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Investidor-anjo: a força impulsionadora por trás do sucesso das startups, com Wlado Teixeira e Milton Daré

No epicentro da inovação, do Vale do Silício a Tel Aviv, de Londres a Paris e Berlim, os investidores-anjo se espalham pelo mundo, concentrando-se nos principais hubs de tecnologia. Segundo estimativas da The Angel Capital Association, mais de 300 mil profissionais estão ativos globalmente, formando uma base crucial para o ecossistema empreendedor. Ampliando ainda mais […]

Publicado: 25/03/2026 às 20:22
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Investidor-anjo, investidor anjo, startup
Construção civil — Foto: Reprodução

No epicentro da inovação, do Vale do Silício a Tel Aviv, de Londres a Paris e Berlim, os investidores-anjo se espalham pelo mundo, concentrando-se nos principais hubs de tecnologia.

Segundo estimativas da The Angel Capital Association, mais de 300 mil profissionais estão ativos globalmente, formando uma base crucial para o ecossistema empreendedor.

Ampliando ainda mais o espectro, especula-se que até 10 milhões de investidores-anjo ativos possam existir globalmente, abrindo portas para pessoas com ideias de negócios promissoras.

Ter ao seu lado um profissional que já possui experiência no mercado, seja como empreendedor, empresário ou executivo, e que esteja disposto a investir uma fatia do seu patrimônio e tempo para o crescimento de negócios promissores, é um diferencial competitivo incrível.

Para explorar esse vasto universo e revelar o que é necessário para se tornar um deles, ou o que uma startup precisa para receber esse suporte, conversei com duas autoridades no assunto: Wlado Teixeira, diretor-executivo e membro do conselho do grupo GVAngels, e Milton Daré, fundador e membro do conselho da FEA Angels.

Como foi o primeiro contato de vocês com o universo do fundo de investidores-anjo?

Wlado: Em 2007, iniciei minha jornada empreendedora ao identificar uma oportunidade no mercado durante meu trabalho em M&A. Junto com dois sócios, fundamos a Vivere, que teve um crescimento impressionante, passando de 1 milhão para 37 milhões de faturamento em apenas cinco anos. Em 2013, vendemos a empresa em parceria com o BTG Pactual, que havia investido no segundo ano de operação da Vivere. Embora não tenha me tornado milionário — e esse nunca foi o objetivo —, buscava uma vida confortável para poder dedicar mais tempo aos meus hobbies, como mergulhar, e principalmente me dedicar ao ecossistema de empreendedorismo do Brasil.

Aos 59 anos, iniciei minha trajetória empreendedora, algo improvável e possivelmente inédito no Brasil. Desde então, tenho mantido meu envolvimento no ecossistema empreendedor, seja como mentor, jurado, palestrante e investidor. Em 2017, me engajei no GVAngels, que tinha sido fundado recentemente.

Leia mais: Uma reflexão sobre sociedades, transparência e o futuro dos negócios

Os membros do GVAngels são ex-alunos da Fundação Getúlio Vargas, conhecida no mundo inteiro pelo padrão de qualidade do ensino. Ao longo desta jornada de quase sete anos, o GVAngels se tornou uma rede de investidores-anjo muito conceituada no Brasil e, em 2023, ficou em primeiro lugar na América Latina, num ranking mundial de 50 redes e venture capitals, publicado pela CB Insights, entidade respeitada mundialmente.

Além de investirem em startups, os membros do GVAngels cedem uma parte do tempo para ajudar os empreendedores das startups investidas, com mentorias e networking. O grupo do GVAngels já investiu em 60 startups e conta atualmente com aproximadamente 350 investidores.

Conheci o Milton ao longo da minha carreira e tive a honra de palestrar no lançamento da FEA Angels. Fiz mestrado na FEA e tenho muito orgulho de constatar o sucesso da FEA Angels.

Milton: A FEA Angels nasceu de uma jornada pessoal e profissional minha que começou lá atrás, com experiências na Rocket Internet, XP e Gympass. Após meu primeiro investimento, percebi a carência de orientação e estrutura no mercado de investimento-anjo. Inspirado pelo vínculo com a FEA-USP e pelo desejo de apoiar empreendedores, lancei a FEA Angels, seguindo um modelo inicial de startup MVP.

O rápido sucesso e a necessidade de equilibrar meu tempo me levaram a criar uma estrutura sustentável, financiada por anuidades e gerenciada por alunos da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA USP), treinados e capacitados para lidar com ecossistema de investimento em startups. A colaboração com o Wlado e a realização de um mestrado foram fundamentais para consolidar a FEA Angels como uma referência em investimento-anjo.

Hoje, estamos orgulhosos de contar com cerca de 400 membros, dos quais 80 são ativos, a maioria ex-alunos da FEA USP, mas também atraindo investidores externos interessados em apoiar, mentorar e investir em startups.

A FEA Angels ainda funciona no modelo de mensalidade?

Milton: Sim, hoje os membros pagam uma anuidade. Esta anuidade inclui a presença em diversos eventos que organizamos, como as Pitch Nights, voltadas para a apresentação de startups em cada edição, onde elas têm a oportunidade de atrair investidores.

Estamos sempre atualizados para fornecer conhecimento e mantemos nosso núcleo de comunidade ativo, onde trocamos informações diariamente e enviamos notícias frequentes para nossos associados sobre o mercado de startups. Nosso foco vai muito além do investimento financeiro; investimos tempo, conhecimento e atuamos como mentores. Esses princípios também estão integrados à missão da DOMO.VC.

Como vocês lidam com o perfil de investidor que tem muito dinheiro, mas não entende nada de investimento em startups?

Wlado: Costumo dizer que investir é uma ciência envolvida com um toque de arte. Não adianta trabalhar apenas com dados; é preciso ter o feeling. Tendo isso em mente, a minha principal condição para participar da gestão do GVAngels era poder educar os novos investidores. Por isso, criamos cursos chamados Angel Academy para os novos membros, com a participação de especialistas renomados, não apenas do GVAngels, mas também de muitas outras pessoas renomadas no ecossistema.

Em palestras, é comum perguntarem sobre o perfil de executivo propenso a investir. A verdade é que, normalmente, investidores com histórico em renda variável são mais abertos a investir em startups do que investidores que preferem investir em renda fixa.

Alguns executivos, membros do GVAngels, com pouca experiência em investimentos de startups, buscam orientação com investidores mais experientes. Os membros do GVAngels têm a opção de não investir também, mesmo pagando anuidade. Tem membros no grupo GVAngels que estão no grupo há cinco anos e ainda não realizaram nenhum investimento. Não investiram, mas usufruem da experiência de investimento em startups dos outros membros do grupo.

Milton: Seguindo a linha de raciocínio do Wlado, existe uma jornada de investimento até se tornar um investidor-anjo, começando com a renda fixa, passando por investimentos de renda variável mais previsíveis, ações de growth e small caps, até chegar à etapa de investidor-anjo.

Outro aspecto importante a considerar é a idade. Conforme envelhecemos, é necessário avaliar o risco e o retorno de um investimento. Por exemplo, não seria prudente para alguém com 60 anos investir toda a sua poupança de aposentadoria em uma startup.

Qual é o maior erro que uma pessoa comete quando quer começar a investir?

Wlado: Quando a pessoa é teimosa, ela só perde. Eu já errei bastante, não perguntava nada para ninguém e isso custou muito caro. Como eu já passei por isso, sempre que sinto que tem algum empreendedor ou investidor com essa postura, procuro alertá-lo, mostrando que ele está indo pelo caminho errado. Isso precisa de um tratamento especial, e é justamente isso o que fazemos em nossas mentorias.

Milton: O primeiro erro que vejo é o pessoal não entender a dinâmica de investir em startup em termos de cap table ou, em português, participação societária. Tem muito investidor de primeira viagem que já chega dizendo: “Quero investir, mas vou botar 200 mil aqui e quero 50% no negócio”, mas não é assim que funciona.

O negócio já nasce morto, porque isso não vai ter sustentabilidade no longo prazo. Questões contratuais, jurídicas e técnicas precisam ser estudadas. Além disso, a dinâmica das grandes empresas não funciona nas startups. E ainda, sempre aconselho que seja feito um alinhamento de expectativas dos envolvidos para que ninguém seja pego de surpresa ou que haja frustrações.

O que vocês procuram em uma startup?

Milton: O primeiro ponto que levo em consideração é a pessoa, afinal é preciso ter uma conexão de objetivos. Já cometemos o erro de investir em um fundador de startup que já era renomado, mas algo não se encaixava. Ao mesmo tempo, já tivemos cases de negócios que talvez não déssemos a devida relevância e nos surpreenderam positivamente, com um profissional esforçado e disposto a evoluir.

Outro ponto importante a ser considerado é o tamanho de mercado. Se o nicho é pequeno, os riscos aumentam consideravelmente. Se houver tecnologia envolvida, é um desafio quando não temos um co-founder que seja da área técnica.

Por último, tem um tópico que não vejo ser tão abordado: o reference check de quem trabalhou com o founder da startup anteriormente. Todos têm coisas boas e ruins para serem faladas de si, então é preciso saber avaliar. Se for um erro de valores éticos, por exemplo, sem condições de investir no negócio.

Wlado: É crucial analisar se a startup possui barreiras de entrada no mercado. Em relação ao cap table, como mencionado por Milton, é importante notar que, se uma startup chega em uma rodada pre-seed já cedendo 20% de participação e precisa ceder mais 10%, geralmente não avançamos. Alertamos os empreendedores para não cederem muita participação numa rodada, pois a participação cedida em exagero pode afugentar potenciais investidores.

Que atributos não podem faltar num founder para entrar nos ecossistemas de vocês?

Milton: Antes de qualquer coisa, é preciso ter ética! Tem algo que aprendi com o Marcelo Nakagawa, professor do Insper, que é um conceito budista chamado Shoshin e significa “mente de principiante”. A ideia é basicamente você se portar como uma pessoa que está sempre aprendendo, como se não soubesse de nada. Essa eterna curiosidade também é importante.

O melhor vendedor no mundo é aquele que é o mais curioso. Quanto mais ele sabe, mais economiza o seu tempo e o do outro com quem ele está trocando. Isso é o suficiente para gerar resultado e foi justamente o que o David Vélez aplicou na construção do Nubank.

Wlado: Seriedade de propósito e humildade, mas sem subserviência. Para finalizar, gostaria de citar uma frase do Warren Buffett, que acho fantástica e que vale tanto para os empreendedores quanto para os investidores: “Esteja sempre cercado de pessoas bem melhores que você!”.

O futuro dos investimentos em startups

Após uma profunda imersão nas experiências compartilhadas por Wlado Teixeira e Milton Daré, é evidente o papel transformador dos investidores-anjo no cenário das startups. Suas histórias destacam não apenas a importância do capital financeiro, mas também o valor inestimável da mentoria, do networking e do aprendizado contínuo.

Neste mundo dinâmico e desafiador do empreendedorismo, é fundamental reconhecer que o sucesso não é uma jornada solitária. É uma colaboração entre visionários que acreditam no potencial de ideias inovadoras e empreendedores determinados que buscam realizar seus sonhos.

Ao refletir sobre o futuro dos investimentos em startups, reconheço que este é um terreno fértil para a inovação, o crescimento e a colaboração. Cada nova conversa, cada nova parceria, nos aproxima de um entendimento mais profundo e enriquecedor deste ecossistema. Nas próximas publicações, continuarei explorando assuntos que moldam nosso mundo e nos desafiam a pensar, aprender e agir. Até a próxima!

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