Quando falamos de transformação digital, pensamos automaticamente em tecnologias desenvolvidas por empresas para melhorar processos e otimizar a rotina de diversas pessoas espalhadas pelo mundo. No entanto, tecnologias que são protagonistas nesse processo de transformação, como a inteligência artificial, podem ser aplicadas em todo tipo de situação que pode não passar pela cabeça inicialmente. A […]
Quando falamos de transformação digital, pensamos automaticamente em tecnologias desenvolvidas por empresas para melhorar processos e otimizar a rotina de diversas pessoas espalhadas pelo mundo. No entanto, tecnologias que são protagonistas nesse processo de transformação, como a inteligência artificial, podem ser aplicadas em todo tipo de situação que pode não passar pela cabeça inicialmente. A exemplo: o esporte.
Este mês tivemos o pontapé inicial de um dos maiores eventos esportivos do mundo: a Copa do Mundo. Realizada pela primeira vez no Oriente Médio, esta edição da competição entrou em campo com a inteligência artificial como uma das suas principais aliadas. Diferente das Copas anteriores, no Catar os algoritmos e dados coletados durante os jogos ajudarão os árbitros de campo a tomarem decisões.
Essas informações são coletadas por câmeras e sensores espalhados pelo estádio cujo objetivo é monitorar todos os movimentos feitos pelos atletas. Inclusive, tivemos a oportunidade de ver esse recurso em ação durante a primeira rodada da Copa, já que alguns dos impedimentos marcados foram confirmados por causa dessas câmeras e sensores.
Até mesmo a bola usada no campeonato tem tecnologia implementada nela. Uma série de sensores de movimento dentro dela relatam a localização precisa da bola 500 vezes por segundo. O objetivo é auxiliar no caso de impedimento e em outras situações durante o jogo.
O uso da tecnologia no esporte, no entanto, precede esta edição do mundial.
A Intel possui o Intel 3DAT, uma solução que foi desenvolvida inicialmente pelo Olympic Technology Group da Intel para apresentar Inteligência Artificial & Visão Computacional nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 como uma tecnologia de transmissão. Após os Jogos, o projeto evoluiu e agora o 3DAT é usado pelos engenheiros da Intel e desenvolvedores independentes para a captura de movimento 3DAT sem marcadores para atletas de elite e a biomecânica exclusiva de esportes específicos.
Com uso de inteligência artificial para reconhecer, rastrear e analisar mais de 1.000 pontos de dados biomecânicos de vídeo padrão, o Intel 3DAT permite a criação de produtos ricos e poderosos baseados em biomecânica, como aplicativos da Web e móveis, que contam com dados de desempenho detalhados e visualizações tridimensionais. Além disso, ele pode fornecer aos médicos dados biomecânicos detalhados sobre a articulação, flexibilidade e amplitude de movimento do atleta em questão, e tudo sem sensores ou dispositivos vestíveis. As funcionalidades do Intel 3DAT são totalmente ajustáveis para a necessidade de cada atleta ou time.
Modalidades como beisebol, futebol americano, basquete, tênis e hóquei já viram o valor de integrar a inteligência artificial e a análise de dados nas suas operações, sejam elas na administração dos times ou em campo para deixar os jogos mais justos. A National Hockey League (NHL), inclusive, parou de usar juízes de gols após identificar que as câmeras na rede são mais eficazes e mais rápidas para sinalizar quando um time marca um ponto ou não.
Outro exemplo é o basquete. Todas as equipes da National Basketball Association (NBA) usam um sistema de visão computacional para analisar o movimento da bola e de todos os jogadores durante a partida.
A inteligência artificial é um dos recursos mais comuns utilizados por comissões técnicas em todo o mundo em diferentes tipos de esporte. O papel principal dessa tecnologia é reunir dados e interpretá-los de uma forma que beneficie a equipe. Além disso, esses dados impactam áreas como análises de desempenho, relatórios físicos e técnicos dos atletas, captação de jovens promissores e avaliação de contratações.
A transformação digital do esporte afeta, também, quem nem sai de casa para aproveitar uma partida. Com a ajuda da inteligência artificial e utilizando técnicas de análise de dados, as emissoras podem encontrar novos fatos interessantes sobre times, países, técnicos e jogadores. De forma totalmente automatizada, é possível obter a média de idade das equipes, histórico de confrontos e performance em jogos anteriores. Além disso, existem ferramentas que identificam e separam os melhores momentos da partida, deixando-os prontos para os comentaristas e editores.
A tecnologia não vai substituir o esforço e o talento de atletas e suas equipes. Muito menos vai diminuir a paixão dos espectadores. Porém, tem a possibilidade de tornar o esporte mais seguros, justos e emocionante.
Fabiano Sabatini é Gerente Técnico e Especialista em IoT da Intel Brasil