacial no mundo.

Diferente das agências espaciais estatais e até mesmo da agência privada SpaceX, que possuem capacidade para levar ao espaço cargas que pesam toneladas, a Rocket Lab decidiu focar em um novo segmento em ascensão: o de transporte de microssatélites. Para isso desenvolveu pequenos foguetes e de relativo baixo custo, ganhando um mercado global.

A “engenhosidade kiwi” da Rocket Lab pode ser vista na forma como eles desenvolveram um jeito inovador de construir foguetes, olhando para as tecnologias disponíveis que ajudaram também a baratear os custos de produção e, logo, os custos para lançamento de pequenos satélites. Impressoras 3D foram usadas para construir motores, bombas elétricas para fornecer combustível e fibra de carbono deram estrutura aos foguetes – métodos esses que, até então, não haviam sido usados para construir veículos espaciais.

Em pouco tempo, a Rocket Lab conseguiu feitos admiráveis. Sua operação estimulou a indústria espacial da Nova Zelândia, gerando um mercado estimado em US$ 1,69 bilhão e levou à criação da própria agência espacial do país. Hoje, a Nova Zelândia é um dos 12 países que possuem capacidades de colocar satélites na órbita da Terra. Para 2023, a Rocket Lab se prepara para lançar uma missão de descoberta a Vênus e, para 2024, um novo foguete, este de porte médio.

O perfil da Rocket Lab é um dos retratados dentro da campanha We See Tomorrow First (Nós vemos o amanhã primeiro), iniciativa da NZTech, agência governamental que promove o ecossistema de tecnologia da Nova Zelândia, em parceria, com a NZTE, Ministry of Business, Innovation & Employment, Callaghan Innovation e Ministry of Education. A iniciativa busca atrair a atenção do mundo para o setor efervescente de tecnologia e do empreendedorismo do país.

Por muito tempo, a Nova Zelândia não foi vista como referência para o setor de tecnologia. Mas como comentei em textos anteriores por aqui, esse cenário vem mudando nos últimos anos a ponto da indústria de TI se tornar um dos principais motores econômicos locais e de exportação.

Se você ficou curioso(a) para saber mais sobre outras histórias de como a “kiwi ingenuity” pode apoiar invenções que impactam o mundo, visite o site.

*Chris Metcalfe é comissário de negócios da NZTE (New Zealand Trade Enterprise) para Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e vice-cônsul da Nova Zelândia em São Paulo. Anteriormente, foi Gerente de Desenvolvimento de Negócios para a NZTE na Europa, onde por mais de cinco anos apoiou a entrada de negócios da Nova Zelândia nos mercados da Espanha e Portugal. Antes de entrar na NZTE, Chris morou na Espanha onde atuou como palestrante e coach, trabalhando com grandes multinacionais. Graduou-se na Waikato University, na Nova Zelândia, em Recursos Humanos e Relações Industriais. É casado e pai de duas meninas espanholas, mas que considera praticamente brasileiras.

 

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