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É urgente repensar a gestão da logística reversa para equipamento de TI

Por Paulo Batista* O ritmo em que equipamentos têm se tornado lixo eletrônico é cada vez mais acelerado, muito graças à curta vida útil curta de smartphones, televisores, computadores, eletrodomésticos lâmpadas e tablets atuais. Isso é consequência da prática da obsolescência programada, método usado por fabricantes para incentivar a compra de novos produtos, mesmo que […]

Publicado: 26/03/2026 às 08:43
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5 minutos
Percentuais das metas do Acordo Setorial ano a ano, de 2021 a 2025, logística
Construção civil — Foto: Reprodução

Por Paulo Batista*

O ritmo em que equipamentos têm se tornado lixo eletrônico é cada vez mais acelerado, muito graças à curta vida útil curta de smartphones, televisores, computadores, eletrodomésticos lâmpadas e tablets atuais. Isso é consequência da prática da obsolescência programada, método usado por fabricantes para incentivar a compra de novos produtos, mesmo que aqueles que o cliente possui ainda estejam em boas condições de funcionamento.

Um levantamento da MarketWatch pode ilustrar parte dessa questão: em 2018, os consumidores trocavam seus celulares a cada 15 meses. De acordo com o WEEE Forum, organização internacional de conscientização sobre a dispensa desse material, ao menos 5 bilhões de celulares se tornaram descarte eletrônico no ano de 2022. Isso sem contar o descarte de outros tipos de eletrônicos. A maioria desses produtos é descartada em aterros sanitários, e apenas 12,5% da sucata eletrônica é reciclada.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) define lixo eletrônico como qualquer dispositivo alimentado por energia elétrica que se tornou obsoleto. A falta de manejo adequado dessa sucata causa uma série de impactos no meio ambiente, comprometendo a sustentabilidade do planeta. Além disso, quando se deixa de definir um protocolo padrão para o descarte de eletrônicos, empresas e consumidores desperdiçam matérias-primas valiosas – como cobre, estanho, ferro, alumínio, combustíveis fósseis, titânio, ouro e prata.

Vale destacar que a reciclagem de eletrônicos é desafiadora – e por diversas razões. Uma delas é o fato de que os dispositivos descartados são fabricados em proporções variáveis ​​de vidro, metais e plásticos. Na prática, o processo de reciclagem pode mudar, dependendo dos materiais que estão sendo reciclados e das tecnologias empregadas, mas de modo geral essa tarefa passa pelas etapas de coleta, transporte, separação de componentes, trituração (para extração de materiais e destinação correta a depender do insumo a ser reaproveitado ou descartado.

Dados da EPA (agência americana de proteção do meio-ambiente) apontam que a reciclagem de um milhão de laptops economiza energia equivalente à eletricidade usada por mais de 3.500 residências nos Estados Unidos em um ano. Além disso, a reutilização da sucata eletrônica de um milhão de telefones celulares também pode recuperar 16 toneladas de cobre, 34 quilos de ouro, 350 quilos de prata e 14 quilos de paládio.

Leia também: Pesquisa da ADDEE destaca alta no setor de proteção de dados

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) obriga a implementação da logística reversa como uma forma de enfrentar o problema de resíduos eletrônicos. Sendo assim, cabe às empresas a tarefa de definir meios para que o consumidor possa fazer o descarte de eletrônicos e de outros materiais de maneira adequada, garantindo a preservação ambiental. Eletroeletrônicos, pilhas e baterias são alguns dos produtos citados na lei.

Empresas associadas à Abradisti – Associação Brasileira da Distribuição de Tecnologia da Informação – contam, desde 2020, com a oportunidade de aderir ao Programa de Logística Reversa e acessarem o sistema coletivo da gestora ambiental Green Eletron. A parceria da entidade brasileira colabora para que empresas distribuidoras e, consequentemente as revendas, consigam cumprir as metas do Acordo Setorial conquistado pela própria Abradisti.

Além de definir aspectos operacionais, este acordo buscar a harmonia das legislações federal, estadual e municipal para possibilitar o andamento do programa, ele também serve como instrumento definidor das obrigações de cada setor envolvido.

Fato é que as empresas vêm priorizando a logística reversa também por uma questão de segurança, já que quando o descarte de eletrônicos é feito de maneira inadequada, a companhia fabricante daquele equipamento corre o risco de sofrer golpes de phishing e de ser responsabilizada pelo uso ​​indevido de dados dos seus clientes e colaboradores por terceiros.

A logística reversa também é orientada pelo conceito de economia circular, na qual os resíduos de materiais descartados são usados como matéria-prima para a fabricação de novos itens. Desse modo, é possível maximizar o valor do produto e reduzir o consumo e o desperdício, diminuindo o impacto no meio ambiente.

Boas práticas de descarte de eletrônicos incluem pensar em toda a cadeia produtiva, não apenas no produto ou solução final. Todo ciclo de vida do bem gera uma quantidade de resíduos que deve ser devidamente tratada e encaminhada corretamente, seja para reciclagem, reutilização ou descarte final.

Empresas como Apple, Samsung, Dell e Huawei estão liderando iniciativas de reciclagem e logística reversa para garantir o descarte adequado de eletrônicos. A Ingram Micro, que é uma das empresas associadas à Abradisti e ao sistema coletivo da Green Eletron, também oferece soluções de ITAD e logística reversa para facilitar o descarte responsável de eletrônicos, ajudando as empresas a adotarem práticas mais sustentáveis.

Em suma: com cerca de 60% do lixo eletrônico indo para aterros sanitários, é urgente repensar a gestão da logística reversa. O descarte consciente de eletrônicos não é apenas uma responsabilidade ambiental, mas também uma necessidade em um mundo cada vez mais dependente da tecnologia.

*Paulo Batista é Gerente Sênior da Unidade de Negócios de Lifecycle Services da Ingram Micro Brasil, uma empresa associada à ABRADISTI – Associação Brasileira da Distribuição de Tecnologia da Informação.

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