Por Claudia Amira* Somando quase R$ 16 bilhões em contratações e mais de 2,6 milhões trabalhadores beneficiados desde 21 de março, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Crédito do Trabalhador segue avançando e, mais do que isso, comprovando a existência de uma demanda até então represada por recursos financeiros. Alguns dados apontam […]
Por Claudia Amira*
Somando quase R$ 16 bilhões em contratações e mais de 2,6 milhões trabalhadores beneficiados desde 21 de março, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Crédito do Trabalhador segue avançando e, mais do que isso, comprovando a existência de uma demanda até então represada por recursos financeiros.
Alguns dados apontam para benefícios do programa que podem se consolidar, ainda que o cenário atual se mostre desafiador para o segmento de crédito. A decisão do Copom de elevar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual resultou em 15,00% ao ano. Paralelamente, as medidas recentes anunciadas pelo governo federal, especialmente o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 9% para 15% e a tributação no caso de aquisição primária de cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), são ações que tendem a afetar a sustentação financeira das fintechs, restringindo assim a oferta.
Um pouco antes dessas movimentações, informações divulgadas pelo Banco Central no fim de maio deram conta de que a concessão do rotativo do cartão de crédito apresentou queda de quase R$ 3 bilhões em abril, enquanto no mesmo período o montante contratado pelo Crédito do Trabalhador atingiu R$ 3,3 bilhões. Os números levam a crer que o novo produto pode estar de fato sendo utilizado para trocar dívidas mais caras por opções mais baratas, o que tende a ter um efeito positivo em meio a um cenário de 77 milhões de inadimplentes, conforme a mais recente edição do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa.
Leia mais: A relevância das fintechs e do Open Finance para a concessão de crédito no Brasil
É cedo para apostar que as taxas de juros do crédito consignado privado se mantenham mais atrativas do que as demais modalidades sem garantia para pessoas físicas, consolidando-se assim como um caminho natural para o barateamento de dívidas. De qualquer forma, é importante notar a relevância de constatar que os trabalhadores brasileiros têm atualmente mais opções a considerar na hora de tomar crédito.
Não faz muito tempo, apenas instituições tradicionais eram alternativas para perfis de clientes que sabidamente enfrentavam barreiras para obter produtos e serviços financeiros. O panorama mudou com o avanço da tecnologia, a facilitação do acesso, o desenvolvimento do setor de fintechs de crédito – hoje já são mais de 46,7 milhões de clientes no Brasil – e o aumento da concorrência. Nesse contexto, o Crédito do Trabalhador, que já nasceu em um ambiente digital maduro, dá mostras de ter potencial para chegar a mais pessoas, ampliando a inclusão financeira no país.
*Claudia Amira é diretora-executiva da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD)
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