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O que está acontecendo no mercado de provedores de acesso à Internet?

Nos últimos anos, foi largamente debatido o aumento do número de provedores de acesso à Internet no Brasil e sua importância para a expansão da conectividade no país. Além disso, o mercado de fusão e aquisições de provedores foi um dos mais movimentados nos últimos anos, envolvendo fundos de investimento e grandes players do mercado. […]

Publicado: 27/03/2026 às 19:43
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provedores acesso Internet
Construção civil — Foto: Reprodução

Nos últimos anos, foi largamente debatido o aumento do número de provedores de acesso à Internet no Brasil e sua importância para a expansão da conectividade no país. Além disso, o mercado de fusão e aquisições de provedores foi um dos mais movimentados nos últimos anos, envolvendo fundos de investimento e grandes players do mercado. No entanto, parece que o cenário agora é outro, sugerindo que há fortes tendências de consolidação do setor.  

De acordo com o relatório de fusões e aquisições da KPMG, em 2022, das 1.728 operações ocorridas, 640 envolveram empresas de Internet (em segundo lugar, o setor com mais transações foi o de tecnologia de informação e comunicação (TIC), com 268 operações). No entanto, é importante destacar que, apesar de o número de transações em 2022 ser inferior ao de 2021, ele ainda é maior do que nos demais anos da série, ressaltando o dinamismo do setor de Internet e TIC.  

Outra fonte que aponta mudanças interessantes no setor é a nova versão da pesquisa TIC Provedores. A pesquisa é um extenso mapeamento das empresas que fornecem acesso à internet para os clientes finais, analisando diversos aspectos da sua atuação e as tecnologias empregadas.

Leia mais: Transformação Digital e o impacto da IA nas compras públicas

Em sua última versão, lançada em dezembro do ano passado, a pesquisa estimou um número menor de empresas efetivamente operantes em relação ao ano de 2020: em 2022 havia 11.630 empresas que ofereciam acesso à Internet, em comparação a 12.826 empresas em 2020. Ainda de acordo com a pesquisa TIC Provedores, em 2020, 56% dos provedores eram microempresas, proporção que passou para 46% em 2022, ao passo que a proporção de médias empresas (com 20 a 49 pessoas ocupadas) passou de 13% em 2020 para 17% em 2022. Portanto, os dados indicam que houve um movimento de redução na participação das microempresas e de incremento na proporção de pequenas e médias empresas no mercado de provedores, apontando para uma desaceleração no surgimento de um perfil de empresa que era a característica principal do setor.  

Gráfico 1 – EMPRESAS PROVEDORAS, POR FAIXA DE PERCENTUAL DE PESSOAS OCUPADAS (2020 – 2022)  

Total de empresas provedoras (%) 

Uma das principais características do mercado brasileiro de provedores em seu momento de expansão foi a interiorização das empresas, levando conectividade para os quatro cantos do país. Tendo em vista a extensão territorial e a diversidade geográfica do Brasil, levar o acesso à Internet para além dos grandes centros é um grande desafio. Um dado interessante da TIC Provedores é a redução do número de provedores que atuam em apenas um município. Em 2020, 47% dos provedores atuavam em apenas um município, proporção que foi de 40% em 2022. Outra mudança interessante foi que a proporção de provedores operando em 6 até 10 municípios, passou de 7% em 2020 para 9% em 2022. Essa redução de provedores atuando em somente um município, relacionada ao aumento da atuação na faixa dos 6 até 10 municípios, podem servir de indícios sobre um movimento de consolidação do setor, uma vez que há um número menor de empresas operando isoladamente, ao passo que começam a surgir empresas operando em uma escala maior.  

Gráfico 2 – EMPRESAS PROVEDORAS, POR FAIXA DE NÚMERO DE MUNICÍPIOS EM QUE ATUAM E PORTE (2020 – 2022)  

Total de empresas provedoras (%)  

O que essas mudanças debatidas acima indicam? Primeiramente, é importante destacar que há uma maior competição no setor, que apesar de deixar algumas empresas pelo caminho, impulsiona aqueles provedores que possuem um serviço mais qualificado, favorecendo a experiência do cliente e a rede como um todo. Em segundo lugar, um menor número de empresas aponta para uma maior especialização no setor, o que também possui relação com a competição: cada vez mais os clientes estão buscando conexões rápidas e estáveis, bem como um manejo seguro dos seus dados pessoais, além do fato de a conectividade ser, hoje em dia, central para o oferecimento de serviços públicos fundamentais. Portanto, passado um primeiro momento no qual os provedores de pequeno porte foram cruciais na expansão da conectividade básica para todo o Brasil, no qual o diferencial competitivo era a proximidade com o cliente, inicia-se agora um período de maior profissionalização e competição no setor, no qual investimentos na qualidade da conexão e na segurança digital definirão cada vez mais qual empresa sobrevive.   

Leonardo Melo Lins é Pesquisador do Think Tank da Abes, participante do Programa de Pós-Doutorado do IEA/USP e Analista do Cetic.br | NIC.br. As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação. 

 

 

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