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A proteção de dados deixou de ser obrigação legal e tornou-se um ativo estratégico para conquistar e manter clientes

Em um mundo onde cada interação digital gera dados, a confiança tornou-se o novo diferencial competitivo. Empresas que tratam dados como patrimônio — e não apenas como insumo — constroem relacionamentos sólidos e uma reputação difícil de replicar. Os números revelam essa verdade incontestável. Segundo pesquisa “Voz do Consumidor” da PwC, realizada com mais de […]

Publicado: 07/03/2026 às 21:47
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8 minutos
Dois desenvolvedores trabalham lado a lado em um escritório moderno, olhando para múltiplos monitores com códigos na tela; um deles aponta para o monitor enquanto o outro digita no notebook, vibe coding, proteção, 2026
Construção civil — Foto: Reprodução

Em um mundo onde cada interação digital gera dados, a confiança tornou-se o novo diferencial competitivo. Empresas que tratam dados como patrimônio — e não apenas como insumo — constroem relacionamentos sólidos e uma reputação difícil de replicar.

Os números revelam essa verdade incontestável. Segundo pesquisa “Voz do Consumidor” da PwC, realizada com mais de 20 mil consumidores em 31 países, 90% dos brasileiros afirmam que a proteção de dados pessoais é um dos fatores mais importantes para conquistar sua confiança, percentual que supera a média global de 83%.

No entanto, apenas 59% sabem como suas informações são usadas. Essa lacuna é uma oportunidade estratégica: quem liderar em transparência e governança conquistará vantagem real e redefinirá o mercado.

O custo real dos vazamentos de dados

Os vazamentos não são eventos isolados, e tornaram-se realidade crítica no Brasil e no mundo. Segundo o relatório Cost of a Data Breach (CODB), da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões em 2025, enquanto em 2024 o custo foi de R$ 6,75 milhões, um aumento de 6,5%. De maneira geral, o custo médio global de uma violação de dados é de USD 4,44 milhões.

Em 2024, o Brasil registrou aumento de 24 vezes mais casos em comparação aos anos anteriores, consolidando-se no top 10 mundial, segundo dados da IBM. Entre o último trimestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, 416 milhões de contas foram expostas no Brasil. Isso significa que cada brasileiro conectado teve, em média, quase duas contas comprometidas, índice que se aproxima da média global de 280 contas violadas por 100 pessoas.

Os prejuízos vão além dos números. A perda de reputação, a erosão da confiança e os danos à imagem corporativa comprometem décadas de construção de marca. Em um mercado onde 76% dos executivos brasileiros atribuem o valor de suas empresas à qualidade de sua reputação, segundo a Grant Thornton Brasil e Opice Blum Advogados, proteger dados é proteger o próprio negócio.

Da conformidade legal à diferenciação competitiva

A LGPD mudou o jogo, mas ir além da conformidade é o que diferencia os líderes.  As empresas visionárias já perceberam que ir além da conformidade legal transforma-se em diferencial estratégico.

Segundo o relatório de Engajamento do Cliente 2025 da Twilio, apenas 15% dos consumidores confiam “totalmente” no que as marcas fazem com seus dados. No entanto, 61% dos consumidores sentem que as marcas não se importam verdadeiramente com suas informações pessoais.  

Na pesquisa da Acronis sobre privacidade de dados, consumidores brasileiros demonstraram preocupação significativamente superior ao resto do mundo. Em uma escala de 0 a 10, brasileiros classificaram sua preocupação em 9,3, muito acima da pontuação global de 8,0. Essa consciência elevada reflete tanto a importância do tema quanto experiências negativas já vivenciadas. 

Leia mais: Cloud e analytics: o motor da transformação do varejo na era da integração total

Quando o consumidor demonstra um nível tão alto de preocupação, ele está, na prática, dizendo às empresas que confiança se tornou tão relevante quanto preço ou qualidade do produto. O aumento da maturidade digital do consumidor brasileiro vem acompanhado de uma expectativa clara: processos mais transparentes, comunicação acessível e mecanismos reais de controle sobre o uso dos dados. Hoje, não basta somente afirmar que os dados estão protegidos, e sim demonstrar, na prática, que existe governança, tecnologia e uma cultura organizacional comprometida com isso.

Órgãos governamentais, como a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), fortalecem sua atuação fiscalizadora com a Agenda Regulatória 2025-2026, focando em direitos dos titulares, compartilhamento de dados pelo poder público, tratamento de dados de crianças e adolescentes, e inteligência artificial. A fiscalização e aplicação de sanções devem se intensificar, reforçando a importância da conformidade.

O avanço regulatório deve ser visto como oportunidade e não como obstáculo para as empresas. É preciso enxergar a privacidade muito além de apenas uma obrigação legal, para que não se perca a chance de construir relacionamentos mais sólidos e de longo prazo com seus clientes. 

A adoção de práticas robustas de proteção de dados — desde políticas internas até investimentos em cibersegurança e capacitação de equipes — cria um ciclo virtuoso de confiança. Porque quando o cliente sabe exatamente como seus dados são tratados, quando percebe que há boas práticas de segurança e que a empresa está preparada para responder incidentes, isso se traduz em reputação, fidelização e força estratégica real.

Transparência como estratégia de negócio

A transparência deixou de ser discurso corporativo para se tornar expectativa fundamental. Empresas que adotam políticas de privacidade claras e acessíveis, mantendo canais abertos para questões sobre proteção de dados, estabelecem relacionamentos mais duradouros e lucrativos.

Os dados comprovam: segundo estudo da Cisco (Data Privacy Benchmark Study 2024), 92% dos consumidores consideram que empresas têm responsabilidade de proteger dados, e 76% afirmaram que não comprariam de companhias que não demonstrem cuidado com privacidade.

Com minhas experiências em projetos de transformação digital, consigo afirmar que a combinação de governança robusta e transparência ativa é decisiva para construir confiança sustentável. Empresas que estruturam operações com governança de dados e arquitetura de segurança adequada conseguem não apenas evitar incidentes, mas transformar a proteção de dados em valor percebido pelo cliente.

Como se tornar guardiã de dados na práticaPara empresas que desejam transformar proteção de dados em motor de crescimento, seis pilares são essenciais:

Governança robusta de dados: implementar Sistema de Gestão da Segurança da Informação (SGSI) baseado em padrões internacionais como ISO/IEC 27001, estabelecendo requisitos claros para monitorar e aprimorar continuamente processos de segurança.

Transparência radical: ir além do mínimo legal, comunicando de forma clara e proativa como dados são coletados, armazenados, utilizados e protegidos. Políticas de privacidade devem ser acessíveis e compreensíveis, não documentos jurídicos impenetráveis.

Educação e conscientização: investir em treinamentos regulares para todos os colaboradores sobre segurança da informação e boas práticas, porque infelizmente, as principais brechas vêm de usuários sem conhecimento adequado sobre mitigação de riscos.

Tecnologia de ponta: adotar soluções avançadas de criptografia, autenticação multifator, monitoramento contínuo e resposta rápida a incidentes. A inteligência artificial torna-se aliada fundamental na detecção e prevenção de violações.

Cultura de privacidade: incorporar privacidade desde a fase inicial de desenvolvimento de produtos e serviços (Privacy by Design), tornando-a valor central da organização, não apenas preocupação do departamento jurídico ou de TI.

Resposta ágil e transparente: em caso de incidentes, agir rapidamente para comunicar afetados, demonstrando responsabilidade e comprometimento com a resolução do problema.

Esses pilares não são de TI — são estratégia de sobrevivência e se não estão no board, sua empresa já está atrasada!

O próximo passo da confiança digital

Conforme dados da IBM, 49% das organizações investem em segurança pós-violação, entretanto,  investir em proteção de dados deixou de ser opcional e se tornou um requisito. 

Os recursos citados acima permitem construir confiança duradoura com clientes, reduzir riscos de incidentes e multas regulatórias, diferenciar-se no mercado e transformar segurança em valor percebido pelo consumidor.

O mercado entra agora na era da confiança digital, onde transparência, governança e tecnologia transformam operações em motores de crescimento inteligente. Crescer não é apenas aumentar base de clientes, mas crescer com inteligência, protegendo as informações e personalizando experiências de forma ética e responsável.

Portanto, muito além de investir em proteção de dados, é preciso pensar em como estruturar essa agenda de forma estratégica, integrada e orientada a resultados. Neste momento, construir confiança digital tornou-se um ativo corporativo tão relevante quanto inovação ou eficiência operacional. 

Quando uma organização assume o compromisso de proteger informações com rigor, transparência e responsabilidade, não apenas cumpre exigências legais, mas consolida uma vantagem competitiva difícil de replicar, baseada em credibilidade e relacionamento duradouro com clientes em um mundo cada vez mais conectado. 

Confiança digital não é tendência, é um ativo essencial. Quem não investir agora, vai competir amanhã sem credibilidade, sem clientes e sem mercado.

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