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Soberania digital no Brasil 

A soberania digital emerge como um conceito central no contexto brasileiro, referindo-se à capacidade de um Estado em exercer sua autoridade e controle no ambiente digital, proteger seus interesses nacionais e garantir a segurança de seus cidadãos e infraestruturas (Polido, 2024).   No Brasil, o tema começa a ganhar relevância, especialmente diante das discussões sobre regulação […]

Publicado: 14/03/2026 às 03:18
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7 minutos
Soberania digital no Brasil 
Construção civil — Foto: Reprodução

A soberania digital emerge como um conceito central no contexto brasileiro, referindo-se à capacidade de um Estado em exercer sua autoridade e controle no ambiente digital, proteger seus interesses nacionais e garantir a segurança de seus cidadãos e infraestruturas (Polido, 2024).  

No Brasil, o tema começa a ganhar relevância, especialmente diante das discussões sobre regulação de dados, 5G e serviços de nuvem. A literatura destaca ainda a dimensão discursiva e estratégica da soberania digital, não apenas como controle técnico, mas como disputa de poder simbólico e político. Estudos reforçam ainda que o debate vai além da infraestrutura, envolvendo autonomia regulatória e a capacidade de impor normas no ciberespaço. 

Este artigo propõe um conjunto de políticas públicas articuladas para fortalecer a resiliência digital do Brasil, com base nas melhores práticas internacionais, legislação pertinente e nos debates contemporâneos. 

  1. Soberania Digital Desafios no Brasil 

A soberania digital pode ser entendida como a capacidade de um Estado controlar autonomamente suas infraestruturas digitais, fluxos de dados, serviços críticos e processos de decisão tecnológica. Esse conceito tem ganhado força na União Europeia com iniciativas como o projeto Gaia-X, que visa reduzir dependências externas e assegurar o controle europeu sobre serviços em nuvem.  

A soberania de dados e o domínio de infraestruturas de dados são centrais para reforçar as estruturas de cibersegurança. A dimensão transnacional da segurança cibernética e a expansão da IA trazem desafios jurisdicionais. Existe a preocupação com o “colonialismo ou neocolonialismo de dados” e o poder corporativo transnacional que pode submeter governos e populações a padrões tecnológicos invasivos e violadores de direitos fundamentais. As interdependências globais nas cadeias de suprimento tecnológico tornam indispensável a formulação de políticas públicas que conciliem resiliência digital e interesses geopolíticos. 

O Brasil enfrenta desafios significativos para manter sua soberania digital, mas também possui um conjunto relevante de capacidades e experiências acumuladas. A construção de uma estratégia nacional robusta, envolvendo Estado, empresas e sociedade civil, é essencial para transformar o país em um ator digital resiliente, autônomo e competitivo globalmente. A seção a seguir reúne algumas sugestões de políticas que podem fortalecer a resiliência brasileira. 

  1. Políticas públicas para fortalecer a resiliência 

A construção de uma agenda robusta de soberania digital no Brasil exige o desenho de políticas públicas integradas, capazes de responder aos desafios emergentes e antecipar riscos futuros. A soberania digital de um país depende não apenas de investimentos tecnológicos, mas também de liderança política, fortalecimento institucional e inovação local. Esta seção propõe diretrizes articuladas em sete dimensões, baseadas nas melhores práticas internacionais e adaptadas ao contexto brasileiro. 

Fortalecimento da governança e coordenação institucional: O primeiro eixo de ação envolve a criação de uma estratégia nacional de soberania digital, que integre os diversos atores públicos, privados e acadêmicos. Essa estratégia deve articular marcos regulatórios, planos de ação e protocolos de resposta a incidentes, garantindo clareza de competências e linhas de comando em situações de crise. Um modelo inspirador é o da União Europeia, que combina regulação, cooperação multissetorial e mecanismos de monitoramento contínuo.  

Desenvolvimento de infraestrutura tecnológica soberana: A redução das dependências externas passa pelo fortalecimento da infraestrutura tecnológica local, incluindo nuvem soberana, semicondutores, data centers e redes críticas. Investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, além de estímulos fiscais e compras públicas que privilegiem soluções nacionais, são essenciais para criar um ecossistema digital autônomo e resiliente. Essa dimensão também inclui a adoção de padrões abertos e tecnologias de código aberto, com atenção aos riscos e benefícios associados. 

Uso estratégico de tecnologias emergentes: A IA, embora represente riscos, também oferece oportunidades significativas para fortalecer a resiliência cibernética. A IA pode ser empregada para detecção precoce de ameaças, análise de comportamento anômalo e automação de respostas a incidentes. As políticas públicas devem fomentar o uso responsável dessas tecnologias, estabelecendo parâmetros éticos e de governança claros.

Leia mais: Ecos de Foucault no Século XXI: tecnologias de segurança em tempos de IA

Cooperação internacional e articulação regional: Por fim, a resiliência digital brasileira será tanto mais robusta quanto mais ancorada em redes internacionais de cooperação. A participação ativa em iniciativas regionais e globais permite ao Brasil compartilhar informações, receber alertas precoces e alinhar estratégias de resposta. O país deve buscar protagonismo nesses fóruns, aproveitando sua posição de liderança regional. 

A soberania digital, ao mesmo tempo desafio e oportunidade, constitui hoje uma prioridade estratégica para o Brasil. A consolidação de políticas públicas integradas que combinem governança sólida, investimento em infraestrutura nacional e uso ético de tecnologias emergentes é fundamental para reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade do Estado de proteger seus cidadãos e seus ativos críticos. O fortalecimento de competências técnicas, aliado a mecanismos regulatórios que equilibrem inovação e segurança, poderá posicionar o país de forma mais autônoma frente às disputas globais por dados, tecnologia e influência digital. 

Nesse sentido, construir um ecossistema digital resiliente exige compromisso político, cooperação internacional qualificada e engajamento ativo do setor privado e da sociedade civil. Ao investir na articulação entre soberania digital e transformação tecnológica, o Brasil pode não apenas mitigar riscos associados ao ciberespaço, mas também criar condições para o desenvolvimento econômico inclusivo e sustentável, pautado na defesa de direitos fundamentais e no fortalecimento da sua capacidade de decisão no ambiente digital globalizado. 

Darci Indústria 4.0 e resiliência nas cadeias de suprimentosDarci de Borba é pesquisador do Think Tank da ABES, técnico de planejamento e pesquisa no Ipea, Doutorando em Administração na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e Mestre em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação.

 

Foto Luiz Felipe Vieira de Siqueira Brasil: leis por emoção e não por razão Luiz Felipe Vieira de Siqueira é advogado, pesquisador do Think Tank da ABES, Doutorando em Inovação & Tecnologia – PPGIT UFMG e sócio da Privacy Point. As opiniões expressas neste artigo não refletem, necessariamente, os posicionamentos da Associação. 

 

Referências 

Adler-Nissen, R., & Eggeling, K. A. (2024). The Discursive Struggle for Digital Sovereignty: Security, Economy, Rights and the Cloud Project Gaia-X. Journal of Common Market Studies, 62(4), 993–1011. Scopus. https://doi.org/10.1111/jcms.13594 

Akcali Gur, B. (2022). Cybersecurity, European digital sovereignty and the 5G rollout crisis. Computer Law and Security Review, 46. Scopus. https://doi.org/10.1016/j.clsr.2022.105736 

Blancato, F. G., & Carr, M. (2024). The trust deficit. EU bargaining for access and control over cloud infrastructures. Journal of European Public Policy. Scopus. https://doi.org/10.1080/13501763.2024.2441418 

Budnitsky, S. (2022). A Relational Approach to Digital Sovereignty: E-Estonia Between Russia and the West. International Journal of Communication, 16, 1918–1939. Scopus. 

Farrand, B., & Carrapico, H. (2022). Digital sovereignty and taking back control: From regulatory capitalism to regulatory mercantilism in EU cybersecurity. European Security, 31(3), 435–453. Scopus. https://doi.org/10.1080/09662839.2022.2102896 

Gatica, J. P. S. (2023). THE DISCURSIVE CONSTRUCTION OF EUROPEAN TECHNOLOGICAL SOVEREIGNTY IN THE DIGITAL DOMAIN: IDEATIONAL CONDITIONALITIES AND LEGITIMIZATION STRATEGIES. Revista Electronica de Estudios Internacionales, 45. Scopus. https://doi.org/10.17103/reei.45.05

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