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Governança corporativa para startups: um motor ou um paraquedas, mas nunca uma âncora

O tema governança corporativa para startups está cada vez mais presente nas conversas dos investidores anjos, gestores de Venture Capital e empreendedores que participam do ecossistema de empreendedorismo inovador de alto impacto no Brasil, sobretudo após o lançamento do Caderno Governança Corporativa para Startups e Scale-ups, publicado pelo Instituto Brasileiro de Governança (IBGC). Embora alguns […]

Publicado: 10/03/2026 às 21:10
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Construção civil — Foto: Reprodução

O tema governança corporativa para startups está cada vez mais presente nas conversas dos investidores anjos, gestores de Venture Capital e empreendedores que participam do ecossistema de empreendedorismo inovador de alto impacto no Brasil, sobretudo após o lançamento do Caderno Governança Corporativa para Startups e Scale-ups, publicado pelo Instituto Brasileiro de Governança (IBGC).

Embora alguns empreendedores já tenham entendido o valor de um bom sistema de governança, outros ainda ligam o assunto a um aumento excessivo na burocracia e a limitação da criatividade e espontaneidade típicos de uma startup. Dizem ser um assunto exclusivo para grandes corporações, que não faz parte da agenda de pequenas empresas nascentes. Para estes, a governança agiria como uma âncora, atrasando o ritmo natural de crescimento dos seus empreendimentos.

Segundo o Caderno, “Startup é uma organização escalável, de alto potencial econômico e inovadora (não necessariamente ligada à tecnologia)”. Já Steve Blank afirma que “uma startup é uma organização formada para buscar um modelo de negócios escalável, repetitivo e lucrativo”. Como se pode imaginar, essa busca envolve muitas incertezas, pois fatores como conjuntura de mercado, características do produto, atributos tecnológicos, aspectos regulatórios e desalinhamentos societários podem fazer a diferença entre um enorme sucesso ou um doloroso fracasso.

Dessa forma, se por um lado, a caminhada empreendedora demanda flexibilidade, velocidade e tolerância ao risco por parte dos empreendedores, que precisam lidar com um grande número de variáveis e de ajustes que precisam ser feitos ao longo do processo; por outro lado, demanda também uma dose crescente de organização. O crescimento traz a necessidade de fornecimento de mais informações e prestação de contas, bem como preocupações com aspectos financeiros, regulatórios, sociais, ambientais e societários do negócio.

Na minha trajetória como gestor de Venture Capital, tive a oportunidade de ajudar várias startups a construírem seus sistemas de governança corporativa. O que pude observar ao longo do tempo foi que a adoção de boas práticas de governança desde o início das atividades de uma startup ajuda a mitigar alguns dos potenciais problemas enfrentados pelas empresas iniciantes, tornando mais suave a caminhada empreendedora, além de incrementar as chances de sucesso de tais empreendimentos, ajudando, por exemplo, na captação de investimentos, o que pode influenciar na velocidade e na consistência do crescimento das empresas.

Nesse sentido, em pesquisa realizada pelo IBGC sobre práticas e perspectivas da governança corporativa em startups e scale-ups, verificou-se que os planos futuros para uma boa parte das 150 empresas participantes estavam relacionados com: a) captação de investimentos para expansão do negócio (87%); b) realização de parcerias (52%); e c) expansão para fora do Brasil, ou seja, internacionalização (48%). Em outras palavras, os empreendedores estavam em busca de mais crescimento.

Esses mesmos respondentes atribuíram uma nota média de nove pontos para a importância que a governança corporativa representa na realização desses planos futuros, em uma escala de zero a dez. Ou seja, para os 150 respondentes, a governança corporativa é um motor que impulsiona o crescimento.

De fato, a implementação de um sistema adequado de governança corporativa conduz a startup no sentido de melhorar o modelo de gestão e seu processo decisório, como também, alinhar os interesses dos sócios, incrementar seus processos de prestação de contas e proteger o patrimônio da empresa e dos sócios. Desta forma, além de contribuir com o sucesso da empresa e facilitar o acesso a recursos de novos sócios (sejam investidores anjos e/ou gestores de Venture capital), atuando como um motor, a governança suaviza também as consequências de um potencial fracasso, nos casos em que esse seja inevitável, fazendo o papel de um paraquedas e diminuindo a intensidade dos danos. Essa adoção não precisa ser custosa e nem complexa, devendo ser feita de forma gradual e respeitando o estágio de cada empresa.

Um dos grandes méritos do Caderno de Governança Corporativa para Startups e Scale-ups do IBGC foi ter conseguido “traduzir” os conceitos que permeiam a montagem de um sistema de governança corporativa em um modelo objetivo, que leva em conta o estágio de cada startup e orienta os empreendedores por meio de práticas e passos que podem ser implementados desde o início do empreendimento. Por isso, entendo que seja um recurso de grande valia para empreendedores, bem como, para todo o ecossistema de empreendedorismo inovador de alto impacto.

Destaco algumas práticas simples contidas no Caderno, que contribuem com a criação de uma boa estrutura de governança e podem ser implementadas desde os primeiros dias da startup, são elas: a) criação de um acordo de sócios que alinhe o interesse de todos e registre as obrigações e os direitos de cada um; b) a proteção da propriedade intelectual gerada pela empresa; c) a organização da relação com prestadores de serviços, empregados e clientes, bem como, com mentores, advisors e conselheiros; d) realização periódica de um planejamento estratégico e orçamento, como também a estruturação de uma rotina de acompanhamento; e) estruturação de um conselho consultivo ou de administração.

Com a adoção dessas e de outras práticas de governança em suas startups, os empreendedores construirão empresas com menor risco e maior chance de sucesso e terão a governança atuando como um motor que auxilia seu crescimento ou, no mínimo, como um paraquedas que ajuda a diminuir os danos em caso de insucesso, mas nunca como uma âncora que atrasa o ritmo da empresa. Por isso, deixo minha sugestão para todos que estejam na caminhada empreendedora leiam o Caderno e comecem a implementar as boas práticas de governança em suas empresas.

*Haim Mesel tem uma carreira de mais de 25 anos nas áreas de tecnologia e inovação, atuando como gestor de Venture Capital desde 2008. É sócio fundador da Triaxis Capital, gestora de fundos de investimento de Venture Capital, participa do conselho de administração de várias startups e scale-ups e é membro da Comissão de Startups e Scale-Ups do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)

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