Quando o Desenrola entrou em operação, há pouco mais de um mês, muito se especulava sobre os efeitos do programa de renegociação de dívidas, uma das principais iniciativas da largada da nova equipe à frente do Ministério da Fazenda. Desde então, uma série de números relativos aos primeiros resultados da medida – que tem entre […]
Quando o Desenrola entrou em operação, há pouco mais de um mês, muito se especulava sobre os efeitos do programa de renegociação de dívidas, uma das principais iniciativas da largada da nova equipe à frente do Ministério da Fazenda. Desde então, uma série de números relativos aos primeiros resultados da medida – que tem entre seus credores empresas securitizadoras e os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios, os FIDCs – têm chamado a atenção, dominando as manchetes da mídia.
De acordo com a Febraban, em quatro semanas, os bancos renegociaram R$ 8,1 bilhões em dívidas por meio do programa, além de desnegativarem cerca de 5 milhões de clientes com dívidas de até R$ 100. Números da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito mostram que cerca de 7,5 milhões de apontamentos negativos com valores de até R$ 100 foram removidos dos cadastros de proteção ao crédito entre os dias 17 e 28 de julho.
Os reflexos dessa movimentação não demoraram a aparecer nos mais recentes indicadores de inadimplência. Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por exemplo, apontou que o percentual de famílias com dívidas a vencer caiu 0,4 ponto percentual em julho, representando 78,1%.
Trata-se da primeira queda detectada desde novembro passado, além de ser o menor volume de endividados registrado desde janeiro deste ano – na nota de divulgação do levantamento, o Desenrola aparece como responsável pela diminuição da proporção de endividados na classe média no período analisado. Já o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil referente ao mês de julho indicou a existência de 71,41 milhões de brasileiros inadimplentes, o que demonstra uma redução de 34 mil na comparação com o mês anterior.
Por tudo que tem sido veiculado, é possível afirmar que ao menos no curto prazo o Desenrola tem tido êxito ao facilitar a renegociação e ao trazer de volta ao mercado de crédito um contingente importante de pessoas, outrora inviabilizadas de buscar recursos financeiros e, consequentemente, consumir.
Se a médio e a longo prazo o programa se aproximar das estimativas do Ministério da Fazenda, que projeta beneficiar o total de 70 milhões de brasileiros com a iniciativa, a tendência é que a economia seja impulsionada pela diminuição contínua de devedores e dos invisíveis do ponto de vista econômico. Em um cenário que aponta também para uma gradativa queda da taxa de juros, descortina-se uma perspectiva positiva relacionada ao crédito já para o último trimestre deste ano e para 2024, que já bate à nossa porta.