Tão importante quanto aprender um novo idioma é compreender como esse processo pode ser facilitado, uma vez que a inteligência artificial (IA) cada vez mais sai do domínio técnico e chega no dia a dia das pessoas. E uma gama diversa de ferramentas já está à disposição das pessoas que realmente querem contar com esse […]
Tão importante quanto aprender um novo idioma é compreender como esse processo pode ser facilitado, uma vez que a inteligência artificial (IA) cada vez mais sai do domínio técnico e chega no dia a dia das pessoas. E uma gama diversa de ferramentas já está à disposição das pessoas que realmente querem contar com esse aliado. O problema é que o Brasil ainda está aquém do seu potencial.
Essa afirmação não está aí por acaso. Ela é baseada no resultado da pesquisa “Idiomas e Habilidades”, realizada pela Pearson em parceria com a Opinion Box, que ouviu mais de 7 mil pessoas no Brasil. Os dados revelam que apenas 24% dos brasileiros afirmam utilizar IA para auxiliar no aprendizado de outros idiomas. Em contraste, países como o México já atingem 34% de adesão, evidenciando um atraso por parte dos usuários brasileiros em incorporar essa tecnologia na rotina de estudos e aprendizagem.
Não é apenas uma questão de moda tecnológica. É sobre acesso à personalização, praticidade e eficiência. A IA tem o potencial de romper com os modelos engessados de ensino e proporcionar um conhecimento mais ativo, adaptado ao perfil, ritmo e necessidade do aluno. Ferramentas baseadas em IA já são capazes de corrigir pronúncia em tempo real, identificar padrões de erro recorrentes e adaptar conteúdos com base na evolução do estudante. Ou seja: o que antes era padronizado, agora pode (e deve) ser moldado individualmente.
Entre os usuários de IA no Brasil, a pesquisa mostra que 50% notaram respostas mais diretas e resumidas, 46% perceberam buscas com resultados personalizados e 37% relatam acesso a dados em tempo real. São evidências de que a tecnologia já está melhorando a forma como se consome conhecimento.
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Mas é importante destacar que isso ainda está restrito a uma parcela modesta da população. O desafio está em democratizar esse acesso e educar para o uso consciente da IA no contexto educacional. Muitos brasileiros ainda não utilizam essas ferramentas por falta de acesso, desconhecimento ou por não reconhecerem seu potencial para além do entretenimento ou da curiosidade. Outro ponto de atenção é a resistência das instituições de ensino em atualizar seus métodos pedagógicos, muitas vezes ainda centrados em modelos tradicionais, pouco conectados com as demandas e possibilidades do século XXI.
Parte dessas suspeitas se refletem na pesquisa AI Monitor 2025, realizada pela Ipsos em 30 países. Quando questionados sobre o conhecimento em relação aos produtos e serviços que utilizam IA, mais da metade (56%) dos brasileiros afirmam ter clareza sobre o uso dessa tecnologia. Mas apesar desse alto índice de compreensão, parte significativa (46%) sente nervosismo com relação aos produtos e serviços que aplicam recursos da IA.
Se a IA tem se mostrado eficiente na otimização de tarefas repetitivas e na personalização do ensino, é hora de tratá-la não como ameaça, mas como um apoio essencial ao desenvolvimento de habilidades globais. Aprender um novo idioma com o suporte de tecnologias inteligentes não significa substituir o professor, mas transformar a experiência de ensino-aprendizagem em algo mais relevante, conectado e eficaz.
Foi com base nessa nova forma de enxergar o mercado que a Pearson investiu no aplicativo Mondly, uma plataforma de aprendizagem online de 40 idiomas para consumidores em todo o mundo, seja através do aplicativo, site, realidade virtual e produtos de realidade aumentada. Por ser tão didático, o Mondly já tem uma posição consolidada no mercado, sendo adotado por mais de 100 mil usuários em empresas, escolas e departamentos governamentais.
Pegando esse gancho, é importante destacar que o Brasil tem um enorme potencial para assumir o protagonismo na adoção de IA na educação, não só pelo tamanho do seu mercado, mas pela diversidade e criatividade de seus educadores e aprendizes. Para isso, é necessário romper barreiras culturais, investir em formação digital e, acima de tudo, mostrar aos estudantes e profissionais que o futuro da aprendizagem já começou e, a partir do apoio da tecnologia, ele pode ser muito mais acessível, inteligente e humano.
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