Agora que se discute a regulamentação da inteligência artificial, no Brasil, é interessante verificarmos o que já é feito em outros países, seja para copiá-los ou fugir de suas abordagens. Como avalia Fabio Gabliardi Cozman1,“Uma regulamentação muito restritiva pode dificultar a inovação local, levando à necessidade de importação de tecnologias”. Leia mais: Quando as máquinas […]
Agora que se discute a regulamentação da inteligência artificial, no Brasil, é interessante verificarmos o que já é feito em outros países, seja para copiá-los ou fugir de suas abordagens.
Como avalia Fabio Gabliardi Cozman1,“Uma regulamentação muito restritiva pode dificultar a inovação local, levando à necessidade de importação de tecnologias”.
Leia mais: Quando as máquinas “não escutam”: inteligência artificial, golpes e a proteção dos idosos
Descrevemos, assim, os caminhos tomados pelos Estados Unidos, Reino Unido e França.
Estados Unidos: inovação, inovação e inovação
Os Estados Unidos adotaram uma abordagem descentralizada, baseada em setores já regulamentados. Ao invés de uma legislação federal única dedicada à IA, o país optou por regular o seu uso por meio de leis e diretrizes já existentes, complementadas por iniciativas e recomendações de agências federais.
Estrutura regulatória atual
Desafios e perspectivas
Os Estados Unidos priorizam a promoção da inovação, temendo que uma regulamentação restritiva possa sufocar startups e empresas de tecnologia.
Reino Unido: flexibilidade e autorregulamentação
O Reino Unido quer se posicionar como líder global em IA, com uma abordagem regulatória flexível, baseada em princípios e proporcional ao risco, com ênfase na autorregulação e na colaboração entre governo, setor privado e academia.
Estratégia nacional
Estrutura regulatória
Desafios e perspectivas
O Reino Unido vê a regulação da IA como um processo dinâmico, que deve evoluir em paralelo com os avanços da tecnologia. O país busca um papel para influenciar na criação de padrões globais, especialmente em temas ligados à segurança, à ética e à governança internacional.
França: responsabilização e investimentos públicos
A França lidera a Europa na formulação de políticas públicas e regulamentações de IA alinhando-se com iniciativas como o AI Act, a Lei de inteligência artificial da União Europeia.
Estrutura regulatória nacional e europeia
Responsabilidade
A preocupação principal da França é a responsabilização de desenvolvedores, fornecedores e usuários de sistemas de IA.
Desafios
A maior complexidade regulatória da Europa é vista de um lado como proteção aos cidadãos, e de outro como um enorme desafio para a competitividade das empresas europeias.
A França defende padrões internacionais robustos para não perder competitividade.
Resumindo
As abordagens dos três países são diferentes, com três modelos principais, mas o que chama a atenção é que os três países têm uma estratégia nacional de Inteligência Artificial e buscam soberania tecnológica em IA.
Antes de regulamentar a IA no Brasil, deveríamos ter uma estratégia nacional de Inteligência Artificial, baseada no estímulo à inovação e no empreendedorismo, formação de especialistas e na busca pela criação de padrões globais, para o Brasil não perder competitividade.
Porém, esses padrões globais só serão úteis se os Estados Unidos e a China aderirem, se não, os países que aderirem se tornarão de baixa competitividade.
A IA está na sua infância, sua velocidade de crescimento e inovação é exponencial, temos uma mínima ideia do seu potencial e os EUA querem ser o líder nas palavras do Presidente Donald Trump:
As our global competitors race to exploit these technologies, it is a national security imperative for the United States to achieve and maintain unquestioned and unchallenged global technological dominance. To secure our future, we must harness the full power of American innovation.”
É interessante nesse documento, entre os fundamentos da estratégia americana, verificarmos o primeiro parágrafo do Pillar I:
Pillar I: Accelerate AI Innovation
Remove Red Tape and Onerous Regulation
O dinamismo da Inteligencia Artificial pede uma regulação dinâmica, que acompanhe esse crescimento e não prejudique a inovação e o empreendedorismo brasileiro.
O melhor para o Brasil, neste momento, é ter uma Estratégia de Soberania Tecnológica em Inteligencia Artificial, dar ênfase à autorregulação e não fazer nenhuma lei que tolha a inovação e ir monitorando o que os EUA e a China estão fazendo.
Francisco Camargo é Fundador e CEO da CLM e Diretor Tesoureiro da ABES – Associação Brasileira da Empresas de Software.
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