Já reparou que, quando falamos em ESG, em geral a pauta ambiental pula na frente? Não é uma surpresa, claro – temos uma emergência climática acontecendo e o assunto requer nossa atenção imediata. Mas o ESG não é apenas o meio ambiente – ele também se ocupa com o âmbito social e, em especial, com […]
Já reparou que, quando falamos em ESG, em geral a pauta ambiental pula na frente? Não é uma surpresa, claro – temos uma emergência climática acontecendo e o assunto requer nossa atenção imediata. Mas o ESG não é apenas o meio ambiente – ele também se ocupa com o âmbito social e, em especial, com questões relacionadas a desigualdades.
A desigualdade é um risco sistêmico que ameaça os fundamentos políticos e econômicos nos quais as empresas dependem para operar, inovar e crescer. Abordar a desigualdade é estimular o crescimento econômico sustentável de longo prazo. O “S” em ESG é um pilar crítico de ação que tem sido negligenciado por muito tempo. O custo da inação aumentará drasticamente à medida que as consequências da desigualdade continuarem a se desdobrar.
A desigualdade mina a dignidade humana e o progresso social. É um risco que não ameaça apenas comunidades ou empresas individuais, mas sociedades inteiras e a economia. Ela erode a confiança em nossos sistemas políticos e econômicos, aumenta os danos causados por crises como a COVID-19 e as mudanças climáticas, limita o crescimento econômico e prejudica nossa capacidade coletiva de lidar com desafios globais complexos. Portanto, representa um risco empresarial significativo e crescente que impacta o desempenho empresarial, limita a produtividade e a inovação, desestabiliza as cadeias de suprimentos e enfraquece a confiança e os gastos dos consumidores.
Um estudo recente encomendado pela World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) coloca o assunto em pespectiva: os 10% mais ricos da população mundial detêm mais de três quartos de toda a riqueza, enquanto os 50% mais pobres possuem apenas 2%. Mas mais do que isso, 19% de todos os trabalhadores no mundo ganham menos do que precisam para sair da pobreza. Questões relacionadas à desigualdade estão literalmente tirando a vida de uma pessoa a cada quatro segundos.
Mas por que isso é um risco para as empresas? Ora, porquê riscos sistêmicos ameaçam a economia como um todo, colocam toda a operação em risco. Vamos a alguns dos riscos mais comuns causados pela desigualdade:
Enfrentar a desigualdade pode fortalecer o ambiente operacional ao construir confiança, aprimorar a estabilidade social e política e conter crises. Há também evidências crescentes de que enfrentar a desigualdade é um impulsionador importante para o crescimento econômico sustentável de longo prazo. Os benefícios ao nível da empresa associados aos esforços para combater a desigualdade incluem atrair e reter talentos, conquistar consumidores, construir cadeias de suprimentos resilientes e se manter à frente das mudanças de políticas e regulamentações.
E nessa luta, a tecnologia pode proporcionar a confiança necessária e aprimorar a responsabilidade empresarial, ajudando as organizações de identificar, prevenir e mitigar riscos aos direitos humanos por meio de uma cadeia de valor integrada. Processos de negócios impulsionados digitalmente podem permitir transparência e acessibilidade em meio à complexidade das regulamentações e padrões globais de direitos humanos e trabalhistas, dados distribuídos e colaboração das partes interessadas.
As empresas precisam reavaliar todo o seu processo de negócios, políticas e práticas e fazer do respeito à dignidade humana o cerne da cultura empresarial de como os negócios são conduzidos. Sem essa visão, a sua estratégia ESG não está completa, e sua empresa está sujeita a riscos desnecessários. No ESG, a visão tem que ser holística: o planeta, a sociedade, e a empresa, em uma sintonia que beneficia a todos.
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