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A revolução da educação: do impacto da televisão à integração da Inteligência Artificial

Paulo Freire, em sua obra “Educação e a Mídia,” explorou os desafios e impactos da televisão na educação, destacando a inseparabilidade entre os processos educativos e os meios de comunicação. Atualmente, a integração da Inteligência Artificial (IA) na educação traz à tona novas discussões sobre os desafios e impactos de uma tecnologia emergente que promete […]

Publicado: 24/03/2026 às 23:36
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7 minutos
Conhecimento, tecnologia, educação online, trabalho remoto, trabalho híbrido, futuro do trabalho, conexão (talentos)
Construção civil — Foto: Reprodução

Paulo Freire, em sua obra “Educação e a Mídia,” explorou os desafios e impactos da televisão na educação, destacando a inseparabilidade entre os processos educativos e os meios de comunicação. Atualmente, a integração da Inteligência Artificial (IA) na educação traz à tona novas discussões sobre os desafios e impactos de uma tecnologia emergente que promete transformar nossa maneira de ensinar e aprender. Este texto propõe estabelecer um paralelo entre os desafios apontados por Freire no passado e os desafios contemporâneos introduzidos pela IA examinando as novas formas de comunicação e interação no contexto educacional. 

Freire argumentava que a televisão, como meio de comunicação de massa, poderia tanto alienar quanto educar. Ele via na televisão um potencial educacional significativo, mas alertava sobre o risco de uma pedagogia bancária, onde os espectadores se tornariam receptores passivos de informações. Essa preocupação é basilar para o autor, para quem a educação deve ser um processo ativo e participativo, e a mídia deve ser utilizada como uma ferramenta para promover a conscientização crítica. 

Afora isso, Freire destacou que a televisão poderia contribuir para a educação se utilizada de maneira crítica e reflexiva, com os educandos sendo incentivados a questionar e analisar o conteúdo transmitido, em vez de aceitá-lo passivamente. Essa visão crítica da mídia é fundamental para se procurar entender os desafios atuais que surgem com a integração da IA na educação. 

A Inteligência Artificial representa uma evolução significativa em relação à televisão, oferecendo não apenas a transmissão de informações, mas também a interação e a personalização do aprendizado. No entanto, assim como Freire identificou os riscos da utilização da televisão na educação, é importante, também, compreender os desafios e as oportunidades para a utilização da IA na educação. 

Novos Desafios 

  1. Desigualdade de Acesso: Assim como a televisão, a IA pode acentuar as desigualdades existentes se o acesso à tecnologia não for universal. Em muitos países, a falta de infraestrutura adequada, como acesso à internet e dispositivos tecnológicos, pode impedir que estudantes se beneficiem das vantagens da IA. 
  1. Privacidade e Segurança: A IA, ao coletar e analisar grandes volumes de dados sobre os estudantes, levanta preocupações significativas sobre privacidade e segurança. A proteção dos dados dos estudantes deve ser uma prioridade para garantir que a tecnologia seja usada de maneira ética e segura. 
  1. Desenvolvimento de Habilidades Críticas: A utilização da IA pode promover uma forma de aprendizado passivo, onde os estudantes dependem das máquinas para obter respostas e soluções. É fundamental que a educação com IA continue a desenvolver habilidades críticas e reflexivas nos estudantes, alinhando-se com a visão freiriana de uma educação emancipadora. 
  1. Preparação de Educadores: A introdução da IA na educação sugere que os educadores sejam devidamente capacitados para integrar essa tecnologia em suas práticas pedagógicas de maneira eficaz. A formação contínua dos professores é essencial para que eles possam utilizar a IA como uma ferramenta que enriqueça o processo educacional. 

Afora esses desafios, existem as novas formas de aprendizagem e comunicação que surgem a partir da integração da Inteligência Artificial (IA) na educação. Essas novas abordagens incluem: Interatividade e Personalização: Diferente da televisão, que é um meio de comunicação unidirecional, a IA permite uma comunicação bidirecional e altamente interativa. Ferramentas como tutores virtuais e sistemas de aprendizado adaptativo podem personalizar o ensino de acordo com as necessidades individuais de cada estudante, promovendo um aprendizado mais eficaz e engajador;  Aprendizado Baseado em Dados: A IA possibilita a coleta e análise de grandes quantidades de dados educacionais, permitindo aos educadores identificar padrões e adaptar suas estratégias pedagógicas para melhorar os resultados de aprendizado. Essa abordagem baseada em dados pode contribuir para uma educação mais eficiente e direcionada; Ambientes de Aprendizado Imersivo: Tecnologias como realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR), impulsionadas por IA, criam ambientes de aprendizado imersivos que podem enriquecer a experiência educacional. Essas tecnologias oferecem oportunidades para aprender de maneira prática e envolvente, facilitando a compreensão de conceitos complexos; Colaboração Global: A IA pode facilitar a colaboração entre estudantes e educadores de diferentes partes do mundo, quebrando barreiras geográficas e culturais. Plataformas educacionais online e ferramentas de comunicação suportadas por IA permitem que os estudantes participem de projetos colaborativos globais, ampliando suas perspectivas e conhecimentos.

Leia mais: Desafio da adoção e recrutamento de Inteligência Artificial no Brasil

Inspirado por Freire, os educadores devem atuar como mediadores críticos no processo de integração da IA na educação. Eles devem incentivar os estudantes a questionar e refletir sobre o uso da tecnologia, promovendo uma postura crítica e consciente. Freire sempre defendeu a educação como um processo de conscientização e emancipação, e essa perspectiva é ainda mais relevante na era da IA. Os educadores precisam fomentar um ambiente onde os alunos não apenas utilizem as ferramentas tecnológicas, mas também compreendam suas implicações éticas, sociais e culturais. 

Além disso, os educadores devem ser agentes de mudança, capacitando-se continuamente para explorar as potencialidades da IA e adaptando suas práticas pedagógicas para maximizar os benefícios dessa tecnologia. Isso inclui a incorporação de novas metodologias de ensino, a personalização da aprendizagem e a utilização de dados para melhorar os processos educativos. 

A formação contínua dos educadores é basilar para que eles possam se manter atualizados sobre as inovações tecnológicas e as melhores práticas pedagógicas associadas à IA. Isso requer um esforço colaborativo entre instituições educacionais, governos e comunidades para fornecer os recursos e o apoio necessários. 

Os professores também desempenham um papel vital na garantia de que a IA seja utilizada de forma equitativa e inclusiva. Devem estar atentos às disparidades no acesso à tecnologia e trabalhar para mitigar essas desigualdades, garantindo que todos os estudantes tenham a oportunidade de se beneficiar das vantagens que a IA pode oferecer. 

Considerações Finais 

A integração da inteligência artificial na educação representa uma oportunidade única para transformar o processo de ensino-aprendizagem, mas também traz desafios significativos que devem ser abordados com cuidado e responsabilidade. Inspirados pela visão crítica de Paulo Freire sobre a mídia, devemos garantir que a IA seja utilizada como uma ferramenta para promover a conscientização crítica, a inclusão social e o desenvolvimento de habilidades reflexivas nos estudantes. 

Ao entender e enfrentar os desafios e explorar as novas formas de comunicação proporcionadas pela IA, podemos construir um sistema educacional mais equitativo, inclusivo e eficaz. É através desse processo de reflexão crítica e adaptação contínua que a educação pode realmente se beneficiar das inovações tecnológicas, preparando os estudantes para um futuro cada vez mais interconectado e tecnológico.

foto ana Políticas públicas de transformação digital e futuro do trabalhoAna Cláudia Donner Abreu é Pesquisadora THINK TANK ABES – IEA/USP e Pesquisadora Sênior do Laboratório de Engenharia da Integração e Governança do Conhecimento do PPGEGC/UFSC. As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação.

 

 

 

Referências:

  • Freire, P. (1982). Educação e a Mídia. Paz e Terra. 
  • Smith, R., & Jones, L. (2020). Artificial Intelligence in Education: Promises and Challenges. Educational Review, 72(4), 456-473. 
  • Brown, T. (2018). The Role of Data in Personalized Learning. Journal of Educational Technology, 15(2), 103-120. 
  • White, J. (2019). Privacy and Security in the Age of AI. Technology and Society, 41(3), 211-224. 

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