Se tem um tema mais discutido nos últimos tempos do que a inteligência artificial, desconheço. Ainda com ares de novidade mas cada vez mais presente nos mais diversos segmentos da sociedade e alcançando cada vez mais pessoas – nem que seja superficialmente, a princípio – a IA causa diversas sensações, da curiosidade ao receio, do […]
Se tem um tema mais discutido nos últimos tempos do que a inteligência artificial, desconheço.
Ainda com ares de novidade mas cada vez mais presente nos mais diversos segmentos da sociedade e alcançando cada vez mais pessoas – nem que seja superficialmente, a princípio – a IA causa diversas sensações, da curiosidade ao receio, do estranhamento à dúvida, da empolgação ao ceticismo.
E nesse misto de sensações, há quem defenda que essa é uma “tecnologia do mal”, e há quem defenda os benefícios e vantagens da IA.
Antes de te perguntar de qual desses times você faz parte, acredito que é preciso ponderar sobre ambos. Assim como tantas outras coisas que fazem parte da nossa vida, a IA é uma moeda que tem dois lados.
Talvez você tenha acompanhado o polêmico embate recente entre Elon Musk, o bilionário fundador da SpaceX e dono do Twitter, e Sam Altman, CEO da OpenAI. Tudo começou com uma carta aberta de Musk, divulgada com a chancela de figurões como o cofundador da Apple, Steve Wozniak, que pedia publicamente uma pausa de seis meses no desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial.
No documento, foram listados possíveis riscos de dar um passo adiante no desenvolvimento da IA, afirmando que a interrupção seria tão necessária quanto foi abandonar o avanço da clonagem de pessoas diante das implicações éticas – um cenário apocalíptico.
Porém, vale ressaltar que Elon Musk tem uma chamada Neuralink, que basicamente cria chips com o intuito de serem implantados na cabeça de indivíduos, para que haja uma conexão computador-cabeça.
E tem mais: em 2019, Altman lançou um material de imprensa falando do Chat GPT-2, e afirmando que a sua empresa tinha criado uma tecnologia com potencial perigoso de ser lançada e tinha problemas de segurança. Parece muito paradoxal, e é.
Se os grandes nomes da tecnologia parecem ter pontos pessoais sobre a IA um bocado desconexos, será que é tudo tão ruim assim?
A inteligência artificial revolucionou diversos setores e áreas, inclusive no nosso dia a dia. Um dos exemplos que merecem destaque é a área da saúde. A IA remodelou a forma como são realizados os diagnósticos, os tratamentos e o monitoramento dos pacientes.
Exames e documentações clínicas são analisados com muito mais agilidade e precisão, tendências de aparecimento de doenças podem ser identificadas precocemente, cirurgias podem ser otimizadas, enfim, o leque é grande.
Na educação, também tem se notado grandes vantagens, como a otimização de tempo dos professores, possibilidade de analisar de forma personalizada o desenvolvimento dos alunos, além de aperfeiçoar a gestão, entre diversos outros pontos positivos.
Na arte há também caminhos positivos. Em uma entrevista durante participação no evento Rio2C, Gilberto Gil deu um depoimento sobre a inteligência artificial. O músico é conhecido por ser bastante atento às novas tecnologias, e sobre a IA Gil disse: “(…) qualquer coisa que venha das máquinas, ao final de tudo, estará sendo regido por uma dimensão humana.
Então, o homem continua no comando. A inteligência é artificial, mas quem está no comando é o ser humano, sob a sensibilidade humana, sob a relação humana com os valores, as éticas, as morais. Esses cuidados são cuidados humanos, pois a inteligência artificial nada mais é que a reinterpretação de uma inteligência humana.”
Ou seja: o mundo muda o tempo todo, as tecnologias avançam o tempo todo (há 60 anos, só era possível assistir à TV em preto e branco, por exemplo, mas isso mudou com a TV a cores, em 1963; até o final da década de 80, só era possível ouvir música em formato analógico, até que surgiu a música digital; e assim por diante), e como elas vão avançando e causando bem ou mal são coisas que dependem basicamente do uso feito pelo ser humano.
O uso para manipulação política e social, as questões de privacidade e proteção de dados, a criação e uso inadequado de conteúdos, os vieses incorporados, que podem agravar preconceitos e discriminações, e o desalinhamento entre objetivos de homem e máquina são alguns dos principais problemas a serem enfrentados, debatidos e solucionados em relação à IA.
Portanto, fica a reflexão: penso que é possível nos adaptar e nos aliar às mudanças ocasionadas pela inteligência artificial de forma sustentável e consciente, mas essa consciência também deve ser aplicada em relação às questões sensíveis sobre essa tecnologia que ainda precisam ser ajustadas e melhoradas. Nem 8, nem 80, com sabedoria e informação, sempre um passo à frente.
Eduardo Augusto – Profissional com mais de 15 anos de mercado, com experiência em desenvolvimento de produtos digitais, unindo tecnologia, UX e dados. Nos últimos 7 anos, atuou como Diretor de Produtos Digitais e Operações para grandes clientes B2C e B2B. No ramo do empreendedorismo, cresceu seu negócio a ponto de ser vendido para um dos maiores grupos de comunicação do Brasil. Atualmente é CEO da IDK, primeira comtech do Brasil, que une inovação & tecnologia com design e comunicação, resultando em experiência em alta performance .