Por Claudia Amira* Hoje é comum que pessoas conheçam, comparem e consumam produtos e serviços financeiros sem a necessidade de sair de casa, diretamente da tela do computador ou do telefone celular. Essa realidade era completamente inimaginável há pouco mais de uma década. Para além da obrigatoriedade da presença física e de processos extensos e […]
Por Claudia Amira*
Hoje é comum que pessoas conheçam, comparem e consumam produtos e serviços financeiros sem a necessidade de sair de casa, diretamente da tela do computador ou do telefone celular. Essa realidade era completamente inimaginável há pouco mais de uma década. Para além da obrigatoriedade da presença física e de processos extensos e burocráticos, o mercado, altamente concentrado e na mão de poucas instituições, acabava por excluir parcela importante da população, notadamente aqueles que se enquadravam em perfis considerados de alto risco, como trabalhadores de baixa renda, informais ou ainda pequenas e médias empresas.
Com o surgimento e desenvolvimento das fintechs, o quadro começou a mudar e, dez anos depois, os resultados impressionam. No período, mais de 55 milhões de brasileiros passaram a ter acesso a serviços financeiros — importante ressaltar que 58% dos clientes das fintechs só puderam acessar esse tipo de oferta graças à atuação das instituições digitais.
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Paralelamente à ampliação do mercado, a competitividade criou espaço para melhores condições e serviços capazes de atender às mais diferentes realidades. Ao olharmos para o segmento de crédito fica fácil entender o tamanho da demanda por recursos financeiros que se mantinha represada antes das fintechs. Segundo a Pesquisa Fintechs de Crédito Digital 2025, realizada pela Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD) e pela PwC Brasil e que analisou a operação de 44 empresas, as fintechs concederam R$ 35,5 bilhões em crédito no ano passado, montante 68% maior do que em 2023 – em 2019, o volume não ultrapassava os R$ 2,7 milhões.
Mais do que acesso, as fintechs trouxeram benefícios igualmente tangíveis e reconhecidos internacionalmente. As instituições digitais têm diminuído spreads, margens e taxas de juros aos consumidores finais. De acordo com o estudo da ABCD e PwC Brasil, em quatro das principais categorias de crédito para pessoas físicas pesquisadas – rotativo do cartão de crédito, parcelado do cartão, crédito pessoal não consignado e aquisição de veículos -, as fintechs ofereceram taxas de juros menores do que a média do mercado financeiro tradicional.
No rotativo do cartão, por exemplo, a taxa média das fintechs caiu de 242% ao ano em 2023 para 167% em 2024, enquanto no mercado a média subiu de 441% para 451% no mesmo período. No cartão de crédito parcelado, fintechs praticam juros de 96% ao ano, contra 183% do mercado tradicional. A diferença também é relevante no crédito pessoal não consignado, com 79% nas fintechs contra 94% de média de mercado.
Instituições em conformidade com as normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e supervisionadas pelo Banco Central, as fintechs tendem a seguir ampliando seus benefícios aos brasileiros graças ao poder das novas tecnologias, assegurando assim a sustentabilidade do setor financeiro – o que eventualmente pode mudar, é importante salientar, caso projetos de lei (como o PL 5473/25, que tramita no Senado), que propõem o aumento da taxação se concretizem. Seguindo normas rigorosas de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, as fintechs, apoiadas no poder da inovação, seguem comprometidas com a modernização do sistema financeiro brasileiro. E, pelo que temos visto, esse compromisso não tem data para terminar.
*Claudia Amira é diretora-executiva da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital)
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