Nosso mercado adora um termo novo. Uma das palavras do momento é “quântico”. O conceito, que saiu da física e entrou nas discussões de marketing, está nas capas de livros, painéis de inovação e no conteúdo de especialistas publicados no LinkedIn. Afinal, o que é quântico e qual é a sua relação com uma área […]
Nosso mercado adora um termo novo. Uma das palavras do momento é “quântico”. O conceito, que saiu da física e entrou nas discussões de marketing, está nas capas de livros, painéis de inovação e no conteúdo de especialistas publicados no LinkedIn. Afinal, o que é quântico e qual é a sua relação com uma área essencialmente humana como a nossa?
Para começar, é importante entender a expectativa do mercado em relação à computação quântica. Uma pesquisa da McKinsey mostrou que os três pilares principais: computação quântica, comunicação quântica e sensoriamento quântico podem gerar até US$ 97 bilhões em receita no mundo todo até 2035.
Quando associamos o termo à área de marketing, o objetivo é utilizar a lógica do pensamento quântico para entender como as pessoas se comportam e utilizar isso de forma estratégica, as aproximando e aumentando o índice de conversão do negócio.
É a ideia que desconstruiu o funil de vendas como conhecemos e usamos por anos no nosso planejamento. Quando olhamos para a jornada do cliente, vemos que ninguém mais percorre um caminho único e linear, avançando etapa por etapa, do awareness à conversão. Então, por que pensar a jornada dessa forma?
Na prática, seu cliente B2B está fazendo tudo ao mesmo tempo. Hoje de manhã ele leu seu eBook. À tarde, checou o preço do concorrente. À noite, navegou rapidamente pelo perfil do CEO da sua empresa no LinkedIn. São múltiplas intenções coexistindo, o que chamamos de superposição, provocando reflexões que nos fazem evoluir. Por isso, são tão importantes e representam a base do pensamento quântico.
No B2B, stakeholders mudam de comportamento a cada momento e temos cada vez mais pessoas envolvidas no processo de decisão de compras. O medo de cometer um erro leva a mais consultas e questionamentos, características que colocam a confiança como algo fundamental para quem deseja sair na frente dos concorrentes de mercado.
Olhando para esse contexto na prática, é como se o diretor estivesse pesquisando fornecedores de manhã e, à tarde, observasse os produtos. Neste momento, entram as CDPs (Customer Data Platforms) com IA, que leem sinais fracos em tempo real e ajustam a mensagem conforme a temperatura do lead. Parece algo simples e óbvio, mas nem todas as empresas fazem isso.
Por isso, a Inteligência Artificial tem um papel tão importante no processo. O Boston Consulting Group divulgou uma pesquisa que trouxe as perspectivas dos executivos para o futuro, reforçando o papel da IA nos negócios. Segundo o levantamento, 47% das lideranças com maturidade em IA veem a solução como impulsionadora de receita e uma medida para reduzir os custos. Além disso, 50% dos executivos com maior maturidade em IA esperam ver um retorno superior ao dobro do seu investimento já no próximo ano.
A pressão é grande e, por esse motivo, estratégia e tecnologia precisam caminhar lado a lado.
No Marketing Quântico, abrem-se três categorias que podem despertar essa confiança: segurança, rede e serviços. O que você fala no e-mail precisa conversar com o que aparece no LinkedIn e com o que foi dito no evento. É a chamada interferência construtiva, quando você junta criativo, canal e dados de um jeito que multiplica o impacto.
No B2B, isso é crítico porque a jornada é longa e envolve muitas pessoas. Você precisa garantir que seu propósito de marca funcione como sistema operacional invisível. Tudo que você faz precisa estar conectado por uma lógica maior.
Precisamos medir fatores como a quantidade de decisões tomadas com apoio de agentes digitais e supervisionadas por humanos com sucesso, a velocidade de aprendizado do sistema a cada ciclo, quanto a organização melhorou o que entrega comparado ao trimestre passado e outras métricas qualitativas que vão transformar a sua estratégia, fortalecer o aprendizado e otimizar os resultados.
Leia mais: Clientes sintéticos. Já ouviu falar?
Parece abstrato, mas é estratégico. Eficiência pura sem consciência estratégica é algo perigoso quando você tem IA tomando decisões em alta velocidade.
O pensamento quântico e os algoritmos avançados vão otimizar a estratégia de marketing nos próximos anos. São mudanças como preço dinâmico em tempo real, mídia hipersegmentada, mensagens personalizadas para cada micro-momento. Tecnicamente, incrível. Especialmente no B2B, em que a reputação é determinante para a decisão de compra.
Por isso, os profissionais de marketing precisam ter cada vez mais habilidades técnicas e humanas complementares. São estrategistas que fazem as perguntas certas e definem propósito. E são cientistas de dados que entendem as regras do novo ecossistema. Quem ficar só em um lado vai sofrer.
O CMO e o CEO não podem se preocupar tanto com o controle total, mas precisam desenhar um sistema no qual a tecnologia tem autonomia e o propósito garante coerência. É desconfortável, mas necessário. Afinal, mudança não é investir em um novo computador quântico, mas construir uma cultura disposta a aprender e se reconfigurar no ritmo da tecnologia.
Com múltiplas possibilidades acontecendo ao mesmo tempo, você pode pode se ancorar em um propósito claro e deixar o sistema respirar. Essa é a melhor forma de continuar crescendo diante de um futuro com diferentes soluções disponíveis, além de um alto nível de exigência e competitividade. A escolha cabe a cada um de nós.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!