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Por que falar em governança corporativa para startups?

É possível notar, atualmente, uma certa resistência por parte dos “founders” de startups em relação ao sistema de Governança. Por que isso vem acontecendo? De acordo com a minha experiência como investidora e conselheira ao longo de alguns anos, tenho notado que isso ocorre por, principalmente, dois motivos: pelo fato de as startups, em muitos […]

Publicado: 11/03/2026 às 01:27
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Construção civil — Foto: Reprodução

É possível notar, atualmente, uma certa resistência por parte dos “founders” de startups em relação ao sistema de Governança. Por que isso vem acontecendo? De acordo com a minha experiência como investidora e conselheira ao longo de alguns anos, tenho notado que isso ocorre por, principalmente, dois motivos: pelo fato de as startups, em muitos casos, encontrarem-se em fase inicial de atividade e por existirem mitos e preconceitos que gravitam em torno do conceito da Governança, como desconhecimento, confusão conceitual, entre outros equívocos. O fato é: as startups já nascem com os princípios da Governança, porém, com ausência mínima das boas práticas, acabam por não sobreviverem no mercado. Por isso, é preciso desmistificar os preconceitos que envolvem o tema de Governança nas Startups.

O sistema de Governança, além de uma prática, é também um sistema de princípios, o que nos remete a olharmos sob uma perspectiva mais principiológica. Nesse sentido, é preciso que o conjunto de princípios básicos que compõe esse sistema seja observado antes da prática, das regras explícitas e das normas tácitas. São eles, na realidade, que regem os relacionamentos da organização com os stakeholders (partes interessadas) os quais determinam seu propósito, seus valores, sua cultura, sua estratégia e seu estilo de liderança.

A partir desse olhar, podemos considerar Governança não como um “status” que se alcança, mas sim como uma jornada contínua na qual devem ser observadas: a transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade corporativa da empresa. Portanto, a Governança serve a todos os tipos de organizações, inclusive às startups; o que muda é a frequência e a profundidade das boas práticas, as quais se alinham com o perfil e com a fase de cada organização.

O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), principal referência nacional no tema, tem como propósito contribuir para a construção de uma sociedade melhor por meio da disseminação de princípios e de boas práticas de Governança Corporativa. Corroborando com seu propósito, o IBGC lançou recentemente a Agenda Positiva de Governança para os principais líderes das organizações: sócios, acionistas, conselheiros e executivos. A agenda sugere medidas a serem tomadas pelos líderes, apoiadas em seis pilares: Ética e Integridade; Diversidade e Inclusão; Ambiental e Social; Inovação e Transformação; Transparência e Prestação de Contas; e Conselhos do Futuro.

Podemos afirmar que, nas startups, nota-se uma informalidade inicial em relação às práticas, regras explícitas e normas tácitas, o que de certa forma é compensada pela presença dos seus princípios genuínos. Porém, essa falta de formalidade deve ser um processo temporário, sujeito a modificação, ou seja, um processo em construção. Nesse sentido, sugiro, para o início dessa jornada, a leitura da publicação do IBGC Segmentos: “Governança Corporativa para Startup & Scale-ups”, publicação desenvolvida e executada pela Comissão permanente do IBGC que trata desse tema, da qual tenho a honra e a satisfação de participar como membro.

Nos cabe, também, falarmos das startups e seus princípios. Startups são organizações que nascem para inovar, para incomodar e não para acomodar. São ágeis, insatisfeitas, mas com princípios muito bem definidos e extremamente importantes. Entre os que devemos destacar: são centradas nas pessoas e não em regras, controles e processos; são orientadas aos “Stakeholders” e não aos “Shareholders” (acionistas); consideram o erro como um aprendizado e não como um problema; têm ambição no longo e não só no curto prazo; possuem perspectiva relacional e não somente transacional; e têm propósito de ser útil e não somente financeiro.

Por natureza dão relevância aos princípios e não necessariamente a forma da Governança. E a falta da forma (práticas) pode ser um dos motivos de as startups apresentarem um alto índice de insucesso. Por isso, as práticas de Governança conscientes devem ser incorporadas sem preconceito e sem medo, pois diminuem o índice de mortalidade dessas empresas, criando valor e liquidez. Deixo, por fim, esta provocação: é preciso desmistificar os preconceitos em torno das boas práticas da Governança em startups!

*Beatriz Carneiro Cunha é membro da Comissão de Estratégia e da Comissão de Startups&Scaleups do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e investidora anjo em algumas startups. Tem experiência como empreendedora nos setores automotivo, agropecuária, imobiliário, varejo, tecnologia e financeiro. Atualmente, atua como Conselheira de Administração na CIP (Infraestrutura de Mercado Financeiro) e na EuNerd (Marketplace de Suporte e Infraestrutura de TI)

 

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