ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250

Startups e scale-ups: evolução (ou involução?) das práticas de governança

Muito se tem discutido sobre a tomada de ações pouco ortodoxas nas startups. Afinal, devemos confiar nos fundadores gestores ou exigir processos rígidos que coíbam essas ações? Aceitá-las seria uma evolução ou uma involução das Boas Práticas de Governança? Recentemente, deparei-me com uma discussão interessante sobre como os investidores anjos interessados em uma startup na […]

Publicado: 21/03/2026 às 20:27
Leitura
5 minutos
startup
Construção civil — Foto: Reprodução

Muito se tem discutido sobre a tomada de ações pouco ortodoxas nas startups. Afinal, devemos confiar nos fundadores gestores ou exigir processos rígidos que coíbam essas ações? Aceitá-las seria uma evolução ou uma involução das Boas Práticas de Governança?

Recentemente, deparei-me com uma discussão interessante sobre como os investidores anjos interessados em uma startup na fase de validação¹ viam a adoção, por parte dos fundadores (empreendedores), de algumas ações consideradas não ortodoxas nesse ecossistema. Tais iniciativas, no caso, representavam uma boa economia para a empresa, levando para os investidores a decisão entre “Go” ou “No Go” (“investir ou “não investir”, no jargão do mercado). Esse assunto, embora costume deixar o grupo de investidores-anjo bastante dividido, pode movimentá-lo positivamente, à medida que gera reflexões importantes. Dentre elas: deve o fundador tomar atitudes pouco fora do padrão mesmo que aja com transparência? Caso as tome, o investidor anjo deve adotar a decisão final entre o “Go” / “No Go”?

Fundadores constantemente estão navegando em águas inóspitas e ainda não navegáveis. Há, primeiramente, uma alta burocracia. Criam-se dificuldades a cada processo percorrido, grande parte pelo fato de a desconfiança nas pessoas ser maior que a confiança. Há, também, uma alta carga tributária, uma vez que se pagam impostos antes mesmo de se testar o modelo de negócio.

Nesse aspecto, há quem defenda ações inicialmente pouco ortodoxas e que a governança seja aprimorada de maneira evolutiva, visando ao melhor para empresa, o meio ambiente e a sociedade e iniciando o amálgama do ESG (Ambiental, Social e Governança, traduzido ao português). Inclusive, recomendo fortemente a leitura do Caderno de Governança para Startups e Scale-ups, produzido pela Comissão de Governança em Startups e Scale-ups do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa)². E na temática ambiental e social, a startup que já não nasce com essa responsabilidade, será excluída pelo próprio mercado. Já dizia Mahatma Gandhi, importante ativista indiano: “Quem não vive para servir, não serve para viver”.

Continuam a busca por ferramentas, metodologias e regras para a melhor governança. Porém, quanto mais se criam processos robustos, mais esquecemos que a essência está em estabelecer a confiança e a transparência entre as pessoas.

Assim, resta a pergunta: estabelecer somente uma relação de confiança nos fundadores, num primeiro momento, pode ser visto como uma involução por falta de uma metodologia mais estruturada? Ou é possível que o comportamento mostre uma evolução e uma nova tendência?

Sobre esse tema em especial, tenho um exemplo muito significativo sobre comportamento: uma certa empresa de aluguel de veículos tinha como processo que, na hora da devolução, um de seus funcionários fosse até o automóvel conferir o marcador e fizesse a cobrança do combustível consumido, caso o tanque não estivesse cheio. Depois, passou a pedir ao próprio cliente que transmitisse essa informação por conta própria, cortando o processo burocrático e colocando nele a confiança do processo. Após um ano, o que se viu na prática foi não apenas um ganho de produtividade, mas que, ao contrário de qualquer possível prejuízo com informações propositadamente falsas, o cliente buscava ser o mais correto possível em suas indicações – mesmo que tivesse que arcar com um valor maior do que o que realmente tivesse consumido.

Tal situação acima descrita faz-me acreditar que evoluímos em governança quando trabalhamos nos valores que formam o caráter das pessoas. Por outro lado, involuímos quando criamos excessos de regras, processos e controles que, de certa forma, aumentam o custo e transferem a responsabilidade para o processo – e não para as pessoas.

Pensando diretamente na pergunta que abre este artigo, acredito que o caminho esteja exatamente na atuação com foco na confiança – e não somente nos processos ortodoxos. Afinal, quando fortalecida, essa postura vem provando ser capaz de progredir rapidamente, tornando-se um valor hoje para, amanhã, passar a ser um alicerce básico. São práticas como essas que permeiam a evolução de uma sociedade e, consequentemente, o avanço da governança corporativa.

* Beatriz Carneiro Cunha é membro da Comissão de Startups&Scaleups do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e investidora anjo em startups. Tem experiência como empreendedora nos setores automotivo, agropecuária, imobiliário, varejo, tecnologia e financeiro. Atualmente, atua como Conselheira de Administração na CIP SA(Infraestrutura de Mercado Financeiro), na EuNerd (TI Field Service) e na EPC Coworking (Empresa familiar).

¹ Veja o Caderno de Governança Corporativa para Startups e Scale-ups do IBGC para mais informações sobre as fases das startups

² Disponível nesse link.

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas